Mais do que estudar, os cearenses buscam, agora, poder trabalhar lá fora, aproveitando a vantagem do câmbio
Esta semana, em uma entrevista na televisão aberta, o animador e diretor de cinema, Carlos Saldanha, autor dos sucessos "Rio" e "A Era do Gelo", disse que sua carreira profissional decolou mesmo quando ele resolveu fazer uma especialização nos EUA. Ele recebeu o convite de seu professor, para trabalhar na então incipiente (e agora gigante) Blue Sky Studios. É um exemplo clássico de que a abertura internacional para os brasileiros não se resume somente a passeios, compras e oferta de subempregos.
Estudantes arriscam
No Ceará, é cada vez maior o número de jovens que está apostando nessa ideia. De acordo com a Coordenadoria de Assuntos Internacionais (CAI), da Universidade Federal do Ceará (UFC), no último biênio (2009 e 2010), mais de 140 alunos já se inscreveram no programa de mobilidade acadêmica e intercâmbio educacional. Até meados dos anos 2000, não se chegava nem à metade disso por semestre. É o caso da estudante de jornalismo, Juliana Diógenes, que há quatro meses estuda na Universidade do Porto, em Portugal. Ela é mais uma cearense que resolve cursar um ou dois semestres no exterior, em especial, na Europa, para se aprimorar e, quem sabe, se destacar profissionalmente.
Juliana se sustenta com o dinheiro enviado pelos pais e de uma sobra do volume arrecadado de estágios realizados, em Fortaleza. Ela conta que o real mais forte contribui para que as despesas sejam reduzidas, possibilitando que os estudos sejam seu único foco, no momento. Porém, a crise que há um ano assola o país ibérico acaba anulando essa vantagem.
Impacto da crise
"O preço de algumas mercadorias está levemente mais alto. O almoço na cantina universitária, por exemplo, era 2,15 euros e agora tá 2,25 euros. Apesar de o real estar valorizado, a realidade econômica de Portugal não me deixa usufruir tanto disso", explica, lembrando que uma colega que faz parte do mesmo programa, mora em Santiago de Compostela, na Espanha, e está desembolsando bem menos por mês para se manter. Ela acrescenta que estudar na Europa era um desejo antigo, desde os 14 anos, e o que mais a motivou foi a oportunidade de engrandecer seus conhecimentos acadêmicos, crescer profissionalmente e poder vivenciar a experiência de morar sozinha em outro país.
Todavia, admite que o fortalecimento da moeda brasileira aliada a uma série de fatores pesou na decisão do agora. "A valorização do real acabou favorecendo a minha vontade antiga de estudar fora, sim, mas foi determinante o meu desejo. Meus pais já tinham conhecimento há anos, então vinham se preparando financeiramente. Educação sempre foi uma prioridade lá em casa e nisso meus pais sempre investiram", despede-se, já que teve de interromper a entrevista, feita por meio de uma conhecida rede social, porque já estava em sala de aula. A internet é o meio mais rápido, prático e barato de aproximá-la da terra natal e tudo que ela deixou para trás.
ILO SANTIAGO JÚNIOR
Repórter
Fonte: Diário do Nordeste
Esta semana, em uma entrevista na televisão aberta, o animador e diretor de cinema, Carlos Saldanha, autor dos sucessos "Rio" e "A Era do Gelo", disse que sua carreira profissional decolou mesmo quando ele resolveu fazer uma especialização nos EUA. Ele recebeu o convite de seu professor, para trabalhar na então incipiente (e agora gigante) Blue Sky Studios. É um exemplo clássico de que a abertura internacional para os brasileiros não se resume somente a passeios, compras e oferta de subempregos.
Estudantes arriscam
No Ceará, é cada vez maior o número de jovens que está apostando nessa ideia. De acordo com a Coordenadoria de Assuntos Internacionais (CAI), da Universidade Federal do Ceará (UFC), no último biênio (2009 e 2010), mais de 140 alunos já se inscreveram no programa de mobilidade acadêmica e intercâmbio educacional. Até meados dos anos 2000, não se chegava nem à metade disso por semestre. É o caso da estudante de jornalismo, Juliana Diógenes, que há quatro meses estuda na Universidade do Porto, em Portugal. Ela é mais uma cearense que resolve cursar um ou dois semestres no exterior, em especial, na Europa, para se aprimorar e, quem sabe, se destacar profissionalmente.
Juliana se sustenta com o dinheiro enviado pelos pais e de uma sobra do volume arrecadado de estágios realizados, em Fortaleza. Ela conta que o real mais forte contribui para que as despesas sejam reduzidas, possibilitando que os estudos sejam seu único foco, no momento. Porém, a crise que há um ano assola o país ibérico acaba anulando essa vantagem.
Impacto da crise
"O preço de algumas mercadorias está levemente mais alto. O almoço na cantina universitária, por exemplo, era 2,15 euros e agora tá 2,25 euros. Apesar de o real estar valorizado, a realidade econômica de Portugal não me deixa usufruir tanto disso", explica, lembrando que uma colega que faz parte do mesmo programa, mora em Santiago de Compostela, na Espanha, e está desembolsando bem menos por mês para se manter. Ela acrescenta que estudar na Europa era um desejo antigo, desde os 14 anos, e o que mais a motivou foi a oportunidade de engrandecer seus conhecimentos acadêmicos, crescer profissionalmente e poder vivenciar a experiência de morar sozinha em outro país.
Todavia, admite que o fortalecimento da moeda brasileira aliada a uma série de fatores pesou na decisão do agora. "A valorização do real acabou favorecendo a minha vontade antiga de estudar fora, sim, mas foi determinante o meu desejo. Meus pais já tinham conhecimento há anos, então vinham se preparando financeiramente. Educação sempre foi uma prioridade lá em casa e nisso meus pais sempre investiram", despede-se, já que teve de interromper a entrevista, feita por meio de uma conhecida rede social, porque já estava em sala de aula. A internet é o meio mais rápido, prático e barato de aproximá-la da terra natal e tudo que ela deixou para trás.
ILO SANTIAGO JÚNIOR
Repórter
Fonte: Diário do Nordeste

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