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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Miguel Angelo de Azevedo - Nirez


Filho do poeta, escritor e pintor Otacílio de Azevedo, Nirez foi batizado em homenagem ao artista renascentista Michelangelo. Começou trabalhando como desenhista técnico no DNOCS, onde ficou até o ano de 1991, quando foi transferido para a para a Rádio Universitária FM da Universidade Federal do Ceará, mas desde 1956 colabora com jornais de Fortaleza, tais como: Tribuna do Ceará, Correio do Ceará e O Povo. Seu filho, Nirez de Azevedo, seguiu os passos do pai como escritor, tendo inclusive escrito um livro sobre a história do futebol no Ceará.

Fonte: TV Assembléia do Ceará

Patativa do Assaré


Uma das principais figuras da música nordestina do século XX. Segundo filho de uma família pobre que vivia da agricultura de subsistência, cedo ficou cego de um olho por causa de uma doença [2]. Com a morte de seu pai, quando tinha oito anos de idade, passou a ajudar sua família no cultivo das terras. Aos doze anos, frequentava a escola local, em qual foi alfabetizado, por apenas alguns meses [3]. A partir dessa época, começou a fazer repentes e a se apresentar em festas e ocasiões importantes. Por volta dos vinte anos recebeu o pseudônimo de Patativa, por ser sua poesia comparável à beleza do canto dessa ave.

Fonte: TV Assembléia do Ceará

Raquel de Queiroz - A historia de quem nos contou muitas historias


Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza-Ceará, em 17 de novembro de 1910 e faleceu no Rio de Janeiro em 4 de novembro de 2003. Foi eleita para a Academia Brasileira de Letras em 4 de agosto de 1977 e recebida em 4 de novembro de 1977 pelo acadêmico Adonias Filho.

Fonte: TV Assembléia do Ceará

Cearense - Padre Cicero Romao Batista


Um fato importante marcou a sua infância: o voto de castidade, feito aos doze anos, influenciado pela leitura da vida de São Francisco de Sales.

Em 1860, foi matriculado no Colégio do renomado Padre Inácio de Sousa Rolim, em Cajazeiras na Paraíba. Aí pouco demorou, pois, a inesperada morte de seu pai, vítima de cólera, em 1862, o obrigou a interromper os estudos e voltar para junto da mãe e das irmãs solteiras. A morte do pai, que era pequeno comerciante no Crato, trouxe sérias dificuldades financeiras à família, de tal sorte que, mais tarde, em 1865, quando Cícero Romão Batista precisou ingressar no Seminário da Prainha, em Fortaleza, só o fez graças à ajuda de seu padrinho de crisma, o coronel Antônio Luís Alves Pequeno. 

Fonte: TV Assembléia do Ceará

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Prêmio QUEM: Mano Melo (Melhor escritor)

O cearense lançou neste ano o livro “Poemas do Amor Eterno”, com poesias românticas e outras que revelam também o amor entre amigos

 Foto: Camilla Maia/Ag. O Globo

O escritor, ator e roteirista de TV e teatro é um declamador reconhecido no Brasil por suas poesias, que costuma apresentar em shows e recitais em casas de espetáculos, bares e centros culturais. Em meados deste ano, Mano lançou o livro "Poemas do Amor Eterno", com poesias que falam também do amor entre amigos.

Atualmente, o artista se apresenta com o "Mano a Mano com Mano Melo", uma espécie de stand-up de poesia. Nascido no Ceará em 1945, Mano mora desde a juventude no Rio de Janeiro e, nos anos 70, passou dez anos viajando pela América Latina, Europa, Ásia e África. Além de seu trabalho individual, fez parte do projeto de poesia Ver o Verso, junto com o jornalista e escritor Pedro Bial e o também poeta Claufe Rodrigues, entre outros. Como ator, Mano atuou em campanhas publicitárias, participou de filmes como "O Cangaceiro Trapalhão" e "O Homem da Capa Preta", além de quadros humorísticos e novelas.

Fonte: Quem Online

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Cearenses notáveis ganham documentários

Valorizando personalidades que ajudam a contar parte da recente história do Ceará, o Museu da Imagem e do Som realiza mostra de documentários e lança série de livros nesta semana


A história de um povo pode ser contada de várias maneiras. Uma das formas mais eficazes, desde tempos remotos, é ouvir os mais velhos narrarem suas experiências. Tal qual o vinho, os longevos fazem do tempo um aliado e, ainda que o olhar esteja cansado e a voz soe arrastada, contam a sabedoria adquirida ao longo do muito que já viveram e deixam uma enorme contribuição histórica para o presente e para as gerações vindouras. Reconhecendo essa importância, o Museu da Imagem e do Som (MIS) realiza a partir de hoje (22) a mostra de documentários do projeto “Memórias Centenárias Cearenses”. Na quinta-feira, o museu lança outro projeto de cunho semelhante, a série de livros “Histórias MIS”.

Nos dois projetos, personalidades cearenses que ajudaram a formar parte da cultura cearense relatam suas vidas em caráter documental. O “Memórias Centenárias Cearenses” reúne depoimentos de 10 cearenses notáveis. A ideia do projeto é criar um acervo audiovisual sobre a memória cultural do Estado, através da gravação em vídeo e registro fotográfico destas personalidades do universo da cultura erudita e popular do Ceará.

Já o “Histórias MIS” é uma série composta por quatro livros, contemplando entrevistas com 23 personagens, entre historiadores, filósofos, coreógrafos, poetas, escritores, pesquisadores, radialistas, jornalistas, cantores, atores e dramaturgos. Como testemunhas de vários acontecimentos importantes, essas pessoas constituem uma rica fonte histórica viva de grande parte do que aconteceu por estas terras nas últimas décadas.

“O “Memórias Centenárias” contempla o pessoal mais velho e o Histórias MIS é com personalidades um pouco mais jovens. As pessoas vão conversando e contando sua própria história”, explica o diretor do MIS, Miguel Ângelo de Azevedo, o Nirez. Segundo ele, a importância maior dos projetos é a oportunidade de conhecermos as diferentes histórias sob o ponto de vista de quem realmente as presenciou, sem intermediações. “O importante é que é o protagonista que está falando”, destaca.

As iniciativas têm caráter contínuo. Todos os anos o MIS realiza diversas pesquisas e entrevistas com profissionais de diferentes campos, para serem posteriormente disponibilizadas para o público em diferentes mídias. Nirez diz que um dos fatores que contribuem para a qualidade do material final é o fato de os entrevistadores serem também pessoas que conhecem o contexto de vida dos entrevistados. Por exemplo, a entrevista com o artista Nilo Firmeza, o Estrigas, foi conduzida pela socióloga e professora Kadma Marques. O poeta e pesquisador Sânzio de Azevedo entrevista o advogado e estudioso da música Sinésio Lustosa.

“Difícil foi encontrar alguém que conhecesse a área do Valdemar Caracas, porque ele fez um monte de coisa. Ajudou a fundar o Ferroviário, foi radialistas, vereador...” diz Nirez, com bom humor, sobre o senhor de 104 anos, que teve mais de dez profissões e é um dos símbolos do Ferroviário Atlético Clube. Nirez frisa que, além das entrevistas, outro aspecto importante é o material que essas pessoas reúnem, sobretudo muitas fotografias antigas, que contribuem para o enriquecimento do acervo que conta a história do Ceará através de imagens. (Marcos Robério, Especial para O POVO)

SERVIÇO

Lançamento do projeto Histórias MIS
O quê: série de quatro livros biográficos sobre personalidades cearenses
Quando: quinta-feira (24), às 10h
Onde: Museu da Imagem e do Som (Av. Barão de Studart, 410 – Meireles)
Outras info.: 3101 1202
Os livros poderão ser adquiridos gratuitamente no local

Programação

Exibição de documentários do projeto Memórias Centenárias Cearenses (início sempre às 18h30min, no auditório do MIS)

Hoje (22/11)
Adísia Sá
Antônio Alexandrino

24/11
Hugo Bianchi
José Cláudio de Oliveira

29/11
Vicente Hoslan
Nilo Firmeza

1/12
Orlys Vasconcelos
Sinésio Cabral

6/12
Valdelice Girão
Valdemar Caracas

Fonte: O Povo

domingo, 25 de setembro de 2011

Humor: Baião de dois

A parceria entre a fuleragem de Bené Barbosa, o Papudim, e o acervo de humor de Tarcísio Matos pro- mete render bons frutos. Ambos são idealistas do projeto Ce-abrindo, que deve levar o humor cearense às telonas, telinhas e aos palcos


Bené Barbosa, criador do Papudim, liderou o projeto "Terça de Graça", que reuniu mais de dez mil pessoas
DENISE MUSTAFA

O advogado cearense, natural de Itapajé, nascido em fins do século XIX, era reconhecido por duas coisas: nunca ter perdido uma causa e nunca ter perdido uma piada. José Quintino da Cunha, bacharelado pela Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará, entraria para a história não somente pela profissão ou pelos anos como deputado estadual, mas sobretudo como fundador da molecagem cearense. Mas será possível conceder-lhe esse título?

"Para mim, Quintino Cunha representa o que há de mais inteligente no humor do Ceará", defende o jornalista Tarcísio Matos, que desde a década de 80 escreve humor. Há mais de 30 anos teve contato com o "anedotário quintiniano", como intitula. As histórias, ouvidas de pais e avós, o seguiram na faculdade, quando entrou na UFC, e continuou nas rodas de amigos.

Quintino Cunha

Nas telas
Agora, ao lado de uma leva de grandes humoristas, a dupla Tarcísio e Bené vê uma iniciativa de longa data finalmente ganhar corpo: o instituto Ce-abrindo. A partir deste projeto multimídia, o curta-metragem "A Maldição da Sogra Coral e Outras Histórias", já filmado, chega às salas cearenses em breve; e o longa de nome provisório "Quintino, o poeta moleque" levará para as telonas o humorista maior da molecagem cearense.

"Quando pensamos em fazer o filme, decidimos que não seria um roteiro novo, mas uma compilação das melhores histórias de Quintino. O importante é que os mais jovens, que talvez não tenham ouvido falar dele, finalmente o conheçam", revela Tarcísio Matos.

E as histórias do advogado moleque são muitas. Dentre as tantas, encontra-se no filme a passagem em que Quintino emociona o júri contando uma penosa história sobre a mãe do acusado que defendia.

A versão fora tão comovente que juiz e advogado de acusação interromperam a sessão e deram a liberdade ao réu. Ao deixar o local, o advogado, ainda choroso, perguntou a Quitino quem era, afinal, a santa mãe do acusado. Quintino respondeu prontamente: "E eu lá sei se esse filho de uma égua tem mãe!".

Essas e muitas outras comporão o longa que, segundo Bené, deverá contar com a participação de atores cearenses. "Queremos filmar com Gero Camilo, Cláudio Jaborandi... Trazer nossos atores pra fazer nossos filmes", afirma. A história já está escrita e passa agora pelas mãos de um roteirista apenas para adaptá-la à linguagem cinematográfica.

Além das telonas, a proposta é levar humor também para a TV. "Vamos fazer o ´Ce-abrindo com Papudim´. Será um programa cheio de convidados, para que os humoristas cearenses também tenham seu espaço garantido, além dos teatros e casas de shows", explica Bené.

O jornalista e escritor de humor Tarcísio Matos mantém contato com a obra de Quintino Cunha há mais de 30 anos

Sinfonia
Em 30 de janeiro de 2012, um acontecimento marcante na história do humor cearense completa seus 70 anos. Em 1942, após 72 horas de tempo nublado, o sol decidiu surgir com sua presença escaldante e foi vaiado por uma multidão em plena Praça do Ferreira.

Para não deixar passar em branco a efeméride, o Ce-abrindo já está nos preparativos de uma senhora cerimônia. "Vamos fazer uma ´Sinfônica da Fuleragem´, com regência de Papudim e músicas de Bené Barbosa, Tarcísio Matos e Tarcísio Sardinha", adianta o comediante.

Para os palcos dos teatros, o instituto pretende dar continuidade ao projeto "Terça de Graça", que leva espetáculos de humor gratuitos ao Theatro José de Alencar, uma vez por semana. A primeira edição reuniu, em 18 apresentações, mais de dez mil pessoas.

"O que queremos é atingir não só os turistas, mas fazer rir nosso próprio povo. Isso é também um desafio, já que não é fácil fazer cearense achar graça!", acrescenta Bené. Pode-se ver que os planos estão a passos largos. Para os espectadores, basta esperar e conferir um Ceará moleque ocupando espaços em sua própria terrinha.

MAYARA DE ARAÚJO 
REPÓRTER

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Jornalista e escritor Pedro Rocha Jucá completa 70 anos de vida

Nesta quinta-feira 13.05.2011 todas as homenagens vão para o jornalista e escritor Pedro Rocha Jucá que completa 70 anos de vida. Cearense de nascença e cuiabano por adoção desde que aportou por aqui em 1959, Jucá tem uma trajetória marcante no cenário cultural mato-grossense. Dono do registro de jornalista mais antigo de Mato Grosso em atividade, tem mais de 10 livros publicados, foi o primeiro assessor de Imprensa e o primeiro secretario municipal de Cultura e Turismo, da Prefeitura de Cuiabá e durante quase 25 anos dirigiu o jornal “O Estado de Mato Grosso”. Foi o primeiro autor mato-grossense a publicar livros virtuais e hoje edita na Internet o jornal eletrônico “Varanda Cuiabana”, para divulgar a cultura de Mato Grosso.

Hoje Pedro Jucá recebe todas as atenções e carinho da mulher Dona Carminda, dos filhos Marcelo, Marcos, Mauro e Márcia, dos netos Lucas, Victor e Daniella, da bisneta Luna e da legião de amigos e admiradores pela passagem de seu aniversário. Parabéns!!!

terça-feira, 10 de maio de 2011

Brindes ao boêmio

Um ano após a morte do gestor e agitador cultural Cláudio Pereira, amigos realizam homenagem em bares e restaurantes

Mesmo após sofrer um acidente que o deixou paraplégico, Cláudio Pereira preservou o espírito irrequieto e boêmio, que lhe rendeu o apelido carinhoso de "Cadeira Voadora"
FOTO: MIGUEL PORTELA

Em maio de 2010, o Ceará despedia-se de uma figura basilar para o setor da cultura no Estado. Sob a designação de "agitador cultural", o jornalista, produtor e gestor Cláudio Pereira foi responsável por múltiplos projetos na área, incentivou artistas e agregou entusiastas. Seu falecimento, aos 66 anos, em decorrência de infecção generalizada, foi uma perda não somente para amigos e família, mas para o setor da cultura.

As lembranças e os frutos do trabalho de Cláudio, no entanto, permanecem. Para celebrar essa memória, por ocasião do primeiro ano de sua morte, um grupo de amigos organizou o Circuito Cláudio Pereira. O roteiro inclui bares e restaurantes que eram preferidos do jornalista. O evento é aberto a qualquer um que queira participar.

"A ideia surgiu em um jantar com a Martine Kunz (viúva de Cláudio) e a Regina Moreira", recorda Mônica Barroso, amiga antiga do jornalista e Coordenadora Estadual de Políticas Públicas para a Mulher. "O Cláudio era incansável, e vários dos amigos tentaram acompanhar seu ritmo. Eu mesma nunca consegui. A Regina ainda aguentou por certo tempo, mas era duro. Ele ia a vários eventos culturais e sociais da cidade. Depois fazia uma peregrinação nos bares".

O Circuito começa amanhã à noite, no Bar de Seu Airton. Na quinta, é a vez do Bar do Carlinhos (no Largo do Mincharia). Na sexta, tem dobradinha: almoço no restaurante Zena e, à noite, Bar do Ciço. No sábado, tem panelada no restaurante LaVilany. Domingo é o dia mais concorrido do Circuito, e começa ainda de manhã, no Raimundo dos Queijos (Centro). Em seguida, tem almoço no Cantinho do Frango. A esticada fica por conta do Flórida Bar e termina tarde da noite no Pagode da Mocinha Quem ainda tiver fôlego, pode acompanhar os discípulos do boêmio no Bar do Pedim, na segunda-feira.

Loja e bar Raimundo dos Queijos, outro espaço favorito
FOTOS: JOSÉ LEOMAR/ KIKO SILVA
"Esses locais eram os preferidos dele, que viravam nossos preferidos também. Quem frequenta botequim sabe que o modo como a vida se desenrola ali é mais complacente com as pessoas, e que é mais fácil o afeto aflorar após umas doses de bebida ou de conversa. Muitos fatos interessantes são criados nos ambientes boêmios. Ao redor da figura do Cláudio existem mil histórias, algumas reais, outras não. Mas ele acharia todas verdadeiras", brinca Mônica.

"Registre-se que os proprietários, garçons e a própria clientela se encantavam com a presença do Cláudio. Ele era tido como um irmão ou filho. Daí a gente sempre cantava quando ele chegava: ´Com este é o oitavo botequim ....´", lembra a amiga.

Amigo e cobaia
De fato, o carinho dos proprietários pelo jornalista é sentido rapidamente, em dois minutos de conversa. "Ele frequentava minha casa antes mesmo do restaurante surgir. Nossa amizade tinha mais de 20 anos", afirma Vilani Rodrigues, que comanda o LaVilany, no Mucuripe. "Ele chamava o restaurante de ´charmoso sem placas´, porque aqui não temos placa. Quando lançávamos um prato novo, ele era a cobaia, e depois sempre divulgava", elogia a empresária. "Os pratos que ele mais gostava eram feijoada e panelada".

Essas duas iguarias também levavam Cláudio religiosamente ao restaurante Zena. "Foi uma perda grande, especialmente para nós do Centro da cidade. A região caiu muito sem sua atuação", lamenta Zenilda Bezerra, a Dona Zena. O afeto é tanto que a proprietária enche os olhos d´água ao lembrar do amigo e ao mostrar a caixa de recortes de jornal com menções ao restaurante, muitas feitas pelo próprio Cláudio. "Ele foi o primeiro a falar do Zena, da feijoada. Tinha o cantinho dele lá fora, que depois trouxemos aqui pra dentro. Toda quarta e sábado estava aqui".

Dona Zena no "cantinho" de Cláudio Pereira em seu restaurante
FOTOS: JOSÉ LEOMAR/ KIKO SILVA
O tal "cantinho" tem até placa de aviso, onde se lê "Recanto Cláudio Pereira". A figura sorridente do jornalista aparece várias vezes nos painéis de fotografias espalhados pelo restaurante, que tem 42 anos de existência. "Era uma pessoa boa. Não tenho outra palavra para descrevê-lo. Mesmo desenganado pelos médicos, na cadeira de rodas (em 1973, Pereira sofreu um acidente que o deixou paraplégico), ele tinha uma vontade de viver, uma energia que a gente sentia só de chegar perto", elogia. Não por acaso, ele ganhou o apelido jocoso de "Cadeira Voadora".

No Bar do Pedim, Cláudio também tinha mesa exclusiva. "Por coincidência, era aquela ali, onde eu estava sentado", aponta o jornalista e historiador Marciano Lopes, também amigo antigo e frequentador do bar. "Era uma pessoa admirável. É difícil para qualquer ser humano sofrer um acidente, ficar sequelado e continuar amando a vida", avalia Lopes. "Ele recuperou e trouxe para o Pedim o Clube dos Amigos da Segunda-Feira, criado por Milton Dias. Tinha shows com tocadores de violão, cantores, era bem animado", recorda. Novamente a imagem de Cláudio aparece em várias fotografias, espalhadas pelas paredes do bar. "Ele era um festeiro, uma pessoa diferente", afirma Lopes.

Sobre o número de participantes do Circuito, Mônica Barroso diz que é difícil prever. "A gente nunca sabe quantas pessoas estarão presentes em eventos para o Cláudio. Eles prescindem de formalidades, as pessoas não confirmam presença mas vão. O chamado que se faz é do prazer, é do coração e não da obrigação social", ressalta a amiga. "Creio que, como foi advertido pela morte (e driblou-a por muito tempo), tratou de viver intensamente", avalia.

Para Mônica, esse espírito irrequieto de Cláudio foi seu maior legado. "Ele foi muito mais importante, a meu ver, como modelo de vida do que como gestor cultural. O cargo apenas publicizou isso. Conheci de perto seus gabinetes, sempre de portas abertas. E sua preocupação em atender a todos", lembra.

Em 1985, Cláudio ajudou a criar a Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (que deu origem à Secretaria da Cultura de Fortaleza), além de tê-la dirigido durante maior parte da década seguinte. "A Prefeitura viveu momentos de grandes festas e eventos culturais em toda a cidade. Lembro de bares que ele descobria na periferia e nos levava para conhecer", revela Mônica. "Depois fazia captação para manifestações culturais das redondezas. Isso ninguém pode imitar. Era algo tão natural que deixava de ser trabalho e virava uma grande festa".

Roteiro

Bar de Seu Airton
(R. Tomás Acioli, próximo à Torre Quixadá) - Quarta-feira à noite
Bar do Carlinhos (Largo do Mincharia, na Praia de Iracema) - Quinta-feira à noite
Restaurante Zena (R. Meton Alencar, 549, Centro) - Almoço na sexta-feira
Bar do Ciço (R. Padre, Quinderé, 165) - Sexta-feira à noite
LaVilany (R. Olga Barroso, 331, Mucuripe) - Almoço no sábado
Raimundo dos Queijos (Travessa Crato, s/n, Centro) - Fim da manhã de domingo
Cantinho do Frango (R. Torres Câmara, 71) - Almoço no domingo
Flórida Bar (R. Dom Joaquim, 68 - Praia de Iracema) - Domingo à noite
Pagode da Mocinha (R. Pe. Climério, 140) - Domingo à noite
Bar do Pedim (R. Jorge da Rocha, entre as ruas Silva Paulet e José Vilar) - Segunda-feira à noite

ADRIANA MARTINS
REPÓRTER

sábado, 23 de abril de 2011

Chico Anysio volta a trabalhar após 3 meses internado

Ao final da gravação, o humorista foi aplaudido por todos os presentes

Foto: Dilvulgação  
O humorista Chico Anysio voltou a trabalhar na quarta-feira, 20, após passar mais de três meses internado, segundo informações do portal Gente Babado.

O ator esteve nos estúdio da Rede Globo para gravar o humorístico "Zorra Total". Ao final da gravação, foi aplaudido por todos os presentes.

Em cenas para o programa, Chico reviveu os momentos de sua clássica personagem Salomé. No quadro, conversou, por telefone, com a Presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, em um bate-papo de mulher para mulher.

A atração com o humorista vai ao ar neste sábado, 23.
 

Fonte: O Povo

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Chico Anysio – 80 anos, 15 filmes

Um dos maiores cearenses faz 80 anos.  Inigualável na arte de fazer rir com sua galeria de personagens marcantes, Chico Anyo recebe a saudação de toda a imprensa do País e dos cearenses. A televisão foi a sua principal casa de espetáculos, seguida do teatro. Levado pela curiosidade, constato que o grande Chico escreveu 18 enredos de filmes, só participou de 15, sendo um deles emprestando a voz ao velhinho Carl Fridicksen, de Up! Altas Aventuras


Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho – de Maranguape desde 12 de abril de 1931. Humorista, escritor, pintor e… cearense da gema. Começou na extinta TV Ceará e está na Rede Globo há 43 anos. Grande como Chico, só o seu humor único, refinado e criativo.

Tive o privilégio de cumprimentar Chico, uma única vez. Convidado para a pré-estréia de Tieta do Agreste, em Salvador, onde foi rodado sob a direção de Cacá Diegues, após a sessão, generosamente, em meio aos cumprimentos de dezenas de espectadores, ressaltou a satisfação em ter ali a presença de um conterrâneo conferindo o filme.


Apesar da longa carreira na televisão, Chico tem poucos filmes em seu currículo, apesar de ter escrito 18 chanchadas. Mas, nem por isso devemos lamentar, pois durante esse tempo ele estava ocupado em criar sua genial galeria de personagens tão imortais quanto ele. Mesmo assim, não dá para esquecer o Zé Esteves, pai de Tieta, no filme de Cacá Dieques, e especialmente a voz que emprestou, com sutileza e amoção, ao velhinho Carl Fridicksen, aquele filosófico e notável personagem de Up! Altas Aventuras, o qual passa a vida toda esperando pelos sonhos e somente na velhice passa a concretizá-los.
Chico, ao contrário  de Carl, passou toda a sua existência concedendo vida a personagens que expressam o Brasil e arrancam risos de toda a nação. Através deles Chico se engrandeceu ao ofertar um dos maiores bens da existência: a arte de fazer rir os semelhantes. Obrigado Chico, e parabéns pelos 80 anos.
Confira a filmografia do mago das caras.
1955 – O Primo do Cangaceiro, Mário Brasini (também co-autor do argumento)
1959 – Eu Sou o Tal, de Eurípedes Ramos e Hélio Barroso
1959 – Entrei de Gaiato, de J. B. Tanko (co-autor do roteiro)
1959 – Mulheres à Vista, de J. B. Tanko (co-autor do roteiro)
1960 – O Palhaço o que É?, de Carlos Manga
1960 – Cacareco vem Aí, de Carlos Manga (co-autor do roteiro)
1960 – Pequeno por Fora, de Aloísio Y. de Carvalho (autor do roteiro)
1971 – O Doce Esporte do Sexo, de Zelito Viana (co-aur do roteiro)
1987 – Tanga – Deu no The New York Times, de Henfil
1996 – Tieta do Agreste, de Carlos Diegues
2009 – Se eu Fosse Você 2, de Daniel Filho
2009 – Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, de Micael Langer, Calvito Leal e Cládio Manuel
2009 – Up! Altas Aventuras (EUA), de Pete Docter e Bob Peterson (voz do personagem Carl Fredicksen)
2010 – Uma Professorinha Muito Maluquinha, de André Alves Pinto e César Rodrigues
Confira o engraçadíssimo treiler de um dos primeiros filmes de Chico, Cacareco Vem Aí. Em cena Sonia Mamede, Chico e o inesquecível Oscarito.





Fonte: Blog de Cinema-Diário do Nordeste

terça-feira, 12 de abril de 2011

Maranguape do humor

(FOTO SARA MAIA)
Para aproveitar a força que ganhou o nome Maranguape depois que Chico Anysio passou a falar da cidade (e ele sempre falou muito dela em suas entrevistas ao O POVO), a prefeitura montou o Festival Nacional de Humor. 2011 é a vez da terceira edição, que ano passado aconteceu em maio. Em anos anteriores, em 2009 e 2010, houve premiação para três categorias: individual, duplas e trios. Os candidatos ou faziam a agora famosa stand up commedy (comédia em pé), ou lançavam mão da pantomima (mímica) ou dos palhaços.

A cidade vira um burburinho quando o festival acontece. As apresentações em escolas, praças, na rodoviária e no mercado, as exibições de filmes de comédia no Teatro Pedro Gomes de Matos, as palestras educativas nas escolas contribuem para essa movimentação. Em 2010, a população pode ainda participar de oficinas de Caricatura, Charge e Cartum, ministrada por Weaver Lima; Criação de Personagem, por Bené Barbosa (Papudim); Expressão do Riso, por Karla Karenina (Meirinha); e Confecção de Adereços para Humor com Sucata, ministrada por Ana Alice.

Chico foi o homenageado da abertura da segunda edição, com troféu levando seu nome. E quando o nome de Chico Anysio é lembrado, sua participação no festival logo vem à tona em Maranguape. A Praça Capistrano de Abreu ficou lotada, de homem, menino e mulher. Uma festa só.


Fonte: O Povo

Chico Anysio recebe homenagem com humor

O Dia do Humorista há oito anos homenageia Chico Anysio. Desta vez, uma semana de atividades e risadas. A programação inclui ainda o Dia da Sogra (28)
Apresentação do Dia do Humorista na Praça do Ferreira, em 2010 (DIVULGAÇÃO)
Jader Soares bateu mais uma vez o pé na parede, a rede ia e vinha, e as ideias também. Lembrou do Dia da Sogra, não se sabe bem porquê, e lembrou também que a própria profissão estava esquecida quanto ao mérito. Levantou-se dali e sentou-se na mesa do computador. Redigiu um ofício, convocou os colegas e logo estavam todos discutindo quando seria instituído o Dia do Humorista. “Quem não pode ir confirmou a escolha por telefone”. O Dia homenagearia Chico Anysio, que já dava nome ao Teatro onde ficava o escritório: 12 de abril, portanto, aniversário de um dos mais bem sucedidos humoristas brasileiros.

Esse já é o oitavo ano que a Associação do Humoristas, da qual Jader é presidente, organiza a semana. Serão sete dias, de hoje ao dia 18, de muita risada. Hoje a brincadeira começa na Praça do Ferreira, às 16 horas, com mais de 40 humoristas se revezando até as 21 horas (a programação também faz parte das comemorações aos 285 anos de Fortaleza). Na quarta-feira (13) em diante eles fazem graça nas outras regionais, da I à IV. Desta vez, apenas cinco apresentações, e mais tempo para desenvolver o show (todos começam às 19 horas e seguem até as 22 horas).

Dia 28 – o tal Dia da Sogra – também entra na programação: no Teatro Chico Anysio, do qual Jader é diretor, 10 humoristas contarão apenas piadas sobre a sogra. “Nós não exigimos, mas orientamos que de que as pessoas tenham cuidado, é um espaço aberto, espaço público”, detalha Jader sobre piadas a serem contatas ao longo do evento. As tais orientações tomaram lugar nos encontros da Associação, toda segunda-feira, no teatro Chico Anysio, de já 20 anos. Os galanteios, portanto, durante a semana, levariam em conta as crianças, os idosos, as diversas crenças etc., presentes na plateia. “Mas não é uma obrigação”, ressalta o presidente.

O Teatro Chico Anysio, onde funciona o Escritório do Riso, no Benfica, é um dos polos agregador de humoristas, segundo Jader Soares, que interpreta o Zebrinha. “É lá que se reúne a produção para escolher os humoristas que vão pro Show do Tom (Record), pra Rede Globo”. Ainda este ano, prevê Jader, será inaugurado o museu do Humor Cearense, em julho. (Júlia Lopes)


SERVIÇO


DIA DO HUMORISTA
Onde: abertura hoje na Praça do Ferreira, às 16 h. Evento segue em outros bairros
Quanto: Acesso livre
Mais informações: (85) 3255 8300


PROGRAMAÇÃO

Hoje (12)
Praça do Ferreira, Centro
De 16h às 21h

Amanhã (13)
Praça Valdir Campos – Conjunto Polar
De 19h às 22h

Quinta-feira (14)
Praça do Mirante
De 19h às 22h

Sexta-feira (15)
Praça do Bairro João XXIII
De 19h às 22h

Sábado (16)
Praça do Jardim América
De 19h às 22h

Domingo (17)
Campo do Jonnathan (Tv. Álvaro Chaves, 300, Mundubim Sul)
De 19h às 22h

Segunda-feira (18)
Quadra do Conjunto Rosa Luxemburgo
De 19h às 22h

Fonte: O Povo

O ninho de Chico

80 anos cheios, completos, e com a saúde revigorada: Chico Anysio aniversaria hoje e o Vida & Arte comemora a data fazendo uma visita à sua Maranguape, que guarda mais lembranças recentes que antigas do humorista

Chico Anysio deixou Maranguape com oito anos, mas sua fama Brasil afora impregnou a cidade de lembranças e histórias (FOTO SARA MAIA)
O viajante que a sorte encarregou de levar pelas bandas de Maranguape pode perguntar a qualquer um na calçada, na bicicleta ou levando os meninos para casa: onde morou um dos seus filhos mais ilustres, Chico Anysio? “Pode ir reto, dobra lá na frente e depois vai direto”. A casa fica perto do cemitério, região que alguns maranguapenses gostam de identificar como Preguiça, dado à malemolência dos residentes da área. Depois do muro branco, um terreno largo e generoso, verde e cheio de silêncio, guarda a casa ampla, sem forro. Nenhum outro móvel daquela época resistiu. Foi ali onde nasceu, há 80 anos, o comediante Chico Anysio.

Do outro lado da rua, o velho Gerardo Dias de Souza, já agora com a vista turva e escurecida, descreve aquele tempo, quando o irmão mais velho de Chico Anysio, Elano de Paula, levava os meninotes todos na caçamba da camionete. Era fim dos anos 1930, não seria apenas uma carroça? A pergunta fica sem resposta. Com 83 anos recém-feitos, o retrato que guarda dos vizinhos é de pura presepada, marmota, mungango, gaiatice. Na cadeira posta à porta de casa, rodeado pelas muriçocas, ele fala das muitas visitas que a casa recebia, da vida que pulsava ali, dos cafés da tarde. “Era um pagode mais lascado do mundo”.


No tempo do talvez
Célio Cavalcante, 77 anos, aposentado, bota panos quentes na efusividade de seu Gerardo. No bar do Xavier, onde ele encontra a turma toda terça, lembra que Chico talvez tenha tomado banho de açude, talvez tenha visto a maravilha que era a manobra do trem, talvez tenha participado das brincadeiras dos meninos, como quando colocaram uma mesa de madeira em cima da cabeça do Capistrano de Abreu, outro filho nobre de Maranguape. “Ele foi embora daqui muito pequeno, mas já naquela época era gaiato”. O humorista contava oito anos, e o pai tinha perdido a riqueza familiar num incêndio. “Ele vinha depois, nas férias. Mas era a mãe quem mais dava notícia dele”.

Há quem diga que Capistrano tenha batido uma bota na outra para dali não levar nem a poeira. E que Chico Anysio tenha feito o mesmo. À primeira pergunta da reportagem, se seu Chico Façanha, dono de mercadinho de frente para uma praça, conheceu o xará, ele responde de pronto: “Mas preferia não ter conhecido”. E deu a falar de como o humorista não faz nada pelo Maranguape. “Minha madrinha é até tia ou prima dele, a dona Maria Paula. É um bom artista, mas poderia fazer algo pela terra natal”. O segurança Francisco Augusto, 66, reconhece o conterrâneo por ter feito história. “Acho ele engraçado, tem muitos personagens, todo mundo conhece”.

Os recentes problemas de saúde fizeram Chico Anysio sair de cena. É a esposa dele, Malga di Paula, quem dá conta da saúde do humorista, pela rede social Twitter: está preparando “algo especial para ele”. Não especificou qual seria a surpresa. Mas garantiu: “Claro que vamos comemorar durante todo o ano”. Lá em Maranguape, há quem faça a previsão: próximo busto de praça – das muitas que Maranguape tem – é dele. Muito justo!


Quando

ENTENDA A NOTÍCIA

Após passar 110 dias internado, entre dezembro de 2010 e março de 2011, quando passou por uma angioplastia e sofreu uma pneumonia, Chico Anysio volta para casa e dá início ao processo de recuperação. Recebeu familiares e amigos, mas não voltou para suas atividades. É nesse contexto que ele comemora hoje 80 anos.


Júlia Lopes
ENVIADA A MARANGUAPE

julialopes@opovo.com.br


Fonte: O Povo

Um recomeço para Chico

No dia em que comemora 80 anos, o Caderno 3 traz uma reportagem exclusiva com o mestre do humor cearense. Recuperando-se dos problemas de saúde que o prenderam por quatro meses em um hospital, Chico Anysio recebeu o Diário do Nordeste em sua casa para uma conversa franca sobre os momentos difíceis da doença e o sofrimento pelos rumos do time do coração, o Ferrim

Chico Anysio: "Estou bem, fazendo fisioterapia para o músculo me segurar, comendo tudo, só me falta andar, porque as pernas ainda estão fracas. Quatro meses de cama é uma lenha!"
FOTOS: FOLHA PRESS
Chico Anysio encheu os olhos d´água quando viu a baciada de cajá umbu e pitomba que transitou de Fortaleza para o Rio de Janeiro, como parte dos presentes que o Diário do Nordeste, em nome dos cearenses, enviou para homenageá-lo em seu aniversário de 80 anos.

Ficou até nervoso. "É cajá?" Ergueu-se um pouco da cadeira de rodas, espichou com o rabo do olho e repetiu desconfiado. "É Cajá? Cajá mesmo?". Afastou a sonda do nariz e foi comendo cajá e quebrando com o dente a casquinha da pitomba. Enquanto roía o caroço, bem devagar e com cara de criança levada, ria-se dos porquês das frutas não estarem tão frescas e até um pouco amassadas. "Imagino a aventura de vir de tão longe cuidando desse pacote tão grande, menina", disse com carinho, cheirando as atas, goiabas e acerolas que também foram de presente para minimizar a saudade da terrinha.

O torcedor
 "Estou sabendo que no Ceará todos estão torcendo por minha saúde", entrecortou Chico, com voz grave. "O Ceará é sempre querido, sempre faz parte dos meus planos. Acho Fortaleza uma cidade divina, sem contar que as praias são insuperáveis. O único problema de lá é o Ferroviário...Ferrim, meu time do coração, podendo me dar essa alegria! Se eu acertasse na mega-sena, ajudava o Ferrim".

Quando falou no Ferroviário, deu para sentir um certo pesar. Chico murchou na cadeira. Até pensei que viesse uma brincadeira, mas ele emendou. "Eu, criança, meu pai presidente do Ceará, e eu torcedor do Ferrim, sozinho lá em casa... O único da família que não torce Ceará sou eu". E apareceu na testa aquela tez enrugada, que todo torcedor fanático-amargurado-desesperançoso tem. E acho que ele estava falando sério mesmo!

Com sonda e oxigênio a reboque, Chico está com movimentos lentos, mas a voz continua a mesma...o vozeirão de sempre. E o corpo cansado não corresponde à avidez por se expressar, denunciadas por alguns instantes de olhar firme.

"Estou bem, fazendo fisioterapia para o músculo me segurar, comendo tudo, só me falta andar, porque as pernas ainda estão fracas. Quatro meses de cama, dois meses só de UTI, é uma lenha! E sem poder beber água? Só tomava oito pingos na boca. É isso, entrei na quarta vida, agora só me restam três", diz sorrindo com o canto da boca.

A celebração
Feliz aniversário, ´Amado Mestre´! E Chico se apruma na cadeira quando vê saindo mais presentes da sacola. Dessa vez, duas imagens advindas do município de Canindé, especialmente para nosso gênio do século XX. Na primeira caixa veio São Francisco de Assis, xará e seu santo de devoção, devidamente trajado em tecido de saco tingido de marrom, com terço ornando o corpinho de 30 centímetros e claro, o cordão amarrado na cintura.

A amiga inseparável, Santa Clara, mais linda ainda, veio em outra caixinha do mesmo tamanho, com o hábito marrom também de saco, mantilha preta na cabeça, tercinho no corpo, igualzinho aos trajes das Irmãs Clarissas, que vivem enclausuradas e em contemplação no Mosteiro do Santíssimo Sacramento, e que são responsáveis pela estilização das imagens.

Chico colocou as duas mãos no peito, meio rindo, meio emocionado, e ouviu atento à narração da "via sacra" que o casal de santos percorreu até chegar às suas mãos, no belo apartamento de varanda envidraçada de ponta a ponta, com vista belíssima para a Lagoa da Barra, lugar onde mora há pouco mais de um ano com a mulher, Malga di Paula.

"Essas imagens são produzidas dentro do Convento das Irmãs Clarissas", expliquei. "Por sorte, ficamos sabendo que duas freiras vinham de Canindé para Fortaleza na quarta-feira, 6, dia seguinte ao senhor ter confirmado por telefone que poderia me receber para uma visita de aniversário no sábado à tarde, dia 9". E ele comendo pitomba. "Elas chegaram às cinco da manhã, trouxeram a encomenda de seus presentes, juntamente com esse CD de músicas sacras, e mandaram dizer que sua saúde está na intercessão da clausura. Depois as deixei em um hospital ali, na Aldeota, motivo pelo qual estavam na Capital".

"Você se livrou de um peso danado agora... Que aventura! Mas obrigado, obrigado por tudo, pelas frutas, CD, imagens, livros, pela lembrança, obrigado mesmo".

O fumo
"Chico", indago, logo depois de Malga encerrar a conversa e dar o sinal para que as enfermeiras afastem a cadeira de rodas para trás, onde ele retomaria a conversa com Daniela Escobar, "minha vizinha do 15", brincou Chico, a atriz que também estava lá de visita. "Chico, sei que, por diversas razões, o senhor não pode conceder entrevista, mas preciso saber se o senhor acredita que tudo isso que está acontecendo tem a ver com cigarro?"

"Se eu acho? Eu tenho certeza! Tudo isso que eu passo é por conta do cigarro. Se eu fosse ter de novo uma vida, faria tudo que fiz, até errado o que errei, só não fumava mais. Fumei durante 40 anos, quatro carteiras por dia, mas não se iluda, tanto faz uma como quatro, o mal é igual. Um dia resolvi parar, porque se você quiser parar, você para! Mas para mim foi tarde demais. Quando decidi, o enfisema já estava aqui."

Beijei sua mão, pedi sua bênção e fui para a sala contígua à varanda, aliás, ampla, elegante e impessoal como o ambiente anterior. Lá, Malga di Paula aguardava para uma breve conversa. E a entrevista deu certa dimensão do que vem acontecendo nos últimos meses com nosso Chico Anysio.

ENTREVISTA
Malga di Paula*

Malga di Paula
"Vários dias me disseram que o Chico (Anysio) não ia sobreviver"
Chico Anysio está novamente em casa depois de quase quatro meses internado. Como será de agora em diante?
Olha, eu que tô cuidando... Sinceramente? Não pensei em muitas coisas para o futuro. Porque o mais importante naquele momento era salvar a vida dele, era tê-lo vivo. O que desencadeou tudo isso foi um problema cardíaco que ele teve, numa artéria. Aí teve de colocar um stent (espécie de tubo condutor). Só que colocando esse stent, deu errado, furou a artéria, vazou sangue para dentro do pericárdio, foi um horror.

Isso aconteceu em dezembro?
Foi em dezembro. Aí, depois disso, foi uma luta, porque ele pegou infecção, teve um monte de problemas, foi uma batalha. Várias coisas aconteceram. Várias coisas ruins aconteceram. Vários dias me disseram que o Chico não ia sobreviver e tal.

Ele mudou de médico nesse processo, não foi?
Ele tinha um médico que estava cuidado dele, o Luiz Cesar Cossenza, mas eu não estava gostando da conduta dele, eu não estava satisfeita com ele fazia um tempo. Demorei mais tempo para trocar porque a família não concordava, filhos, irmãos, todo mundo. Mas aí tive que enfrentar sozinha e trocar de médico, sozinha, contra todo mundo. Depois de 56 dias que Chico estava lá (no Hospital Samaritano) troquei de médico. Foi no meio do processo mesmo, Chico estava no CTI. Aí chamei o doutor Luiz Alfredo Lamy e a equipe dele. Porque antes só tinha um médico que cuidava dele. Depois que entrou toda uma equipe, ele melhorou. Porque, até então, era uma cacetada atrás da outra. Um conselho que eu dou é que você nunca tenha medo de pedir a opinião para outro profissional. Tem hora que a decisão certa é trocar e foi o que fiz. Foi uma luta, contra todo mundo, mas deu certo, graças a Deus.

Você está com Chico Anysio há quanto tempo?
Vai fazer 13 anos. Quando o conheci, eu tinha 28 anos, agora estou com 41. Eu era cantora e vim fazer uma entrevista com ele sobre Dolores Duran, porque eles foram parceiros, ela gravou muitas músicas dele. Na época, consegui uma entrevista na casa dele! E doze dias depois nos casamos.

Doze dias? Foi rápido, né?
Quando fez nove dias que a gente se conhecia, fui embora para Porto Alegre, porque tinha minha vida lá. Daí ele ficou falando: "volta, volta, volta". Quero ver se esse cara tá falando sério mesmo. Daí, falei: "ah, se você quer que eu volte, vem me buscar". Ele pegou o primeiro avião e foi me buscar.

*Cantora e esposa de Chico Anysio

NATERCIA ROCHA
ENVIADA AO RIO DE JANEIRO