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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

História da TV Ceará Canal 2


A década de 1960 representou o início da produção televisiva cearense. A TV Ceará, canal 2, dos Diários Associados, foi inaugurada em 26 de novembro de 1960. A emissora representava a expansão da cadeia associada pelo Nordeste, após instalar canais em Recife e Salvador naquele mesmo ano. A produção era tipicamente local, até porque o videotape ainda não havia chegado às emissoras, muito menos o sinal via satélite. A direção do canal ficou por conta do superintendente Eduardo Campos.

Fonte: TV Assembléia do Ceará

Beato José Lourenço


O Caldeirão de Santa Cruz do Deserto foi um dos movimentos messiânicos que surgiu nas terras no Crato, Ceará. A comunidade era liderada pelo paraibano de Pilões de Dentro, José Lourenço Gomes da Silva, mais conhecido por beato José Lourenço.

No Caldeirão, os romeiros e imigrantes trabalhavam todos em favor da comunidade e recebiam uma quota da produção. A comunidade era pautada no trabalho, na igualdade e na Religião.

Fonte: TV Assembléia do Ceará

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

História do Rádio no Ceará -Arquivo Nirez


Documentário sobre a História do Rádio no Ceará apresentando num Seminário de História da Comunicação do curso de Jornalismo da FAC (Faculdade Cearense).

FICHA TÉCNICA:

Imagens/edição: Victor Hudson
Legendas: Thiago César
Fotografia: Edna Nogueira, Halisson Ferreira.
Roteiro: Victor Hudson
Produção: Clailson Melo, Mariana Valéria, Acylandio Alves, Stephenson Muratori.
Direção Geral: Victor Hudson

Agradecimentos: A todos os envolvidos na produção e, especialmente, a Miguel Angelo Azevedo, mas conhecido com Nirez, pela prestabilidade e receptividade em sua casa e seu Acervo.

Fonte: Victor Hudson

domingo, 9 de outubro de 2011

Crateús - Centenário com sanfoneiros

Ampla programação cultural marcará as festividades dos 100 anos de fundação do Município de Crateús

Igreja Matriz do Município, datada da década de 30, concentra festejos religiosos. Ainda como capela, deu origem à cidade que hoje é polo na região dos Inhamuns
REPRODUÇÃO

Crateús. Faltando apenas 38 dias para o seu centenário, data oficial no dia 15 de novembro, este Município vive momentos de expectativa e grande movimentação. Hoje, a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo lança a programação oficial do Centenário, cujo carro chefe é o evento "Sanfona, Música do Mundo - I Encontro Nacional da Sanfona dos Sertões de Crateús". A partir das 18h, no Teatro Rosa Moraes, acontece o lançamento oficial dos Festejos do Centenário de Crateús.

A tradicional "Ave Maria Sertaneja" será executada pelo sanfoneiro Cafuné do Mucambo. O prefeito, Carlos Felipe, e o secretário de Cultura, Francisco Aldo, falarão sobre as festividades do centenário, marcadas pela realização do I Encontro Nacional da Sanfona, "Sanfona, Música do Mundo", e do II Festival Aéreo, com a apresentação da esquadrilha da fumaça. Na ocasião, também será apresentada toda a programação prevista para o mês de novembro, na continuação das festividades.

"Além de comemorar o Centenário de Crateús, o Encontro Nacional da Sanfona pretende firmar o Município na agenda cultural do Estado e do País, resgatando a atividade musical desse belo instrumento, que é a sanfona", pontua o secretário adjunto municipal de Cultura, Avelar Macedo.

Contagem regressiva
Às 18h30, a programação cultural completa e toda a estrutura de apoio do evento, que pretende atrair participantes de Fortaleza, do Piauí e de toda a região dos Inhamuns, serão apresentadas pelo promotor cultural Fernando Elpídio, idealizador do Encontro Nacional da Sanfona. E, marcando a contagem regressiva para o grande evento, os sanfoneiros crateuenses Edilson Vieira e Bento Raimundo apresentarão músicas compostas especialmente para as festividades do Centenário. Fechando as atividades do dia, acontece a 7ª edição do Projeto Arte na Praça, o maior mix cultural da região, promovido pela Prefeitura de Crateús, que vem contando com grande presença de público e enriquecendo o calendário cultural da região dos sertões de Crateús e Inhamuns.

O evento "Sanfona, Música do Mundo" será um grande encontro de músicos, ouvintes e admiradores de um dos mais belos, populares e complexos instrumentos musicais. De 12 a 15 de novembro, este Município cearense de marcantes referenciais históricos abrirá espaço para grandes nomes da música do Ceará e do Brasil, valorizando a tradição, a cultura e a arte e estimulando o turismo regional. Contará com apresentações musicais, oficinas e palestras, sempre visando à promoção de novos talentos.

Astros
Além disso, consagrados instrumentistas locais, estaduais e nacionais realizarão shows no evento, que marca a comemoração do Centenário do Município. Estão previstos, segundo a Secretaria, as presenças de Elba Ramalho, Ítalo e Renno, Renato Borghetti, Waldonys, As Bastianas, Orquestra Sanfônica do Ceará e Kbra da Peste.

Dentro das atrações locais se destacam os sanfoneiros Bento Raimundo e Edílson Vieira, crateuenses apaixonados pela sanfona desde a juventude. Músicos conhecidos na região e em outros Estados do País farão apresentações e funcionarão como uma espécie de "anfitriões" das atrações nacionais. Esperam que o Encontro marque a história cultural da cidade e dos artistas. "É um momento ímpar para a cidade, região e para nós, artistas, que há tantos anos estamos na luta para viver da música e conservar este instrumento maravilhoso, que é a sanfona", afirma Edilson Vieira.

Para ele, que se prepara para gravar o segundo CD no início de 2012, o Encontro será favorável para os artistas. "É uma oportunidade de mostrarmos o nosso trabalho para o País, será como uma vitrine", diz o sanfoneiro que tem mais de 50 músicas e já fez turnê em grandes centros, como São Paulo, Rio de Janeiro e Roraima. Orgulha-se de nunca ter saído da sua terra natal, sustentar a família com as suas apresentações e shows. Um de seus maiores sucessos é a música "Crateús é meu lugar".

Bento Raimundo afirma que o evento resgata uma vocação do Município. "Crateús é um celeiro de sanfoneiros, tínhamos grandes festivais aqui há algumas décadas e ao longo do tempo não ocorreram mais, então esse Encontro resgatará e dará oportunidade aos artistas", analisa. Ele, inclusive, será o professor da Escola de Formação de Sanfoneiros, que começará a funcionar ainda neste mês com o objetivo de descobrir e formar jovens sanfoneiros.

Escolas públicas
A programação comemorativa inicia no dia primeiro de novembro, por meio de apresentações artísticas e culturais com a participação de estudantes da rede municipal e jovens assistidos pelos projetos sociais, mobilizados pela "Caravana do Selo Unicef".

Daí em diante serão realizadas inúmeras atividades festivas e culturais, até o dia 15 de novembro, data oficial do Centenário, quando a cidade acordará em festa, para atrair grande parte da população.

Elevação
1911 Foi o ano de elevação da vila à cidade de Crateús, no dia 14 de agosto, por meio do decreto, fato ocorrido no dia 14 de agosto e oficializado em 15 de novembro do mesmo ano

MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Cultura e Turismo
de Crateús/Prefeitura Municipal - (88) 3691.0249
Nova Letra - (85) 9987.7599

HISTÓRIA
Cidade cresceu no entorno da Igreja
Escritores de Crateús são autores de livros históricos com as principais datas comemorativas
Crateús. "Como em qualquer cidade, aqui não é diferente. Para se dizer alguma coisa sobre Crateús de ontem, temos a obrigação de mencionar e reverenciar a Igreja Matriz, que faz parte diretamente da história desta terra. Templo que por milhões de vezes acolheu seus fiéis paroquianos desde os idos pré-históricos da cidade, quando já em 1769 existia como capela. Depois, em 1832, transformada em Matriz da Paróquia Senhor do Bonfim e Catedral desde 1964", destaca o escritor Flávio Machado e Silva, no livro "Crateús, Lembranças que aquecem o coração".

A história registra que o fato inusitado que marca o surgimento deste Município ocorreu em 1792, quando a imagem de Senhor do Bonfim foi trazida por escravos. "Fontes não escritas falam que a imagem do Senhor do Bonfim veio em costas de escravos, dentro de uma rede, de Salvador (BA) a Crateús, sob os cuidados de Luiza Coelho da Rocha Passos. A imagem foi esculpida em cedro, por artista europeu", relata o livreto Guia Paroquial, de 2009.

Antes, porém, desse episódio singular que marca a chegada da imagem de Senhor do Bonfim, cuja devoção já havia iniciado na Bahia em 1745, a Fazenda Piranhas já era realidade.

De acordo com o livro História de Crateús, de Maria Ivane Sales, Aurineide Martins e Sônia Maria Sales, foi em torno da pequena capela, hoje Catedral, construída em taipa às margens do Rio Poti, na Fazenda Piranhas, em 1769, que nasceu o povoado, que depois se chamaria Crateús.

Anteriormente, ainda na Fazenda Piranhas, registros históricos contam a chegada do precursor Domingos Jorge Velho, iniciando o povoamento. "A tribo dos índios karetiús aqui vivia, até que chega Domingos Jorge Velho, bandeirante paulista que procurava lugares onde moravam os índios para fundar e povoar com pessoas que andavam com ele", conta o livro História de Crateús. A obra relata ainda que "passados muitos anos, em 1721, quando os índios já não viviam mais aqui, as terras foram arrematadas por Dom Ávila Pereira".

A Fazenda Piranhas cresceu e, posteriormente, em 6 de julho de 1832, tornou-se a Vila Príncipe Imperial. A Vila chegou a pertencer ao Piauí e no ano de 1880, este foi anexado ao território do Ceará, como resultado da solução encontrada para o litígio territorial entre os dois Estados. O Ceará reconheceu a jurisdição do Piauí sobre o Município de Amarração (atual Luís Correia) e em troca o Piauí ofereceu dois importantes Municípios piauenses: Independência e Príncipe Imperial.

"Pela lei nº 3.020 de 22/10/1880, as terras que hoje formam o nosso Município e que, até aquela data pertenciam ao Piauí, passaram a fazer parte do Ceará, trocadas que foram pelas terras onde se situa o antigo Porto de Amarração", registra páginas do livro "História de Crateús".

Por meio do decreto, a vila foi elevada a cidade, fato ocorrido em 14 de agosto de 1911 e oficializado em 15 de novembro do mesmo ano. Nessa época, foi escolhido o nome Crateús. De origem indígena, na linguagem dos tupis é assim definido: cará, que quer dizer batata e teú, lagarto. Na linguagem dos índios tapuios, kraté quer dizer lugar seco ou lugar muito seco.

Com a elevação a cidade e a proximidade com o Estado do Piauí, o desenvolvimento foi chegando. O grande marco dessa época foi o estabelecimento de um novo tipo de transporte, o ferroviário.

Chegada do trem
Além da vocação agropecuária, que desde os primórdios do Município é decisiva na propulsão da economia, a chegada do trem é destacada como fator definidor de progresso, movimentação financeira e gerador de negócios com pessoas de outros centros. Crateús atraiu olhares do Estado.

"Graças à exportação de gado, boa produção e a ligação ferroviária que nos alcançou em 1912, nossa terra tornou-se alvo de admiração e do interesse das pessoas de diversas localidades do nosso Estado, notadamente dos Municípios de Sobral, Ipu, Independência e Tamboril, e de Estados vizinhos", conta o historiador Norberto Ferreira Filho, em destaque no livro "Coletânea".

Silvania Claudino
Repórter

Fonte: Diário do Nordeste

sábado, 1 de outubro de 2011

Que tal Fortaleza ganhar um grande álbum de família?

Acervos fotográficos de famílias fortalezenses irão ilustrar livro sobre a história da Cidade entre os anos 1950 e 2010

A família Lonngren Sampaio foi uma das primeiras a mandar suas fotos (ACERVO PESSOAL)

A editora Terra da Luz recebe até o próximo dia 10 fotografias de acervos pessoais para ilustrar o livro Viva Fortaleza – 1950-2010, que contará 60 anos de história da capital cearense a partir de instantâneos cotidianos do passado. Quem contribuir com a cessão das imagens irá receber como contrapartida todos os originais digitalizados (caso ainda não estejam) e um exemplar do livro, a ser lançado no dia 24 de novembro, no Dragão do Mar.

Fotógrafos profissionais, aos pares com textos de escritores, jornalistas e intelectuais cearenses, também assinam no livro ensaios sobre a Cidade, que terá passado e presente ladeado em suas páginas. Entre os escritores, Fausto Nilo, Lira Neto, Demitri Túlio, Izabel Gurgel, Oswald Barroso e Regis Lopes. Os textos serão acompanhados com fotos de Maurício Albano, Lia de Paula, Alex Costa, Gentil Barreira, Fábio Lima, entre outros.

“Em 2006, fizemos um trabalho sobre a história de Fortaleza de 1890 a 1950 (A Fortaleza). Esse novo projeto vem complementar essa trajetória da Cidade. No primeiro, nós fizemos um levantamento do acervo do Nirez e alguns contatos com acervos familiares, mas como muitas pessoas ficaram falando que tinham fotos, na casa da avô, da mãe, resolvemos fazer essa chamada para a população colaborar”, explica a editora Patrícia Veloso.

Na ocasião de publicação do livro, também será aberta uma exposição com originais, reproduções e projeções das fotografias pessoais cedidas, além das imagens feitas pelos fotógrafos convidados. Objetos de época também farão parte da exposição, que ficará em cartaz até fevereiro.

“Nessa exposição, vamos ter por exemplo imagens aéreas de Fortaleza nos anos 70 sobrepostas com vistas atuais. É uma mudança profunda.”, adianta Patrícia. “Tem foto também das pessoas no Náutico, no Passeio Público, na Beira Mar ainda na década de 1950 e 1960, tem umas fotos aéreas do Romcy, um seleção interessante de uma família visitando os arredores do Palácio do Plácido, onde hoje é a Ceart”.

Aos interessados em contribuir, fotografias originais e cartões-postais enviados, selecionados ou não, serão posteriormente devolvidos. Fotografias impressas podem ser entregues no escritório da editora e as imagens digitalizadas encaminhadas para o e-mail terradaluzeditorial@gmail.com. No ato da entrega, o participante assina um termo para oficializar o uso das imagens. Para informações sobre o envio das fotografias, consulte o endereço www.terradaluzeditorial.com.br/vivafortaleza.

SERVIÇO

VIVA FORTALEZA
1950-2010

O quê: Livro que será ilustrado com fotos enviadas pela população
Quando: Até o dia 10 de outubro.
Onde: Editora Terra da Luz (rua Afonso Celso, 577 - Aldeota)
Outras informações: 3261 0525 e 8878 7021 ou
www.terradaluzeditorial.com.br/vivafortaleza

Saiba mais

O blog fortalezas.tumblr.com, mantido por Salomão Santana, reúne registros os mais diversos do passado da Cidade, com destaque para as fotos de acervos pessoais. De vídeos do João Inácio Jr. Show a uma fotografia das vendedoras da Mesbla em 1986, está tudo lá.

Pedro Rocha
pedrorocha@opovo.com.br

Fonte: O Povo 

Do Blog: Projeto parecido com o Acaraú pra recordar  de Totó Rios

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Mito do herói jangadeiro

Sociedade Cearense Libertadora, fundada após a greve de 1881. O Dragão do Mar é o segundo, de pé, da direita para esquerda
Há exatos 130 anos, acontecia a Greve dos Jangadeiros, movimento que antecipou em quatro anos a abolição dos escravos no País. Uma história de lutas e mitos até hoje devassada por historiadores
Em 30 de agosto de 1881, há precisos 130 anos, era deflagrada a Greve dos Jangadeiros, liderada pelo pescador Francisco José do Nascimento, então conhecido como Chico da Matilde. O jangadeiro de Aracati, alcunhado de Dragão do Mar, foi um dos responsáveis pela mitificação em torno do pioneirismo do processo abolicionista cearense que, até hoje, divide opinião de pesquisadores.

Desde então, muita literatura vem sendo produzida em torno de o movimento que fez do Ceará a primeira província da República Velha a abolir a escravidão. Para recordar esse momento histórico, o Caderno 3 conversou com o professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Gleudson Passos, doutor em História Social, e responsável pela pesquisa biográfica da vida do Dragão do Mar, para o Memorial da Cultura Cearense.

"Em 25 de março de 1884, o Ceará se torna a primeira província a abolir seus escravos e Chico da Matilde será bastante atuante no movimento abolicionista local. Mas é válido ressaltar que aqui tínhamos poucos cativos. Grande parte eram trabalhadores urbanos, negros de ganho. Na verdade, grande parte da mão de obra explorada, naquele momento, era de descendentes indígenas que trabalhavam nas lavouras de algodão, nas atividades agropecuaristas desde o ciclo do gado, no século XVIII, já frutos de mestiçagem. Essa é uma das controvérsias: movimento abolicionista forte, sim, mas para libertar quem? Pouquíssimos escravos. Começa por aí".

Segunda greve
Mas, o que, de fato, teria representado a greve dos jangadeiros? Quais suas narrativas? E os mitos gerados em torno dela? Qual a participação de Chico da Matilde entre tantas comunidades pesqueiras existentes no litoral cearense que lutavam, e lutam, para defender seus direitos? As respostas são muitas e, nem sempre, coadunam com os registros que estão nos livros de história.

"Um dos fatos importantes é que o Francisco Nascimento não foi o primeiro jangadeiro a tomar iniciativa da greve aqui. No final de janeiro de 1881, o José Napoleão havia encabeçado uma greve de três dias que paralisou o Porto de Fortaleza. Infelizmente, ele é pouco falado, pouco mencionado na historiografia cearense. Ele (José Napoleão), enquanto trabalhador do mar, e negro liberto, não era integrado ao Movimento Abolicionista, mas fez uma greve que envolveu catraieiros, condutores de pequenas navegações, jangadeiros, para ninguém fazer o deslocamento de escravos", destaca o professor.

Mito do herói jangadeiro
Para justificar o lapso histórico e a criação do mito, o pesquisador Gleudson Passos explica que, somente após participar do Congresso Abolicionista no Maranguape, Chico da Matilde, sensibilizado com a causa, adere ao movimento. "Ele era segundo prático, função que cabia conduzir navios de alto mar até a ancoragem, para não ter perigo de encalhar. O movimento abolicionista local precisava de um herói do povo para poder enaltecer o movimento. Pegou o Chico da Matilde, começou a incorporá-lo à luta, e a participação dele acabou oxigenando o movimento abolicionista local. Poucos meses depois, foi feito um traslado do Ceará ao Rio de Janeiro, em um navio negreiro chamado ´Espírito Santo´, que foi puxando uma jangada batizada de ´Liberdade´, e com o Chico da Matilde junto a ela".

Com tamanho apelo, e recebido pelo movimento abolicionista que fervilhava na Capital do Império, Francisco foi ovacionado pela corte, imprensa, intelectuais. E é nesse contexto social e político que o escritor Aluísio de Azevedo cunha o epíteto de Dragão do Mar para rebatizar Chico da Matilde, dando origem, a partir daí, ao famoso "mito do herói jangadeiro".

"É importante dessacralizar os mitos, não reforçar mais a ideia de heróis, mas entender a sociedade da época. Os reais interesses que existiram dentro do Movimento Abolicionista que, depois, irão favorecer comerciantes locais ligados aos ingleses, que se beneficiarão com a mudança da Monarquia para a República e irão compor a oligarquia aciolina. Outra questão é entender o Dragão do Mar e os trabalhadores da época, que encamparam não só a segunda greve, mas, também, a primeira (greve). Era a expressão de trabalhadores do mar que não aceitavam mais a exploração dispensada aos escravos e a eles. Há, depois disso, uma série de outros movimentos que vão ocorrer. Muitos comerciantes portugueses viviam disso, então, não é 100% que não houve mais tráfico de escravos por aqui. Aquela coisa: os cativeiros foram abolidos, mas os cativos, não. A província cearense aboliu seus cativos sem nenhum plano, sem nenhum projeto de inserção na vida social e econômica do País. Eles ficaram totalmente alheios à cidadania".

Depois das luzes apagadas
Mas, e o que acontece depois que a província do Ceará liberta seus cativos? Como ficam os poucos ex-escravos daqui? E os comerciantes que resistiram à causa? Para onde foi nosso destemido caboclo do mar? Infelizmente, como quase todos os mártires que simbolizam uma causa, o Dragão do Mar morreu em 1914, aqui em Fortaleza, pobre, esquecido e sem glórias.

"O campo da História Social tem feito pesquisas a respeito das relações de exploração, da realidade da escravidão no Ceará. Esse mito de dizer que o Ceará é a Terra da Luz, que todos os escravos foram libertos e viveram felizes para sempre, isso não existiu. A gente sabe que a exploração do trabalho escravo aqui foi relativamente expressiva nas serras, nos cafezais de Baturité, Maranguape, aqui em Fortaleza, a documentação da época mostra isso. Porque o processo colonizador aqui se deu basicamente na pecuária, atividade que não demandava tantos escravos. Se fosse a cana-de-açúcar, talvez".

E finaliza. "Manuseando documentação da época, não vemos a participação de Francisco Nascimento e, até mesmo, do movimento abolicionista local, no cerne da abolição de 1888. O Movimento Abolicionista Cearense, após 1884, fica na trincheira da imprensa local, mostrando que o Ceará é mais adiantado que as províncias do sul e do norte, essas coisas. Mas o Chico da Matilde é praticamente ofuscado. Nos artigos produzidos sobre o Movimento Abolicionista local, em 97% dos casos, só as elites que participaram são contempladas. O Dragão do Mar, praticamente, só vai ser resgatado a partir das décadas de 30, de 40, e, ainda, sobre uma série de debates se ele seria herói ou não", conta.

NATERCIA ROCHAREPÓRTER

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Resistência popular e abolição

Estátua do pescador Dragão do Mar: símbolo dos ideais abolicionistas no Ceará é tema de debate, que reunirá estudiosos de sua conversão em herói local
VIVIANE PINHEIRO

Movimento de pescadores do século XIX, protagonizado por Chico da Matilde, o Dragão do Mar é tema de debate, na reitoria da Uece

Às vésperas de completar 130 anos da famosa greve dos jangadeiros no Ceará, ocorrida em 30 de agosto de 1881, fato que fez o movimento abolicionista do Ceará entrar para a história com ares de vanguarda, os professores do curso de Mestrado Acadêmico em História (MAHIS), juntamente com profissionais do curso de História da Universidade Estadual do Ceará (Uece), e convidados, realizam mesa redonda para debater o assunto.

Com o tema "Greve dos Jangadeiros: História, Mito e Memória", três pesquisadores, Gleudson Passos, Hilário Ferreira e Patrícia Xavier, trazem à tona o período que destacou a figura de Francisco José do Nascimento, também conhecido como "Chico da Matilde", como ícone da emancipação dos cativos da antiga província do Ceará, dentro do contexto brasileiro do final do século XIX, no fim do Império. O bravo empenho de bloquear o Porto de Fortaleza, impedindo o tráfico de escravos, rendeu ao jangadeiro de Aracati o cognome de "Dragão do Mar".

Na abertura do encontro, que acontece hoje, 29, às 18h30, no auditório Paulo Petrola, na Reitoria da UECE, o grupo de dança da Comunidade Quilombola, de Alto Alegre, faz apresentação de Maculelê e, após a mesa redonda, a professora Raquel Xavier relança o livro "Dragão do Mar: a construção do herói jangadeiro", publicado pela Coleção Outras Histórias, do Museu do Ceará, em março deste ano.

"Vamos discutir o Ceará enquanto vanguarda, analisar os jangadeiros cearenses como heróis da abolição. Uma narrativa que foi construída pelas elites abolicionistas, que tinham interesses pontuais com o comércio da Inglaterra, como, por exemplo, os irmãos Amaral, que eram comerciantes, e o jornalista João Cordeiro que, além de comerciante, era editor do jornal "O Libertador", diz o organizador do encontro, Gleudson Passos.

Pioneirismo
Em 1884, o Ceará entrou para a história como a primeira província brasileira a abolir a escravidão, quatro anos antes do 13 de maio de 1888, data da abolição brasileira. Esse acontecimento, iniciado com o Movimento Abolicionista Cearense, de 1879, teve como ponto de partida a greve dos jangadeiros deflagrada em 1881. O movimento visava impedir o transporte de escravos nas jangadas para os navios negreiros.

"Também vamos debater a realidade após a escravidão, porque, na verdade, os escravos não tiveram nenhuma condição de adaptação à nova realidade. É fundamental que os cearenses tenham conhecimento da real história dessa greve que, na verdade, não foi a primeira, mas a segunda greve", destaca o professor Passos.

Mais informações
Mesa-redonda - "Greve dos Jangadeiros: História, mito e memória". Às 18h30, no Auditório Paulo Petrola, na Reitoria da Universidade Estadual do Ceará - Uece (Avenida Dedé Brasil, 1700, Itaperi). Contato: (85) 3101.9610

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Colégio Imaculada Conceição comemora 146 anos

Foto: Reprodução
Fundado em 15 de agosto de 1865, o Colégio da Imaculada Conceição, pertencente à Rede Vicentina de Educação, completou ontem 146 anos. O espaço voltado para atividades na área educacional e na formação humana e cidadã de crianças e jovens foi um dos primeiros a serem fundados na Capital com esses objetivos.

Localizada, hoje, na Avenida Santos Dumont, no Centro de Fortaleza, a instituição de ensino faz parte da história da cidade e da sociedade cearense, tanto no que diz respeito à educação e à transmissão de valores aos seus alunos quanto na contribuição para o resgate e para a construção da memória da cidade seja por meio da sua exuberante arquitetura seja pela sua própria história.

No início, o local recebia apenas meninas que tinham a oportunidade de serem educadas e de aprenderem diversas funções consideradas importantes. A ideia da instituição naquela época era oferecer uma educação formal para a realização pessoal e familiar de suas alunas.

Hoje, o colégio tem como algumas de suas principais missões realizar uma educação integrada, pautada nas vivências pessoais e coletivas.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Cruz delimitava propriedade do Padim

No ano do Centenário de Juazeiro do Norte, várias descobertas relacionadas ao Padre Cícero foram feitas



Fernando Arrais Maia, proprietário da cruz de bronze que delimitava as terras do Padre Cícero, no Município de Missão Velha. Ele mostra o objeto que mede quase meio metro
ANTÔNIO VICELMO
Missão Velha. O Centenário de Juazeiro do Norte suscitou uma série de pesquisas que resultou na descoberta de alguns objetos e documentos que fizeram parte da vida do Padre Cícero. No Sítio Lameiro, situado no Município de Missão Velha, foi localizada uma cruz de bronze que era utilizada como marco de uma das propriedades rurais dele. Na cruz, que mede quase meio metro e pesa dois quilos, está esculpida a seguinte mensagem: "Glória ao Pai, que nos criou. Glória ao filho, que nos remiu. Glória ao Espírito Santo, que nos santifica. Amém".

No verso, a indicação mística: "Viva Jesus, Maria e José. Marco do Padre Cícero Romão Baptista do sítio Lameiro de Missão Velha, 1909".

Proprietário
O marco pertence ao agropecuarista Fernando Arrais Maia, que recebeu de presente do seu tio, Luiz Maia, proprietário do terreno que pertenceu ao Padre Cícero. Para Fernando, o objeto é mais do que uma lembrança familiar. É uma peça valiosa que faz parte da história de um Padre que foi eleito "Cearense do Século", em razão de sua liderança política e religiosa em todo o Nordeste.

Para o historiador Daniel Walker, o marco não é o único encontrado na região. Existem outros marcos de madeira com os quais o sacerdote delimitava suas propriedades.

A novidade é que este, em forma de cruz, traz duas mensagens. O marco em questão já foi apresentado ao secretário de Cultura e Turismo de Juazeiro do Norte, José Carlos dos Santos, que está tentando adquiri-lo. A aquisição está na dependência de comprovação da autenticidade da peça.

Autêntico
De acordo com informações de José Carlos, existe um forte indício de que o objeto é autêntico. O professor Renato Casemiro já comprovou, com documentos, que o terreno onde foi encontrado o marco pertencia realmente ao Padre Cícero.

O secretário lembra outro marco importante que foi localizado na Estação Ferroviária de Juazeiro do Norte que, além de assinalar a inauguração da chegado do trem no Cariri, tem o nome do Padre Cícero como prefeito de Juazeiro.

Proprietário de terras, gado e dono de diversos imóveis no Estado do Ceará e em outros Estados do Nordeste, o Padre Cícero costumava delimitar e acompanhar a administração de suas propriedades. O livro "Cartas do Padre Cícero", de autoria do padre Antenor de Andrade e Silva, publica várias cartas do patriarca de Juazeiro do Norte falando nos marcos de suas fazendas.

MAIS INFORMAÇÕES
Fernando Arrais Maia
Município de Missão Velha
Região do Cariri
Telefone: (88) 9969.5944


Antônio Vicelmo 
Repórter

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Museu Histórico e Memorial da Liberdade ganha catálogo


O exemplar proporcionará a apresentação de vários objetos que perderam sua função de uso para ganhar o valor de documento.

Por: Roberta Farias

O lançamento do catálogo do Museu Histórico e Memorial da Liberdade, em Redenção, intitulado “Africania e Cearensidade”, aconteceu na sede da Secretaria de Cultura do município. A edição do catálogo teve o apoio da Associação dos Municípios do Maciço de Baturité (AMAB), uma realização do Instituto Olhar Aprendiz e patrocínio do Governo do Estado do Ceará.

O objetivo da obra não é o de simplesmente cumprir uma formalidade imposta por lei (Lei Federal nº 11.904, de 14 de janeiro de 2009 – que diz respeito às diretrizes do Estatuto dos Museus). A ideia é mostrar a diversidade de peças sob a guarda do Museu, integrando a diversidade museológica do Ceará, ainda pouco conhecida pelos cearenses.

Além disso, o catálogo irá proporcionar a apresentação de vários objetos que perderam sua função de uso para ganhar o valor de documento. Desta forma, a população passa a adquirir uma reflexão sobre os modos de vida de gerações antigas e atuais para, assim, fortalecer vínculos com a história do Ceará.

A solenidade contou com a presença da secretária de Cultura da cidade, Lisiê Freire, que também atuou como oradora da solenidade; a Secretária Adjunta de Cultura do Ceará, Maninha Morais; a pró-reitora de graduação da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), Jacqueline Freire; o vereador Paulo Marcelo, representando a Câmara Municipal de Redenção; a secretária de Ação Social do município, Yolanda Bezerra, representando os secretários municipais; Chiquinho Tavares, representando a AMAB; Roberto Galvão, presidente do Instituto Olhar Aprendiz e mestre em História Social; e a diretora do Centro Educacional Perboyre e Silva, Maria Helena Russo, representando as escolas do município.

Durante o encontro foi destacada a importância do Museu para a cidade, assim como a difícil luta dos líderes abolicionistas do século XVII, para se conseguir a libertação da escravatura. A prefeita Cimar abriu o seu discurso com a seguinte frase “uma cidade sem passado é uma cidade sem futuro”, cuja menção foi direcionada ao destaque histórico e cultural que Redenção possui em relação aos demais municípios brasileiros, e reforçou o pioneirismo da libertação da escravatura no Brasil.

Maninha Morais, em seu discurso, falou da importância dos avanços democráticos dos acervos para se trabalhar a cultura no Ceará. Ela disse ainda que o momento é propício para tratar a memória e identidade do povo cearense. A secretária adjunta aproveitou a oportunidade para anunciar um convite a prefeita Cimar e a secretária Lisiê Freira, para participarem do I Encontro de Gestores Municipais da Cultura, no próximo dia 1 de junho. A reunião visa uma aproximação entre as culturas de cada localidade. Ela conta que no encontro será abordado o Plano Estadual de Cultura, um projeto de autoria da Secult.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Documentário “Charqueadas” resgata a história das rotas e fábricas de carne no Ceará

"Mostrar a importância das charqueadas para o Nordeste e resgatar a rota histórica das charqueadas, por meio de depoimentos de memorialistas, historiadores, habitantes das ribeiras, vaqueiros e escritores. É com este intuito, que o projeto “Charqueadas, ensaio à história de Carnes do Ceará (século XVIII)”, financiado pela Secretaria de Cultura do Estado e patrocinado pela Coelce, foi lançado no dia 3 de maio, no Centro Cultural Oboé, em Fortaleza.

O filme percorreu a rota das boiadas da ribeira do Rio Jaguaribe, iniciando na cidade de Icó, sendo finalizado no município de Aracati (aproximadamente 330 km percorridos). Essa jornada teve como finalidade resgatar antigos hábitos da “civilização do couro”, como o processo de “salga” das oficinas de carne do Ceará do século XVIII.A Coelce investiu cerca de R$100 mil no projeto, por meio da Lei de Incentivo à Cultura (Lei nº 13.811, de 16 de agosto de 2006), do Governo do Estado, para retratar a importância da atividade na economia, formação e povoamento dos sertões cearenses.







O PROJETO

A “CHARQUEADAS”: ensaio à história das rotas e fábricas de carnes do Ceará (século XVIII) é um vídeo documentário, com 50 minutos de duração, realizado pelo pesquisador e documentarista Roberto Bomfim. O documentário traz vários depoimentos de memorialistas, historiadores, habitantes das ribeiras, tangerinos (vaqueiros) e escritores trazendo como tema de estudo o sentimento de pertença a uma atividade tão importante na economia, na formação e povoamento dos sertões cearenses. "

Fonte: Gerência de Comunicação Coelce


Do Blog: Em Acaraú a partir da metade do Século XVIII  existia a atividade das Charqueadas (fabrico de carne seca, prensada moderadamente salgada e desidratada ao sol e ao vento por tempo determinado à sua conservação.

Fonte: As Charqueadas-Valdelice Carneiro Girão

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Portal da história do ceará

Este site foi desenvolvido para suprir os estudantes e pesquisadores de fonte de informação sobre a História do Ceará. Não tem fins lucrativos ou quaisquer outros que não a divulgação de informações importantes para cientistas sociais, pesquisadores e estudantes.Instituições e arquivistas colaboraram com a cessão de materiais para a sua disponibilização a todos. Através do resgate de fatos, fotos, documentos e biografias dos homens que compuseram a História do Ceará, o internauta será capaz de melhor avaliar o conceito cearensidade.Temos à  sua disposição vários conteúdos, como descritos abaixo:  

Livros Raros - É uma coleção de livros raros do começo do século passado que tratam do Ceará sob aspecto fotográfico.  

Fortaleza Antiga - É um trabalho desenvolvido pelo Arquivista Nirez (Miguel Ângelo de Azevedo) que permitiu a divulgacao de fatos e comentários seus publicados na obra - Fortaleza Ontem e Hoje.  

Fatos Históricos - É um trabalho de coletânea de dados históricos oriundo de várias obras, tendo como principais fontes: Cronologia Ilustrada de FORTALEZA Roteiro para um turismo histórico e culturalRevistas do Instituto do Ceará - que contempla um total de mais de 30.000 fatos da História do Ceará (sempre crescente), onde há a possibildiade de se pesquisar por data ou por verbete um determinado fato da história. , Autor: Nirez, e artigos da  

Cearenses Ilustres - É uma coletânea de várias obras que contemplam biografias de cearenses, permitindo o acesso por Nome (de família ou de Guerra), bem como sobrenomes de famílias. Há catalogadas, cerca de 2.500 biografias de cearenses. 

Instituto do Ceará - É o site do Instituto Histórico, Geográfico e Antropológico, instituição secular cearense, guardião da História e dos Homens de História. Neste menu você encontrará centenas de livros e artigos publicados pelos seus sócios fundadores e membros atuais, num total de 3200 artigos, 60.000 páginas de história. 

Academia Cearense de Letras - É o site OFICIAL da ACL, outra instituição secular cearense, primeira Academia de Letras no Brasil. 

Neste site você encontrará a história da ACL, dos seus patronos e fundadores, bem como os acadêmicos atuais. 

Manuscritos Históricos - Nesta alça o consulente encontra dezenas de milhares de MANUSCRITOS do Ceará Colonial e Provincial (Séculos XVII a XIX) representativos das Câmaras Municipais de vários municípios cearenses. Sinta-se à vontade para comentar, criticar ou elogiar. E você também pode participar deste site mandando matérias (livros, fotos, artigos) de sua autoria, sobre logradouros (praças, bairros, Igrejas, prédios ou curiosidades) de Fortaleza e de outas cidades do Ceará.

Bom proveito - este site foi feito de coraçao para você.Gildácio Sá - webmaster

segunda-feira, 18 de abril de 2011

História das charqueadas

Uma das principais rotas do charque no Ceará está registrada em imagens feitas por pesquisadores no interior

FILMAGENS Do documentário na Fazenda Castanhão, em Nova Jaguaribara. Equipe vivenciou enredo
FOTOS: DIVULGAÇÃO
Fortaleza "Rapaz, bote um cavalo aqui agora que eu corro atrás de boi. Ontem mesmo sonhei que selava um cavalo pra ir atrás de um". Os quase 100 anos e as sequelas de uma vida de agruras não arrefeceram em Zé das Araras o gosto pela vida de correr atrás de boi. O vaqueiro de Nova Jaguaribara perdeu parte de um dedo e o movimento de outro, mas ainda sonha com caatingas e reses ariscas. Este e outros depoimentos fazem parte do documentário "Charqueadas", que será lançado no próximo dia 3 de maio, no Centro Cultural Oboé, em Fortaleza.

O início das filmagens foi tema de matéria exclusiva do Caderno Regional, no dia 16 de janeiro. Agora a equipe está finalizando a edição do material, que retrata uma das principais rotas do charque do Ceará, seguindo o curso dos rios Salgado e Jaguaribe. O diretor do documentário, Roberto Bomfim, optou por vivenciar "na pele" o cotidiano dos vaqueiros, fazendo partes da travessia a cavalo. "Em alguns momentos, por conta das condições das estradas e passagens molhadas, nós que íamos a cavalo conseguíamos chegar primeiro que os carros", recorda o diretor.

Declínio
A ideia original era que o documentário também tivesse cenas em Pelotas (RS). Foi para lá que o charqueador português José Pinto Martins, inicialmente instalado em Aracati, se mudou para fugir da grande seca de 1777. Pinto Martins levou a técnica da salga da carne para aquela região. As variações climáticas e a concorrência com o produto do Sul provocaram o declínio da primeira atividade econômica cearense.

"Se conseguirmos verba para lançar o documentário na Europa, vamos nos deslocar para Pelotas e fazer uma segunda versão do documentário. Acho muito importante incluir Pelotas, não apenas para mostrar como foi o declínio da charqueada no Ceará, mas também mostrar as similitudes entre o gaúcho e o nosso vaqueiro. Pessoas muito ligadas à terra, bairristas, valentes, enfrentando condições extremas", afirma Roberto Bomfim.

Aos depoimentos de historiadores e memorialistas, que fazem um balanço do impacto da pecuária extensiva e das oficinas de charque para a ocupação do interior cearense, somam-se as recordações e vivências de vaqueiros, ribeirinhos, comerciantes e fazendeiros no caminho entre Icó e Aracati. Pessoas que testemunham um mundo em plena transformação com a tecnologia e as "modas" da juventude. Roberto Bomfim diz que muitos lamentam o fato de os filhos e netos não seguirem a atividade, que aos poucos está se perdendo.

A equipe ainda está procurando apoios para fazer o lançamento do documentário nas cidades por onde a expedição passou, como forma de agradecer toda a disponibilidade que encontraram pelo caminho. "O que mais me marcou foi a pureza e a simplicidade desse povo. Depois de fazer esse documentário, eu me sinto mais cearense do que nunca. São pessoas que abrem as portas das suas casas, nos ajudaram em tudo que fosse possível. Nunca vou me esquecer do tambaqui de cinco quilos que o seu Luís, fazendeiro que vive a 25km de Icó, mandou fazer cozido no leite. Gostaria que todo cearense se dispusesse a fazer uma aventura", finaliza.

Hipótese
A charqueada foi o primeira atividade econômica de relevo no Ceará. Não existe um consenso sobre quem teria trazido a técnica da charqueada ou se ela foi desenvolvida na própria capitania. O pesquisador Geraldo Nobre, no livro "As Oficinas das Carnes do Ceará" (1977), levanta a hipótese de a charqueada ter sido trazida pelos descendentes do holandês Joris Garstman, que comandava o forte dos Reis Magos (RN).

Eles teriam ocupado a ribeira do Jaguaribe e de lá espalhado a técnica. O fato é que as oficinas aqui encontraram um ambiente propício. O vento constante, a baixa umidade do ar e o acesso a fontes salinas permitiam a boa secagem do produto.

Os portos eram privilegiados pela proximidade dos pontos consumidores. Com o declínio da carne do Ceará por conta das secas e da concorrência com o charque do Sul, deu-se início ao ciclo do algodão.

MAIS INFORMAÇÕES
Lançamento do documentário "Charqueadas", Dia 3 de maio, às 19h30, Centro Cultural Oboé (Rua Maria Tomásia, 531, Aldeota - Fortaleza)

Karoline Viana
Repórter

Fonte: Diário do Nordeste 

Do Blog: Em Acaraú a partir da metade do Século XVIII  existia a atividade das Charqueadas (fabrico de carne seca, prensada moderadamente salgada e desidratada ao sol e ao vento por tempo determinado à sua conservação.

Fonte: As Charqueadas-Valdelice Carneiro Girão