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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Farmácia Oswaldo Cruz-Adiada a decisão sobre tombamento

Parecer sobre a farmácia deve sair no próximo dia 3 de janeiro; análise técnica vai avaliar pedido de preservação

Farmácia Oswaldo Cruz - Foto: Lana Bleicher

O futuro da tradicional Farmácia Oswaldo Cruz ainda é incerto. Somente na próxima reunião do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Histórico e Cultural (Comphic), no dia 3 de janeiro, que os cearenses irão saber qual parecer será dado sobre o pedido de tombamento feito pelo jornalista e historiador Miguel Ângelo de Azevedo, mais conhecido como Nirez.

Uma análise técnica irá avaliar se o pedido de Nirez tem procedência e o que deverá ser incluído no tombamento, se somente a fachada e a volumetria ou também a parte interna. Apesar do parecer do Comphic não ter sido divulgado ontem, como estava previsto, o debate na reunião se deu em torno dos bens integrados ao prédio e da possibilidade de continuidade da farmácia após o tombamento.

Para Nirez, a importância da Farmácia Oswaldo Cruz para Fortaleza é bem maior do que o prédio que ela ocupa, por isso o pedido de tombamento inclui o prédio juntamente com a parte interna do imóvel.

O historiador afirma que a Capital é uma cidade sem memória. "Fortaleza é uma cidade nova, então, tudo que ainda tem do século XX que possa ser preservado deverá ser", acredita.

Marcelo Mota, advogado das três proprietárias do prédio, garante que não existe intenção de desvirtuar a harmonia arquitetô-nica do imóvel. "Por uma questão comercial, os locatários buscam, através de um pedido de tombamento, se perpetuar no imóvel", acusa Mota.

O advogado avisa que o pedido de impugnação do tombamento será mantido até o fim. "As proprietárias são pessoas que dependem do fruto do aluguel para sobreviver", afirma.

Mário Pragmácio, advogado da farmácia, diz que o que motivou a solicitação de tombamento foi o fato das proprietárias terem entrado com pedido de despejo, solicitando que os funcionários saíssem. Ele defende que o bem deve ser preservado não apenas pelo seu valor material, mas também imaterial.

Clélia Monasterio, coordenadora do Patrimônio Histórico-Cultural da Secultfor, informa que, se o tombamento incluir a parte interna, as proprietárias ficarão limitadas ao uso adequado como uma farmácia, o que considera a decisão ideal.

Clélia Monastério, da Secultfor, fala sobre tombamento da Farmácia Oswaldo Cruz



Fonte: Diário do Nordeste

domingo, 23 de outubro de 2011

Centro histórico de Sobral será revitalizado


A riqueza arquitetônica do centro histórico da cidade de Sobral, formado por prédios que contam a formação daquele município e região, ficará mais visível. O Governo do Estado, por meio da Secretaria da Infraestrutura (Seinfra), assinará neste domingo (23), às 18 horas, naquele município, a ordem de serviço para a execução para a internalização subterrânea da rede elétrica. As obras são parceria entre a Seinfra, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e prefeitura de Sobral. O evento contará com a presença do governador Cid Gomes, do secretário adjunto da Seinfra, Otacílio Borges, além de demais autoridades.

A empresa Tecnocon Tecnologia em Construções LTDA, vencedora da licitação, realizará as  obras civis de internalização (dutos e caixas subterrâneas, além dos postes ornamentais) da rede elétrica por  R$ 3.569,767,34, valor R$ 1,3 milhão abaixo do inicialmente previsto no edital de licitação. As obras serão concluídas até o final de agosto do ano que vem.  A Coelce, em parceira com o Governo do Estado, realizará a implantação de todos os cabos elétricos.

O projeto faz parte do Programa Monumenta - Cidades Históricas, desenvolvido pelo Iphan em parceria com o Estado e município. Além da rede elétrica, serão realizadas outras licitações para a internalização das redes telefônica e de dados, com investimentos estimados em R$ 12,5 milhões, sendo mais da metade capitaneados pelo Instituto. As ações para tornar mais belo o sítio histórico de Sobral compreendem o polígino entre as ruas Ce. Monte Alverne, Maestro José, Jornalista Deolindo Barreto, João do Monte, Domingos Olímpio, Ernesto Deocleciano, Carlos Luzimar Coelho, Joaquim Ribeiro, Tabelião Afonso Cavacante, Cel. José Sabóia, Menino Deus, Frederico Ozanan, Carlito Pompeu, SDO 007 e Cordeiro de Andrade.

Serviço: A ordem de serviço para internalização da rede elétrica do sítio histórico de Sobral acontece neste domingo, dia 23 de outubro, a partir das 18 horas, em Sobral.

Saiba mais:
- A área pública beneficiada é de cerca de 27 hectares tombados pelo patrimônio Histórico Nacional onde estão instalados diversos prédios que contam a história da região, como igrejas, casarões, praças, o museu o Dom José e Museu do Eclipse.

- No último dia 21de outubro, cinco empresas apresentaram propostas para internalização das redes telefônica e lógica do sítio histórico de Sobral.

Fonte: Seinfra

sábado, 22 de outubro de 2011

Iphan centraliza atendimento

Licenças e aposentadorias de funcionários do Iphan no interior comprometem serviço nos Municípios

Casarões tombados no sítio histórico de Sobral. Município reivindica escritório do Iphan mais equipado
WELLINGTON MACEDO

Sobral. Os escritórios do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em Municípios do Interior do Ceará (Sobral e Icó) e as estruturas virtuais de Viçosa, Aracati e Quixadá estão ameaçados. A notícia foi dada ao prefeito de Sobral, Clodoveu Arruda, e aos lojistas sobralenses, pelo chefe do escritório de Sobral do Iphan, Alexandre Veras.

"Estamos sofrendo um esvaziamento de nossos técnicos e a Procuradoria do Instituto, numa situação jurídica, está determinando que qualquer processo seja dirigido à nossa Superintendência em Fortaleza", revelou Alexandre, num debate com o prefeito e com empresários, na Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), anteontem à noite, quando apresentou o Projeto de Financiamento para Recuperação de Imóveis Privados.

Para Alexandre, mesmo com a concentração em Fortaleza, o atraso na liberação não é tão grande "porque se cria um registro de protocolo on line, que dá uma maior brevidade na resposta". A mesma opinião tem a superintendente regional do Iphan, Juçara Peixoto da Silva. "Não há ideia de fechamento de escritório. O que ocorre é que perdemos quatro técnicos este ano por licença e aposentadoria e tivemos que trazer estes processos para Fortaleza até para dar mais celeridade a eles. Não há nenhum prejuízo para os sítios históricos", tenta tranquilizar Juçara Peixoto.

Isso não é aceito pelos lojistas e o pelo prefeito que reagiram de pronto. "Reconheço na Superintendência do Iphan no Ceará toda uma competência institucional e inteligência técnica. É um corpo técnico, que eu sei de sua boa vontade, pois fui superintendente estadual do Instituto. Mas meu desejo é em fortalecer o escritório técnico do Iphan em nosso Município e não esvaziar", afirmou Veveu Arruda.

O prefeito destacou que "a Prefeitura, para isso, pode estabelecer parcerias que viabilize uma melhor estrutura para o Iphan aqui em Sobral. Quero juntar os recursos financeiros do Iphan com recursos humanos de Sobral para que a gente possa ter um escritório com maior estrutura para atender às demandas de nossa cidade".

Veveu Arruda até faz uma comparação: "Afinal de contas o patrimônio é tombado como nacional, mas ele está localizado no nosso Município. Eu diria, quase brincando, que antes do patrimônio ser nacional, ele é sobralense. Ele é da nossa cidade". Para o chefe do Poder Executivo de Sobral, "é nesse sentido que a gente tem um zelo muito especial por esse patrimônio e por isso quero contribuir para fortalecer as ações do Iphan aqui em Fortaleza".

Para Veveu Arruda, se o Iphan concretizar o esvaziamento dos escritórios no interior estará indo "na contramão da história. Não é inteligente centralizar em Fortaleza as ações. Conheço o atual superintendente nacional do Iphan, Luís Fernando, e espero que ele volte atrás nessa decisão", apela o prefeito sobralense.

Alexandre Veras revelou para o prefeito e para os lojistas que "é um absurdo, por exemplo, ser responsável hoje pelo patrimônio de Sobral e de Viçosa do Ceará. É grande demais". Juçara Peixoto reconhece que Alexandre está com muito trabalho, pois o técnico que estava trabalhando em Viçosa foi um dos quatro que saiu do Iphan. "Mas isso, espero que seja um problema temporário, pois o presidente Luís Fernando está ciente de nossa carência e já tem no Ministério do Planejamento e no Ministério da Cultura pedido para fazermos concurso público para contratar técnicos para suprir as nossas necessidades, até porque mais técnicos vão se aposentar e isso é fenômeno nacional, não só do Ceará".

O Iphan Ceará trabalha hoje com um corpo técnico especializado de nove pessoas. São dois chefes de escritórios técnicos (Sobral e Icó), dois arquitetos, um engenheiro, dois historiadores, um arqueólogo e um técnico em arqueologia. Tem ainda um corpo administrativo e de estagiários em Fortaleza.

"O que eu quero é fortalecer e não fragilizar o escritório de Sobral, pois sei que o Iphan tem dificuldades dentro do Ministério da Cultura com um dos menores orçamentos", ressaltou Veveu Arruda. Juçara Peixoto disse que se estiver havendo algum atraso em Sobral é só procurar a Superintendência Regional em Fortaleza. "Estamos aqui para resolver. Mesmo mandando os processos por malote, não está havendo atraso, pois aqui em Fortaleza temos uma estrutura física mais dinâmica, mesmo com este problema temporário da perda dos quatro técnicos este ano".

Novos Ares
Veveu Arruda vai oficializar a reivindicação a Juçara Peixoto, amanhã, quando ela estará em Sobral para assinatura da ordem de serviço do início das obras do Projeto Sobral Novos Ares. O projeto vai internalizar toda fiação elétrica, telefônica e lógica (Internet), no Sítio Histórico Sobralense. A solenidade está marcada para 19h, na margem esquerda do Rio Acaraú, com a presença do governador do Ceará, Cid Gomes; do chefe de gabinete do governador, Ivo Gomes; e do ministro extraordinário dos Portos, Leônidas Cristino, encerrando com show do cantor Zeca Baleiro.

O Novos Ares tornará subterrânea toda fiação aérea hoje existente no Centro Histórico de Sobral. É uma área que vai da Praça São João até a Igreja do Patrocínio e do Largo de São Francisco e Santa Clara até o entorno da Rodoviária, passando pela Praça de Cuba. São 12 hectares, sendo o maior sítio histórico tombado no Brasil.

FIQUE POR DENTRO
Atribuições
A criação do Iphan obedece a um princípio normativo, atualmente contemplado na Constituição Brasileira, que define patrimônio cultural como: formas de expressão; seus modos de criar, fazer e viver; das criações científicas, artísticas e tecnológicas; das obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; e dos conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

MAIS INFORMAÇÕES
Superintendência do Iphan no Ceará, Rua Liberato Barroso, 525 - Centro, Fortaleza
Telefone: (85) 3221.6263


Lauriberto Braga 
Repórter

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Verba para imóveis tombados

Donos de patrimônios residenciais e comerciais podem contar com linha de crédito federal especial para reformas

Conjunto de casarões no sítio histórico de Icó. Prazo de financiamento para imóveis residenciais é de 15 anos HONÓRIO BARBOSA

Icó. Quatro Municípios do Interior - Aracati, Icó, Sobral e Viçosa do Ceará - e Fortaleza vivem a expectativa de assinatura de convênio com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) para adesão ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) das Cidades Históricas, do Governo Federal. O programa vai beneficiar donos e inquilinos de imóveis residenciais e comerciais localizados em sítios históricos do Ceará que vão poder financiar obras de restauro, reforma e ampliação, sem taxa de juros, com prazo de até 15 anos.

As cinco prefeituras aguardam para novembro próximo convocação do Iphan para assinatura de convênio com os Municípios e posterior lançamento de editais para a seleção dos que desejam participar do PAC das Cidades Históricas. Na primeira etapa, há previsão de investimento no Ceará de R$ 17 milhões. O crédito será financiado pelo Banco do Nordeste.

Plano de trabalho
Para aderirem ao programa, os Mnicípios devem adotar algumas providências. Primeiramente, concluir um plano de trabalho e incluí-lo no Sistema de Convênio (Siconv) do Governo Federal. A segunda etapa é a assinatura do convênio com o Iphan. Cada cidade deverá ter o Fundo de Preservação do Patrimônio Histórico e um conselho curador que vai gerir e decidir sobre a aplicação futura dos recursos oriundos do pagamento de parcelas do financiamento.

Por último, os Municípios terão de implantar uma unidade de execução e coordenação do programa, composta por engenheiro ou arquiteto, contador e um coordenador para orientação aos moradores acerca da elaboração dos projetos de restauro e ampliação dos imóveis. "As Prefeituras terão de vencer essas etapas, fazer o dever de casa para que o programa chegue aos moradores", observou a secretária de Cultura de Icó, Jequélia Alcântara. Outra exigência é que o Município não esteja inadimplente com o Governo Federal. A expectativa dos secretários municipais de Cultura das cidades a serem beneficiadas pelo programa é que no início de 2012 os recursos cheguem aos moradores e as obras de restauro possam, finalmente, começar.

As pessoas interessadas já podem procurar as secretarias de Cultura para obter informações, reunir e atualizar documentos pessoais e dos imóveis.

Em caso de demanda mais elevada do que a oferta de recursos, o programa prevê prioridade de atendimento para os imóveis em maior situação de risco e por localização. Aqueles que estão na área rígida têm primazia sobre os que estão no entorno, por exemplo. "Haverá uma seleção criteriosa de acordo com as normas do programa", explica o coordenador da unidade de Icó, Altino Afonso de Medeiros. O prazo de financiamento para os imóveis residenciais é de 15 anos e para os comerciais de 10 anos. Os inquilinos poderão aderir ao programa desde que apresentem devida autorização do proprietário. O imóvel passará por análise técnica do Iphan. As obras serão feitas por quem pede o financiamento, sob fiscalização do órgão e da unidade executora para evitar descaracterização e fazer cumprir o projeto.

O Banco do Nordeste ainda não tem detalhe sobre o PAC Cidades Históricas, mas não haverá exigência para renda mínima, respeitando determinado percentual de comprometimento da receita familiar mensal. "Estamos aguardando as instruções", explicou o gerente da agência do BNB em Iguatu, Eugênio Augusto.

Cada Município terá um valor variável do programa, mas poderá fazer aditivos até a mesma quantia liberada na primeira etapa. "As Prefeituras deverão estar adimplentes com o Governo Federal", ressaltou o chefe do Escritório do Iphan, em Icó, Erick Rolim. De acordo com Rolim, Icó e Aracati apresentam algumas pendências de inadimplência, mas Sobral e Viçosa do Ceará estão em situação regular. "Famílias de baixa renda poderão ser beneficiadas no futuro com o reinvestimento dos recursos por parte do Município", diz ele. "Estamos trabalhando com a expectativa de que as obras de restauro comecem em 2012", observou.

MAIS INFORMAÇÕES
Escritório do Iphan em Fortaleza, (85) 3221. 6263 e (85) 3221. 2180
E-mail: iphan-ce@iphan.gov.br

Honório BarbosaRepórter
NORMAS DE FINANCIAMENTO
Municípios aguardam liberação do crédito federal

Icó.
Esta cidade é a única do Ceará que já tem experiência em lançamento de edital para financiamento de obras de restauração de imóveis privados localizados em sítio histórico. Em 2006, cerca de 20 moradores foram beneficiados com crédito do Programa Monumenta do Ministério da Cultura, operacionalizado pela Caixa Econômica Federal. "Estamos com expectativa muito grande desse novo programa e aguardando a assinatura de convênio com o Iphan", disse a secretária de Cultura, Jequélia Alcântara. "Já temos uma relação inicial de 150 moradores interessados".

Jequélia Alcântara fez um apelo para que moradores beneficiados com financiamento do Programa Monumenta quitassem débitos em atraso para que o Município saia da situação de inadimplência e possa aderir ao PAC das Cidades Históricas. "Estamos visitando os moradores, explicando a situação e solicitando o empenho de cada um para não prejudicar outros moradores". Icó solicitou R$ 3 milhões e receberá a metade desse valor, na primeira etapa, podendo aditar até o valor solicitado. O município terá contrapartida de 4% da verba liberada.

No centro histórico de Icó, moradores interessados em aderir ao programa vivem a expectativa de início das obras. "Quero mudar o piso, elevar o telhado e fazer serviço de esgoto", disse a dona de casa, Erinalva Rodrigues. "Não tenho dinheiro para essas obras". Há 40 anos, a dona de casa, Maria do Socorro dos Santos, sonha em ampliar a casa, mas a falta de recursos vem adiando o projeto da família. "Esse programa é bom e se Deus quiser vai dar certo", frisou. Casimiro Timóteo Júnior quer transformar o imóvel da antiga padaria do pai, que está desativada, em uma casa. "Estamos torcendo para dar certo porque a gente precisa. Com o salário que a gente ganha não dá fazer a obra", disse Timóteo Júnior.

Contrapartida
A secretária de Cultura de Viçosa do Ceará, Margarida Lopes, disse que o Município deverá ser beneficiado com R$ 960 mil e dará contrapartida de R$ 40 mil. "Estamos aguardando a assinatura do convênio para o próximo mês com o Iphan e vamos criar a unidade executora e o conselho curador do fundo", disse. "Depois faremos o lançamento do edital". A cidade tem 72 casarões tombados no sítio histórico. "Esse programa é uma ideia excelente", avaliou a secretária.

A cidade de Aracati deve receber uma verba inicial de R$ 1,5 milhão do programa para uma demanda estimada em 30 imóveis localizados no sítio histórico. A previsão é que os recursos sejam aplicados em 2012 e 2013. "Vamos criar um fundo específico e instalar uma unidade coordenadora local para gerir o programa", explicou o secretário de Cultura, Tiago Sales. Quanto à inadimplência verificada no Ministério do Turismo, o Município quer resolver essa pendência na próxima semana.

O arquiteto Ramiro Teles, técnico contratado pela secretaria de Cultura do Município, disse que vários moradores já o procuraram para obter informações acerca do financiamento para reforma dos imóveis privados. "Há uma expectativa muito boa, as pessoas querendo participar", disse. Teles esclareceu que ainda falta definir se os projetos serão elaborados por arquitetos e engenheiros contratados pelos proprietários dos imóveis ou se pela unidade técnica gestora. Ao contrário da cidade de Icó, Aracati tem um sítio histórico com vários imóveis fechados, deteriorados, com tendência para esvaziamento. "Os proprietários moram em outros bairros ou em outros Municípios", observou Teles.

Interesse
150 Moradores do Município de Icó, na Região Centro-Sul já demonstram interesse em obter crédito por meio do Programa PAC Cidades Históricas para restaurarem seus imóveis

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Arco do Triunfo está depredado em Sobral

Pichações, fios elétricos soltos, reboco caindo são alguns dos problemas apresentados pelo cartão postal

Parte do Reboco do monumento está caindo. O principal cartão postal da cidade de Sobral precisa de recuperação. Prefeitura promete reformar o local imediatamente
LAURIBERTO BRAGA

Sobral. O Arco de Nossa Senhora de Fátima, principal cartão postal da cidade, está depredação. Foi construído há 58 anos por dom José Tupinambá da Frota, na administração do prefeito Antônio Frota Cavalcante (1951-1954), para marcar a visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima a Sobral, em 1º de novembro de 1953. O monumento foi projetado pelo arquiteto Falb Rangel e executado pelo engenheiro Francisco Frutuoso do Vale.

O Arco já passou por duas grandes intervenções na segunda gestão do prefeito Cid Gomes (2001-2004), hoje governador do Estado. Em 31 de maio de 2001, Cid Gomes, com ajuda do então bispo diocesano, dom Aldo di Cillo Pagotto, e do secretário de Desenvolvimento Urbano, o hoje ministro dos Portos, Leônidas Cristino, inaugurou uma moderna iluminação para o Arco e melhorou sua infraestrutura. Já em 21 de dezembro de 2004, na sua despedida da Prefeitura de Sobral, Cid Gomes inaugurou o Boulevard do Arco com um passeio largo, na Avenida Doutor Guarany, em volta do monumento.

A beleza do Arco está sendo desgastada com pichações (inscrições de nomes de casais de namorados e das palavras do Estado São Paulo); fios elétricos soltos; ligação elétrica improvisada; reboco caindo na parte de cima e nas quinas das colunas; luminárias penduradas por fios, sem as amarrações adequadas; e paredes e calçadão muito sujos. Além disso, a pintura do arco está desfigurada e as placas de homenagem (três) estão sem lustre.

Pichações também estão prejudicando o monumento, construído há 58 anos por dom José Tupinambá da Frota

Banheiro
A dispensa do Arco, na parte debaixo de uma das colunas, está com a fechadura do portão quebrada. O que seria um espaço para guardar material de limpeza está entulhado de coisas velhas e servindo de banheiro para algumas pessoas. O local acaba favorecendo a proliferação de ratos e baratas. Até as flores ao redor da imagem de Nossa Senhora de Fátima, na parte superior do Arco do Triunfo, estão secas.

Outro problema é a manutenção do Boulevard. A irrigação do jardim é feita religiosamente à tardinha, mas o sistema hídrico está vazando para os esgotos da Avenida Doutor Guarany, que acabam enchendo, provocando o transbordamento de água nas proximidades do padaria Companhia do Pão.

Terço
Os sobralenses têm muito orgulho do Arco e cobram a manutenção permanente dele. "Têm muitos anos que não dão manutenção no Arco. Faz uns quatro a cinco anos que não estão mexendo nele", reclama o aposentado Raimundo Cavalcante, de 69 anos. Segundo ele, "o Arco agora só serve para negócio de show". Raimundo recorda que "Dom José, quando fez o Arco, foi para todo mundo vir rezar o terço toda noite. Isso nos anos 1950 e 1960. Hoje, ninguém respeita mais isso. É um ambiente completamente poluído", lamenta. Morador de Cariré, na Zona Norte, e visitando Sobral, o operário Francisco Hudson, de 37 anos, não gostou do que viu no Arco. "Acho que deveria recuperar para não cair na cabeça de ninguém. E uma reforma assim não custaria muita coisa", sugere. O prefeito de Sobral, Clodoveu Arruda, disse que vai mandar recuperar imediatamente toda estrutura danificada do Arco. "É nosso principal cartão postal e vamos fazer tudo que for preciso para torná-lo mais bonito", prometeu.

Clodoveu Arruda destaca que o Arco já tem uma fiação subterrânea, como determina o Patrimônio Histórico da União. Ele anuncia que, no próximo dia 23, às 19 horas, no anfiteatro da Margem Esquerda do Rio Acaraú, vai assinar convênio com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e com o Governo do Estado do Ceará para fazer subterrânea toda fiação elétrica do Centro Histórico sobralense.

Pioneira
"Vai ser a primeira cidade do Interior do Brasil a ganhar esta fiação. Vamos assinar a ordem de serviço no valor de R$ 12,5 milhões e meio para tornar o Centro mais bonito, seguro e adaptado para pessoas com deficiências. Com isso, toda fiação aérea da parte central será subterrânea", promete, não informando o tempo para conclusão da obra.

Demora
"É uma obra mais demorada, mas que já vai começar dia 23 próximo e tornar Sobral mais bonita ainda. Hoje, pelo que sei, nenhuma cidade do Interior do Brasil tem esta fiação subterrânea. São Luís, do Maranhão, e Olinda, em Pernambuco, são as únicas cidades metropolitanas que têm este ganho cultural no Nordeste", finaliza o prefeito.

Veveu Arruda informou que a solenidade será encerrada com um show do cantor e compositor Zeca Baleiro e contará com a presença do governador Cid Gomes.

MAIS INFORMAÇÕES
Prefeitura Municipal de Sobral, Rua Viriato de Medeiros, 1250
Centro - Sobral
Telefone: (88) 3677.1100


Lauriberto Braga 
Repórter

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Teatro São José, de Fortaleza, será restaurado e reaberto ao público

Secretaria de Cultura de Fortaleza comprou o teatro por R$ 998 mil.
Prédio foi tombado em 1988 e não sofrerá mudanças na estrutura original.



Abandonado por muitos anos, o teatro São José vai passar por reforma e reabrir ao púbico transformado no Teatro Municipal de Fortaleza, segundo a Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor). O prédio, que pertencia à Federação dos Trabalhadores Cristãos, foi comprado pela administração municipal por R$ 998 mil reais e passará antes por uma grande obra de restauração.

Tombado em 1988, o teatro São José não poderá ter modificadas nem a fachada nem a área interna na restauração, com início marcado para o primeiro semestre de 2012. De acordo com a Secretaria de Cultura, o projeto arquitetônico de restauração do teatro São José está quase pronto e a licitação para a obra deve ser aberta entre novembro e dezembro deste ano.

"Além de ter esse palco noturno como mais uma casa de espetáculos na cidade, ele também terá uma escola de teatro. Ele firma esse elo entre educação e cultura", afirma a secretária de Cultura de Fortaleza, Fátima Mesquita.

Maltratado pelo tempo
Com quase um século de construção, mesmo maltratado pelo tempo, o teatro São José conserva o charme de uma casa  de espetáculos cheia de história. Refém da falta de manutenção, do lado de fora, o teatro perdeu a pintura da fachada e a beleza do jardim.

Por dentro, restou pouco do capricho marcado nos balcões na tela com a imagem da sagrada família, acima do palco. A antiga casa de cultura sofre com os cupins, estragos no telhado, no sistema elétrico e no palco. Nem mobília e os instrumentos musicais foram conservados, como a velha bilheteria e o piano do teatro.

O professor e historiador Henri Randel Costa diz que o teatro foi construído dentro de um processo de luta pela hegemonia do movimento social operário entre a Igreja Católica, no caso do Ceará, e a Maçonaria. "São José, que não era operário, era artesão, foi 'proletarizado' pela Igreja Católica justamente para servir de referência para essa classe operária, que estava se formando. Ele é uma simbologia", explica.

Fonte: TV Verdes Mares

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Cidades históricas terão R$17 milhões para restauros

Quatro cidades do Interior vão receber verbas do PAC das Cidades Históricas. Propriedades particulares são o alvo dos financiamentos. Serão beneficiadas as cidades de Aracati, Icó, Sobral e Viçosa do Ceará

Sobral realiza trabalho para retirar letreiros do centro histórico (RAFAEL CAVALCANTE)

Donos e inquilinos de imóveis residenciais e comerciais de sítios históricos do Ceará vão poder financiar o restauro dos prédios a juros zero. De acordo com a superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Ceará, Juçara Peixoto, este mês deve ser assinado convênio com cinco prefeituras para o lançamento público de editais.

As obras fazem parte do programa PAC das Cidades Históricas, do Governo Federal. Serão beneficiadas as cidades de Aracati, Icó, Sobral e Viçosa do Ceará, que têm sítios históricos oficializados pelo Iphan, além de Fortaleza. Segundo a Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), na Capital, o PAC das Cidades Históricas vai contemplar imóveis do Centro e entorno.

O financiamento para as obras nas cidades do Interior soma R$17 milhões e será feito pelo Banco do Nordeste. Para prédios residenciais, o pagamento do empréstimo poderá ser feito até 15 anos. Para prédios comerciais, o prazo é de dez anos.

Juçara explica que para receber o financiamento, o imóvel passa primeiro por análise técnica do Iphan. Embora as obras sejam executadas por quem pede o financiamento, o órgão acompanha o andamento dos trabalhos para que não haja descaracterização do imóvel.

Facilidades
A superintendente do Iphan detalha que não há faixa específica de financiamento para as obras nem renda mínima.

“O que não pode é comprometer grande parte da renda com o empréstimo. Quem recebe até três salários mínimos tem algumas facilidades”, acrescenta.

Outra facilidade é que não é preciso ser proprietário do imóvel para pedir o financiamento. “Qualquer pessoa que more, um inquilino com anuência do proprietário, por exemplo, pode pedir. Tem que ser alguém que tenha responsabilidade pelo prédio”, ressalta.

Juçara lembra ainda que imóveis de interesse histórico já descaracterizados ou em processo de arruinamento também podem ser contemplados.

Por quê

ENTENDA A NOTÍCIA

Imóveis particulares de sítios históricos de Aracati, Icó, Sobral e Viçosa do Ceará, reconhecidos pelo Iphan, além de Fortaleza, vão ser contemplados com obras de restauro. Recursos serão repassados por meio de financiamento.

SERVIÇO

Sobre o financiamento
Podem pedir financiamento de restauro donos ou inquilinos de prédios, residenciais e comerciais, com valor arquitetônico reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Onde: Aracati, Icó, Sobral, Viçosa do Ceará e Fortaleza (no Centro).
Como financiar: procurar a Prefeitura após a publicação dos editais
Quanto: não há faixa de financiamento definida, mas renda do solicitante é levada em conta

Quando: a partir deste mês
Como é feito o pagamento do empréstimo: até 15 anos para residências e até 10 anos para comércios
Outras informações: a sede do Iphan em Fortaleza: (85) 3221-6263, 3221-2180
e-mail: iphan-ce@iphan.gov.brt

Thiago Mendes
thiagomendes@opovo.com.br

Fonte: O Povo

domingo, 9 de outubro de 2011

Iphan analisa pedido de patrimônios imateriais

Os três pedidos de registro de patrimônio imaterial são novidades no Ceará, embora previsto por legislação

Grupos juninos do Estado, como a Quadrilha do Zé Testinha, trazem nas suas encenações ritmos como forró, xote, baião e xaxado no repertório musical
BRUNO GOMES
Iguatu. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no Ceará, analisa três pedidos de registro de preservação de bens culturais de natureza imaterial. São eles: o complexo cultural e religioso de Santo Antônio, em Barbalha; as matrizes tradicionais do forró (xote, baião e xaxado); e a dança do maracatu, na Capital. Ainda não há no Estado nenhum patrimônio cultural imaterial registrado, e o primeiro a alcançar essa condição será a festa do padroeiro de Barbalha, cujo processo está mais avançado e foi apresentado no início de 2010.

Os três pedidos de registro de patrimônio imaterial são novidades no Ceará, embora previsto por legislação desde 2001. Entretanto, se compararmos com o processo de tombamento de bens imóveis e de obras de arte que já dura cerca de 70 anos no Brasil, é uma proteção recente, ainda desconhecida por muitos, mas de fundamental importância para a preservação da cultura nacional popular, que se manifesta em várias comunidades interioranas.

A chefe substituta da divisão técnica do Iphan, no Ceará, Ítala Morais da Silva, evidencia que o processo de tombamento do patrimônio material é mais limitado, com ocorrência em poucas cidades, que apresentam imóveis da época colonial e barroca. "Numa nova perspectiva cultural, o registro visa preservar uma quantidade maior de bens, mesmo de práticas culturais de um só grupo", explicou. "O objetivo é a diversidade cultural, fazendo com que maior número de pessoas possa ser representado em suas manifestações artísticas e culturais".

Ítala Silva explicou que os pedidos de registro de bem cultural de natureza imaterial devem ser apresentados por um maior número de pessoas, entidades e instituições públicas e privadas. Devem ser acompanhado de um histórico da atividade, documentos, fotos, recortes de jornais e de outras mídias - áudio e vídeo. O processo dura em média 18 meses e exige a realização de várias audiências públicas na comunidade e de um inventário por técnicos, como metodologia de trabalho. Trata-se do Inventário Nacional e Referências Culturais (INRC).

"A metodologia de trabalho do registro de um bem imaterial resulta em um processo mais complexo em comparação com o tombamento de um imóvel com a participação de vários técnicos", observa Ítala Silva. "É um trabalho interdisciplinar". Outro aspecto diferencial é que deve haver uma efetiva participação e desejo da comunidade para que ocorra o registro. "A sociedade deve ter participação ativa e um desejo de preservação do bem". Apesar da exigência de envolvimento de um maior número de agentes, o registro do bem imaterial não evita a possibilidade de perda da prática cultural, por não sucessão na comunidade para a geração jovem ou por outros motivos. "Não podemos obrigar que a atividade cultural seja mantida ao longo do tempo. A legislação prevê que, a cada dez anos, o Iphan faça nova pesquisa, um inventário e uma análise para a apresentação de um novo parecer e continuidade do registro".

Após o registro, o Iphan promove uma articulação para a implantação de políticas públicas visando à preservação do bem protegido. "É importante existir o registro para a continuidade dos grupos, pois as pessoas de mais idade, os mestres da cultura, transmitem para os jovens essas práticas", disse Ítala. A partir de uma maior participação da comunidade e sensibilização de seus membros fica mais fácil a preservação do bem cultural. Os pedidos de registro do forró e do maracatu como bem imaterial pelo Iphan foram apresentados neste ano, respectivamente, pela Associação Cearense do Forró, e pela Associação Cultural Maracatu Rei do Congo, e ainda carecem de uma melhor avaliação, segundo Ítala. "Só após apresentação do inventário teremos melhor definição da demanda solicitada", ressaltou. "No caso do maracatu é necessário que o pedido envolva outros grupos, uma participação conjunta por ser um bem coletivo".

Primeiros
O registro de bem cultural imaterial começou a ocorrer a partir de 2001, após publicação de decreto pelo Iphan. Os primeiros registros foram em 2004. Estão protegidos e reconhecidos o ofício das baianas do acarajé, na Bahia, e a arte gráfica dos índios Waiãipi, do Amapá. Desde 2007, que os padrões e cores que constituem o patrimônio iconográfico Kusiwa da cultura Waiãpi está registrado oficialmente no dossiê do Iphan. No Iphan, há um Conselho Consultivo, com representações da sociedade civil e de entidades de classe, que apreciam o dossiê de registro do bem imaterial.

Mais informações

Superintendência do Iphan em Fortaleza
Rua Liberato Barroso, 525, Centro
Telefone: (85) 3221. 6360


SANTO ANTÔNIO

Decisão deve sair este ano

A cidade de Barbalha, na região do Cariri, vive a expectativa de aprovação pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) do registro da Festa de Santo Antônio de Barbalha. Essa será a denominação oficial, conforme decisão coletiva tomada recentemente em audiência pública realizada no Município. "Esperamos que até o fim do ano o Iphan anuncie o registro e publique o dossiê oficial até a realização da próxima festa em 2012", disse o secretário de Cultura e Turismo do Município, Dorivan Amaro dos Santos.

Os agentes culturais do Município esperam com ansiedade a divulgação do registro. A demanda oficial foi encaminhada ao Iphan no início de 2010, mas Santos observa que o inventário das festividades religiosas e populares, que inclui o carregamento do Pau da Bandeira, a Cachaça do Vigário e o novenário em louvor ao santo padroeiro, começou em 2003. "Já houve muitas reuniões, audiências públicas e aguardamos agora o anúncio do registro porque o processo já está concluído", frisou. "Será muito importante para a divulgação, valorização e reconhecimento de uma festa que terá caráter nacional".

Santos observou que o registro da Festa de Santo Antônio de Barbalha vai aumentar a responsabilidade dos moradores, da administração pública municipal e das pessoas envolvidas com a promoção da cultura. "Haverá um maior cuidado com a preservação". A demanda apresentada pelo Município envolveu ampla participação e articulação da comunidade local.

O professor de História da Universidade Regional do Cariri (Urca) e presidente do Instituto Pró-Memória, uma ONG de Barbalha, Josier Ferreira da Silva, ressaltou que historiadores e memorialistas da região do Cariri vivem a expectativa do registro como bem imaterial da Festa de Santo Antônio de Barbalha. "Essa iniciativa vai fortalecer a identidade cultural do Município. Aumenta, por outro lado, a nossa preocupação em preservar a tradição". Josier observou que apesar do mundo moderno globalizado e tecnológico, a região do Cariri cearense preserva manifestações culturais que têm origem com a colonização do sertão cearense a partir de Pernambuco. "Há de conviver o novo e o tradicional em uma região marcada pela diversidade cultural e de seus diversos ritos religiosos populares".

A partir da segunda metade da década de 1976, houve a implantação de políticas públicas de valorização e reconhecimento da Festa de Santo Antônio de Barbalha, quando o Município investiu em divulgação e organização do evento. Ele defende um aprofundamento do inventário sobre as diversas manifestações culturais da região.

O pedido de registro das matrizes tradicionais do forró - xote, baião e xaxado - ainda vai passar por um processo de análise do Iphan. São ritmos de música e de dança que fazem parte da cultura nordestina. Segundo registro de Câmara Cascudo, o xote é antiga dança de salão, provavelmente de origem húngara e que se assemelha à polca. O xaxado é originário do alto sertão pernambucano e divulgada por cangaceiros. O baião é um gênero musical e sertanejo de canto e de dança.

Surgimento
A historiografia registra que foi a partir do encontro na década de 1940, entre o sanfoneiro Luiz Gonzaga, pernambucano de Exu, e o advogado e compositor cearense da cidade de Iguatu, Humberto Teixeira, que surgiu o ritmo baião. A dupla teria então criado esse novo jeito de tocar e dançar músicas conhecidas popularmente de arrasta-pé. Daí a denominação de "Rei do Baião" e "Doutor do Baião" para a dupla que abriu espaço para toda essa manifestação musical que chegou até os dias atuais, mesmo com transformações e introdução de instrumentos elétricos.

O tradicional forró pé de serra resiste ao tempo e as composições de cinco décadas passadas ainda estão presentes no repertório de shows de artistas consagrados. O chamado forró universitário mantém o ritmo do xote (dois pra lá, dois pra cá).

Registrar e preservar essa cultura musical nordestina é um reconhecimento da importância desse gênero, que passou a ser conhecido por forró, e que já está fixado nas mentes e nos corações de gerações seguidas e que resiste aos modismos de cada época.

Mais informações

Prefeitura de Barbalha

Secretaria de Cultura e Turismo
Rua Princesa Izabel, 187, Centro
Telefone: (88) 3532. 1708


Honório Barbosa
Repórter

Santana do Acaraú-Saudosa Maloca, Maloca Querida



Santana do Acaraú, berço de ilustres homens, nascida de uma promessa à santa Ana, sonhada como berço pelos indivíduos que, por primeiro se instalaram nos arredores da Capelinha que deu origem à Matriz, para suas futuras gerações; está assistindo a uma rápida devastação do patrimônio arquitetônico que poderia contar a história da evolução da "pólis" santanense.

Onde está o Palacete de bronze, primeira câmara de vereadores? Onde está o Casario da rua João Cordeiro, hoje só conhecido a muito custo nas fotos da década de 30 do século passado? Que foi feito do Pavilhão do Congresso de 1948? Onde está a Casa de Caridade construida pelo venerável Padre Ibiapina? etc e etc...
Estamos "saindo lá pra fora pra apreciar a demolição" do que ainda resta e alguns de nós não estamos conformados.

Parabenizamos a iniciativa da Paróquia que a anos atrás reformou o sobrado Padre Arakén e a casa Paroquial (ainda que modificando seus interiores e restaurando suas fachadas), e restaurou a Matriz.
Louvamos a iniciativa da família Alves que restaurou a Casa de seus patriarcas: O Solar dos Alves.

Somos felizes pela iniciativa de Audifax Rios que, reformando o Antigo Salão paroquial e Cartório de seu pai, trouxe para aquela casa elementos arquitetônicos que os santanenses eliminaram ao longo do tempo como gesto de um passo para a "modernidade"!
Gratos às Reiligiosas Filhas de Sant'Ana que, embora fazendo uma reforma interna muito preservaram do casarão que ainda hoje abriga o patronato Santana.
Igual menção honrosa mrecem a família Lopes e tanta outras que restauraram e preservam as fachadas e/ou interiores originais de suas casas.

Nos perguntamos: que futuro terá a casa mais velha da Cidade: o sobrado localizado na Avenida São João, apelidado de Jaburu e cenário de cenas do Filme "o Guerreiro Alumioso" de Rosemberg Cariri? Como será feita a reforma da Cadeia pública, prédio do século XIX? Como será feita a reforma do Mercado público, também da mesma época?

Quem terá culpa nesta história? Quem terá razão? A meu ver todos nós e ao mesmo tempo ninguém! Para que o patrimônio já apagado tivesse sido preservado, teria sido necessário, iniciar anos atrás, um movimento de educação para a conservação. Só conservamos o que conhecemos e apreciamos!

Este movimento de educação precisa ser iniciado com urgência e, se o fizermos, já estaremos fazendo tarde ( melhor do que nunca!) para preservarmos o que ainda resta!

Não se trata de um saudosismo vão, nem de um pensamento retrógrado ou anacrônico, mas de uma busca ou resgate de uma identidade que passa pela cultura material, meio pelo qual os elementos da identidade são comunicados.

Fomos informados que em setembro a Lei orgânica do Município será reformulada. Este é o momento de contemplar os patrimônios Material e imaterial de Santana, de garantir às futuras gerações um arcabouço legal para a preservação de sua identidade!

Se tal movimento não começar e for levado adiante correremos o risco de cantar aquele refrão dorido, saudoso e cheio de remorso: "saudosa maloca, maloca querida onde juntos nós passemos os melhores dias de nossas vidas"!

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Patrimônio Cultural, mas desvalorizado

Igrejas do Ceará apesar de centenárias e  imensa beleza arquitetônica são desvalorizadas

Igreja Matriz do Município de Bela Cruz - Ceará - Setembro de 2011 (Foto: Valdecy Alves)
Em uma importante postagem no blog Valecy Alves, advogado, turista e grande admirador dos costumes de nosso povo, fora evidenciado a beleza arquitetônica das centenárias igrejas do Ceará, tidas segundo o mesmo como o prédio mais importante, de maior porte e beleza arquitetônica de qualquer cidade, estando estrategicamente construída, com sua vistosa torre, geralmente com um relógio, que não foi ainda substituído nem pelo rádio, nem pela TV, graças aos toques dos seus sinos marcando o tempo no dia-a-dia e a história, com o tique-taque do seu pêndulo.
Particularmente concordo com as palavras de nosso ilustre blogueiro, que tomou a iniciativa de criar em seu blog o quadro: Igrejas do Ceará, buscando valorizar O PATRIMÔNIO MATERIAL, representado pela beleza e formas arquitetônicas do prédio, como também o PATRIMÔNIO IMATERIAL, toda a história que teve a igreja como palco e sua praça em volta, além da religiosidade, que muito tem a ver com a cultura nordestina.

Entretanto ao mesmo tempo em que faço as palavras de Valdecy as minhas, me inquieto e entristeço em  ver que apesar destes templos serem vistos ao nossos olhos e até de orgão federativos como um "patrimônio" estando até mesmo confirgurados como bem partimonial conforme a CF que diz em seu artigo Art. 216. que Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira...

Estes mesmos templos estão sendo extintos, e a memoria de nosso povo apagada ao tranforma-se em pó, como em Alcântaras-CE onde em 03 de novembro de 2010 foi demolida a centenaria igreja de N.S. do Perpetuo Socorro e, recentemente Pacujá, também situado na Zona Norte do Estado, que teve a matriz tranformada em pó para da origem a um novo templo. Comportamentos contrários quando afirmamos: "toda a história de uma cidade teve a igreja como palco e sua praça em volta, além da religiosidade, que muito tem a ver com a cultura nordestina".

Mas que cultura e religiosidade seria essa que faria nosso pacato povo esquecer  o cenário de uma longa história para dar espaço a um projeto baseado em altos moldes de arquitetura moderna, esquecendo os traços original de uma civilização, como vivenciados em Alcântaras onde a nova matriz não encaixa-se ao cenário pacato e simbolico de nossa terra, onde uma obra de mais de 5.000  mil reais tornou-se o simbolo ou cartão postal do municipio, retratanto o que? uma história que começa a ser escrita agora?

Me pergunto, até que ponto nossa admiração e  "posse" de nossas matrizes estariam sendo respeitadas e levada em consideração?

Muitas justificativas são apresentadas como a rachadura de paredes, prédio condenado, risco de desabamento...  o que poderia por em risco a segurança de nossos fieis. Mas diante destas afirmações, que critérios fariam os paises, ou até mesmo estados brasileiros deixarem de pé casarões e catedrais seculares, como a estação da Luz em São Paulo, famosas igrejas de Minas Gerais e Recife e porque não lembar de enormes templos franceses, gregos dentre outros espalhados pelo mundo? Nosso povo estaria sendo manipulado por interesses adversos, ou a demolição de nossos templos seria mesmo uma iniciativa e decisão puramente popular?

Igrejas do Ceará - Patrimônio Histórico Material - Beleza Arquitetônica e Vitrine dos Municípios

Viajo muito a trabalho pelo Estado do Ceará. Não existe a menor dúvida, que para maioria das cidades o prédio mais importante, de maior porte e beleza arquitetônica é a igreja local. De longe, de qualquer estrada, chegando-se, seja do alto, seja de uma reta, seja de uma baixada, a quilômetros de distância o que primeiro de avista numa cidade, que se distribui como uma linha reta no horizonte é o prédio da igreja matriz local, estrategicamente construída, com sua vistosa torre, geralmente com um relógio, que não foi ainda substituído nem pelo rádio, nem pela TV, graças aos toques dos seus sinos marcando o tempo no dia-a-dia e a história, com o tique-taque do seu pêndulo.

Adentrando qualquer cidade, o que vale para cidades de porte médio, a capital Fortaleza ou mesmo a grande São Paulo, percebe-se que as cidades formaram-se, foram construídas e expandiram-se em torno da igreja, onde grande parte dos casamentos e batizados foram realizados há décadas, festas da padroeira... ou há séculos e assim continua... Fora o que representa como símbolo da fé de um povo. O QUE VALORIZO AQUI É O PATRIMÔNIO MATERIAL, representado pela beleza e formas arquitetônicas do prédio, como também o PATRIMÔNIO IMATERIAL, toda a história que teve a igreja como palco e sua praça em volta, além da religiosidade, que muito tem a ver com a cultura nordestina.
Não nos esqueçamos do que diz a Constituiçao Federal:
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira...

É com essa visão, que início a série: IGREJAS DO CEARÁ! Que de quando em quando receberá novas fotos. Favor quem copiar foto citar a fonte. Tenho certeza que é uma forma de valorização do patrimônio cultural do povo cearense e de dividir história e beleza com os leitores o meu blog. SE VOCÊS NÃO PODEM IR ATÉ AS IGREJAS FOTOGRAFADAS, TRAGO AS IGREJAS ATÉ VOCÊS. Tirei as fotos nos últimos 30 dias. Espero que goste das fotos abaixo:

Igreja Matriz do Município de Bela Cruz - Ceará - Setembro de 2011 (Foto: Valdecy Alves)

Igreja Matriz do Município de Marco - Ceará - Setembro de 2011 (Foto: Valdecy Alves)

Igreja Matriz do Município de Ocara - Ceará - Setembro de 2011 (Foto: Valdecy Alves)

Igreja Matriz do Município de Redenção - Ceará - Setembro de 2011 (Foto: Valdecy Alves)

Igreja Matriz do Município de Trairi - Ceará - Outubro de 2011 (Foto: Valdecy Alves)

 Fonte: Blog Valdecy Alves


Do Blog Acaraú pra recordar: Ilustração da Igreja Matriz de Acaraú

Igreja Matriz de Acaraú    Foto: Arquivo Acaraú pra recordar

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Museu Dom José de Sobral

Dotado de incansável espírito empreendedor, Dom José Tupinambá da Frota coletou, entre os anos de 1916 e 1959, um acervo de quase 5.000 peças reunidas no Museu Diocesano, considerado o 5º do Brasil em Arte-Sacra e Decorativa, pelo ICOM (Conselho Internacional de Museus).

Fundado a 29 de março de 1951 e inaugurado oficialmente a 10 de março de 1971, o Museu Diocesano, hoje denominado Museu Dom José, é um magnífico painel da história social de Sobral e municípios norte-cearenses.

Possui acervo de coleções raras de meio de transportes, como liteiras e cadeiras de arruar; porcelanas e cristais da Boêmia, Baccarat, Limoges, e louças de Companhia das Índias Ocidentais; pratarias, artesanato regional, arte indígena, peças arqueológicas que suscitam a curiosidade dos estudiosos que buscam sítios da região.

Encontramos ainda expressiva coleção de arte-sacra, notadamente imaginária, cálices, oratórios, castiçais e demais objetos de culto que confirmam, por sua variedade e quantidade, o elevado sentimento de religiosidade do povo sobralense.


Ao lado dessas peças, encontra-se a arte em madeira, mostrada em mobiliário de origem brasileira e européia nas mais belas e variadas formas.
A coleção numismática impressiona pelo número de peças: cerca de 10.000 moedas. Destacam-se também, objetos de adorno, indumentária, pinturas, esculturas e armaria.

O acervo encerra toda a evolução do Vale do Acaraú; conta-nos a história da iluminação, antes da energia elétrica, a partir de velas de carnaúba até os mais finos lustres de cristal da Boêmia.

Vale salientar que grande parte desse acervo foi doado por famílias do norte cearense, numa época de hegemonia econômica e política de Sobral. Pela originalidade e valor das peças, podemos avaliar o nível cultural de seu povo.

Sobre o Museu, assim se expressou Gustavo Barroso, em carta dirigida a Dom José Tupinambá da Frota em 23/11/1955:

"...Da minha visita ao Museu Diocesano de Sobral guardei uma impressão de surpresa e admiração.
Surpresa por encontrar tão rico acervo de relíquias do nosso passado numa cidade sertaneja do Ceará; de admiração pelo incontestável valor do mesmo e pela pertinácia e esforço em conseguir reuni-lo. Seria muito desejar que os poderes públicos do Estado ou da Federação lançassem um olhar protetor sobre essa notável obra... Viriam esses poderes simplesmente coroar a iniciativa do trabalho da Cúria sobralense, nunca por demais louvado."

O prédio onde está instalado o Museu Dom José foi construído em 1844, pelo Major João Pedro da Cunha Bandeira de Melo, 1º Juiz de Paz de Sobral.

Sobrado de grande valor arquitetônico, com 57 janelas externas, dispostas ao longo de dois pisos, conserva até hoje características do estilo "império".

Comprado por D. José, o prédio foi o Palácio Episcopal de 1933 a 1959, quando ali faleceu o primeiro Bispo da Cidade. Logo depois, passou a abrigar o Museu.

Em 1992, suspendeu suas atividades em razão da precária situação de algumas partes da edificação.

No final da década de 80, a Diocese de Sobral confiou a direção do Museu à Universidade Estadual Vale do Acaraú, no Reitorado do Cônego Francisco Sadoc de Araújo.

Por iniciativa do Reitor José Teodoro Soares, foi firmado convênio entre o Ministério da Cultura, Secretaria da Cultura e Desporto do Estado do Ceará e a Universidade Estadual Vale do Acaraú - UVA, para recuperação do Museu em sua estrutura física, e grande parte de seu acervo foi restaurado por especialistas, dentro dos mais modernos padrões.

O Museu Dom José, em sintonia com a moderna concepção museológica, propõe mostrar os objetos, não isoladamente, mas contextualizados, no espaço e no tempo do qual são partes integrantes. Daí a necessidade de reconstruir ambientes e dar-lhes a atmosfera da época, enfim, demonstrar como era a vida cotidiana dos sobralenses.

O Museu, como templo cultural sacralizado, passa a ser substituído por outros espaços ocupados por diferentes agentes sociais, ressaltando a cultura popular, buscando em suas exposições novos objetos, novos agentes, novas formas de lazer e saber.

Organizado com propósitos educativos para completar a educação formal, o Museu D. José dá prioridade a uma política pedagógica de revitalização da cultura norte-cearense defendida pela UVA.

A visita ao Museu torna-se, pois, parte essencial da educação moderna.

Com a reabertura, em 24 de março de 1997, pelo Governador Tasso Jereissati, as instituições públicas conveniadas cumpriram a função básica de preservar e divulgar o patrimônio cultural pertencente ao povo sobralense.

Santana do Acaraú-A culpa é de Dom José?


Não é de hoje que circula na cidade de Santana do Acaraú o seguinte lamento: "Santana do Acaraú não tem mais nada porque Dom José Tupinambá da Frota levou tudo o que de mais valioso tínhamos para o Museu Diocesano".
 
Deveras é árdua a tarefa de coletar objetos que contem a história de uma região.Para a fundação do singelo Memorial da Paróquia de Nossa Senhora Sant'Anna, muitas vezes, durante o recebimento de peças doadas, fomos testemunhas do quanto foi difícil aos doadores realizar tal ato. Para quem doa um objeto que está "impregnado" de sua história, separar-se dele é como vivenciar a morte de um ente querido.
 
Apliquemos agora o exemplo dado à época em que Dom José realizou seu trabalho de coleção de peças. Grande era o número de analfabetos, muitos dos doadores ou pessoas que venderam peças nunca tinham posto os pés em um museu e muitos padres, apesar da condição de suas formações, desconheciam tal arte. A idéia de um Museu era estranha ás pequenas "vilas" que circundavam a moderna Sobral.
 
Nas entrelinhas do que falamos acima, muitos alegam que o 1º Bispo de Sobral "confiscou" as peças que confiscou, para fazer um Patrimônio para a Igreja, acusada por muitos de seus filhos de gananciosa.
Tais pessoas desconhecem a formação que Dom José recebeu em sua preparação para ser padre em Roma, onde, sem sombra de dúvidas deve ter conhecido grandes museus.
 
Quem afirma o que descrevemos acima, tem uma visão superficial e totalmente destoante daquela que tinha Dom José. Para além do valor intrínseco do acervo do Museu (que constitui sem dúvida um Patrimônio), Dom José viu no Museu a possibilidade de preservar anos e anos de história e memória de toda a zona Norte do Estado do Ceará.
 
O que vislumbrava o Bispo traduz- se no fato de ser o Museu Dom José o 5º EM ARTE SACRA E DECORATIVA SEGUNDO O CONSELHO INTERNACIONAL DE MUSEUS (ICOM).
 
Quisera que realmente Dom José tivesse levado de Santana do Acaraú todas as nossas valiosas peças de arte Sacra e decorativas para integrá-las ao acervo do Museu Diocesano. Do número que suspeitam os pessimistas da cidade, nem a centésima parte lá existe!
 
Tais peças, senhores e senhoras, são objeto de um tombamento muito acurado. Estas, em virtude de seu cadastro, são protegidas pela Constituição Federal e, sendo o Museu instituição que faz parte do Sistema Brasileiro de Museus (SBM), tem técnicos especializados na conservação de seu acervo e a garantia de recursos para a manutenção da instituição.
 
Com "despudorada" audácia, para confirmar se a original imagem de Senhora Sant'Ana lá estava (uma vez que muitos guardiões de nossa memória dizem que a que está na Igreja matriz é uma réplica), visitei o Museu com tal fim.
 
Sendo muito bem recebido pela Senhora Giovana Mont'Alverne, diretora do mesmo, buscamos averiguar, nas duas únicas imagens da santa lá existentes , as marcas(dois orifícios na base da imagem para a introdução dos pinos do andor) que, segundo pessoas de Santana do Acaraú, confirmariam ser a da cidade.
 
Inspecionando, palpando e percutindo as bases da imagem, não encontramos os referidos sinais. Além disso, as imagens do Museu nada tinham de semelhante da "réplica" que está na Matriz de Santana do Acaraú.
 
É mais verdadeira a hipótese de que muitos SANTANENSES (QUE EM SUA GRANDE MAIORIA MORAM FORA DA CIDADE) compraram indevidamente ou levaram de modo escuso os seguintes objetos: a imagem original de Senhora Sant'Ana (comprada pelo Padre Antônio dos Santos da Silveira em 1739, quando da fundação da capela), o cálice de ouro cravejado de esmeraldas (em quantidade corespondente aos anos de sacerdócio do padre)dado ao padre Arakén por ocasião de um aniversário de ordenação sacerdotal, um ostensório de ouro onde o santíssimo foi exposto por ocasião da festa de cem anos da Paróquia em 1948, o lampadário de prata do Sacrário da Igreja Matriz,dentre outros.
 
A culpa colocada em Dom José foi oportuna a quem "extraviou" peças que hoje poderiam estar constituindo o acervo do Memorial da Paróquia de Nossa Senhora Sant'Anna e contando a história de nossa cidade.
 
É fácil colocar toda a culpa do atraso cultural de Santana em Dom José, para livrar -se do peso de consciência de não estar fazendo sua parte.
 
FIQUEMOS ATENTOS! SANTANA DO ACARAÚ É CADA UM DE NÓS!

Fortaleza-Atrativos culturais e turísticos da Capital serão mapeados

90% dos espaços como praças, igrejas e cinemas estão no Centro; objetivo é saber o que precisa ser melhorado

PRAÇA DO FERREIRA: desde 2001, após pesquisa popular, foi declarada Marco Histórico e Patrimonial de Fortaleza. Entretanto, os ssaltos têm afastado os visitantes  FRANCISCO VIANA

O Centro da Capital está repleto de equipamentos históricos que fizeram e fazem parte da vida de milhares de cearenses. Segundo a Secretaria de Turismo de Fortaleza (Setfor), estima-se que existam na cidade cerca de 380 destes espaços culturais, sendo que 90% estão localizados no Centro. Praças, farmácias, cinema, igrejas, alguns com quase um século. Entretanto, dezenas deles estão desativados, e não se sabe como nem o que precisa ser melhorado nos que estão funcionando.

Esse foi um dos motivos que levou a Setfor a elaborar o Inventário de Oferta Turística de Fortaleza. O objetivo é mapear todos os atrativos, serviços, equipamentos culturais e turísticos da cidade para estimular novos roteiros e novas áreas não consolidadas, deixando de lado a ideia de que Fortaleza só tem a oferecer sol e mar. Ao todo, uma equipe de 26 pesquisadores entre eles turismólogos, arquitetos, historiadores e geógrafos, vai realizar este trabalho durante sete meses.

Primeira visita
O mapeamento começou pelo Centro da Capital. A primeira visita dos pesquisadores, na manhã de ontem, foi a farmácia Oswaldo Cruz, com 74 anos de história. A aposentada Acyra Alencar, 76 anos, relata que o lugar marcou a sua vida e que, para ela, além de uma tradição, o lugar é um patrimônio da cidade. Diariamente, ela frequenta o Centro, e conta que, mesmo sem precisar de remédio, dá uma passadinha no lugar para falar com os amigos. "A vida da gente é feita de histórias, e eu posso dizer que o Centro faz parte da minha. Frequento, juntamente com o meu esposo, os restaurantes, praças, lojas e a farmácia e nunca fui assaltada", afirma Acyra.

Entretanto, ainda há muito o que ser melhorado por lá. Um dos espaços que marcaram a infância de muitos fortalezenses foi o Cine São Luiz, na Praça do Ferreira. Porém, há alguns anos está desativado e ainda não tem data para requalificação e reabertura.

O secretário de Turismo de Fortaleza, Moacir de Sousa Soares, que esteve acompanhando a primeira visita do Inventário da Oferta Turística ao Centro, ressalta que a pesquisa irá ajudar na realização de um planejamento turístico na cidade em possíveis reajustes estruturais e de formação dos equipamentos, sejam eles públicos ou privados. Até porque, segundo o secretário, não se sabe quantos equipamentos culturais existem na cidade, nem como estão a preservação e os serviços. "Esse diagnóstico funcionará como uma bula para que nós, gestores, possamos tomar decisões certas a cerca de centenas de imóveis desativados ou que precisam ser requalificados", explica.

Para a professora do curso de Turismo da Universidade de Fortaleza (Unifor) e uma das coordenadoras da pesquisa, Sílvia Romero, a intenção é que, depois do diagnóstico, lugares como o Cine São Luiz voltem a funcionar. Segundo ela, se desfaça a ideia de que Fortaleza é apenas uma cidade de praia. "Temos equipamentos importantíssimos que estão se perdendo", destaca.

Segundo a também coordenadora Fátima Aguiar, todas as áreas das sete Secretarias Executivas Regionais serão visitadas. De acordo com o cronograma, a segunda área a ser mapeada será a Regional II, onde fica a Beira-Mar, Praia de Iracema e a Varjota, um dos polos gastronômicos de Fortaleza.

KARLA CAMILA 
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste 

PASSEIO PÚBLICO: mais antiga praça da Capital. Tem vista para o mar e árvores centenárias, como o baobá plantado por senador Pompeu,que teve o tronco danificado FRANCISCO VIANA 



Theatro José de Alencar: inaugurado em 17 de junho de 1910, com a banda sinfônica do Batalhão de Segurança, regida por Luigi Maria Smido e Henrique Jorge FRANCISCO VIANA

Cine São Luiz: tombado pelo Patrimônio Histórico Estadual em 1991. O último evento realizado ali foi a 20ª edição do Cine Ceará, entre 24 de junho e 1º de julho MIGUEL PORTELA (20/07/2010)

Farmácia Oswaldo Cruz: fundada em 1934, é a pioneira em manipulação no Ceará. Preserva a arquitetura, além de fazer exposição de objetos farmacêuticos antigos FRANCISCO VIANA 


Mercado Central: visitado diariamente por milhares de pessoas. No entanto, uma feira realizada nas imediações vem causando sujeira e desconforto para turistas FRANCISCO VIANA


Fonte: Diário do Nordeste

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Ninguém derruba a casa do português

O Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Histórico-Cultural aprovou o tombamento definitivo do extravagante imóvel do bairro Damas

O tombamento agora depende do parecer jurídico da Secretaria de Cultura de Fortaleza e da assinatura da prefeita Luizianne Lins (FOTO GABRIEL GONÇALVES)

Protegida contra intervenções que desfigurassem sua estrutura original desde 2006, quando o processo de tombamento foi aberto pela então Fundação de Cultura, Esporte e Turismo (Funcet), a Casa do Português, localizada na avenida João Pessoa, está prestes a ter seu tombamento definitivo oficializado. A aprovação por unanimidade do parecer favorável do arquiteto Romeu Duarte e da historiadora Ivone Cordeiro em reunião do Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Histórico-Cultural (Comphic) foi o passo decisivo para a conclusão do processo.

A decisão agora depende apenas do parecer do setor jurídico da Secretaria de Cultura de Fortaleza (Secultfor), que analisa o pedido de impugnação do processo de tombamento formalizado pelo atual proprietário. “Eu acredito que eles não levem isso à frente, porque já foi decidido pelo conselho”, afirma Clélia Monasterio, coordenadora de Patrimônio Histórico e Cultural da Secultfor. Após o parecer jurídico, o relatório do conselho deve ser encaminhado para assinatura da prefeita Luizianne Lins e registrado no Livro do Tombo, que já possui outras 31 edificações.

O prédio “pitoresco”, como foi muitas vezes adjetivado ao longo de seus mais de 60 anos de existência, teve sua preservação argumentada por ser uma referência da cidade, marco simbólico, arquitetônico e afetivo de Fortaleza. De acordo com o parecer, “o prédio notabilizou-se, desde a sua inauguração, por seu aspecto insólito e exagerado, espécime arquitetônico pitoresco em meio a uma Fortaleza constituída por uma arquitetura de escala comportada”.

Arquitetura kitsch
“A arquitetura da Casa do Português baseia-se no universo “kitsch”, como expressão material e cultural de uma classe social emergente, recém enriquecida e ávida por ostentação. Suas linhas evocam a força das estruturas de concreto, o romântico do ‘mission style’ californiano das arcadas e o idílico das longas pontes e passarelas, algo muito distante da arquitetura elaborada pelos pioneiros modernistas cearenses de então”, explica Romeu Duarte, professor de Arquitetura da UFC.

O tombamento da casa representa para Romeu a prova de que a ideia de “patrimônio cultural” está experimentando uma intensa expansão de seus critérios e público. “Há bem pouco tempo, a Casa do Português era motivo de riso por parte da ‘intelligentzia’ fortalezense, notadamente o segmento de arquitetura e urbanismo, quando esta passava pela Av. João Pessoa. Hoje é bem tombado pelo Município”, compara.

A casa de três andares (com 11 quartos e três banheiros apenas no primeiro deles), com uma rampa para automóveis que circunda sua robusta estrutura em concreto armado, chamou a atenção da população fortalezense desde sua inauguração em 1950. Comentava-se sobre a imensidão da casa construída pelo fazendeiro e comerciante português José Maria Cardoso para abrigar sua pequena família, composta apenas de esposa e filho único – não por acaso ele deu o nome de Vila Santo Antonio ao imóvel. Mas o que principalmente provocava o burburinho era a arquitetura inusitada para a época, que a fez figurar em cartões postais da cidade na década de 1960 e se transformar numa referência arquitetônica de Fortaleza.

Depois de servir de morada por alguns anos para a família de José Maria, o imóvel foi sede da Empresa de Assistência Técnica de Extensão Rural do Ceará (Ematerce) de 1965 a 1984, abrigou uma oficina mecânica, funcionou como cortiço, entre outros usos (ver coordenada), e figurou nas páginas dos jornais com notícias como a prisão de assaltantes e um suicídio. Hoje a estrutura do prédio aparenta abandono, apesar de abrigar algumas famílias, que vivem no lugar com autorização do proprietário.

DETALHES DA CASA

Famílias ocupam imóvel

1) A casa é ocupada por famílias com a autorização do proprietário 2) A intenção do dono é transformar o local em shopping do tipo outlet 3) O imóvel aparenta abandono


Pedro Rocha
pedrorocha@opovo.com.br

Fonte: O Povo