Mostrando postagens com marcador Teatro. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Teatro. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O conto que se reinventa

O conto "Lua Cambará", do escritor cearense Ronaldo Correia de Brito, ganha nova adaptação para o teatro, pela companhia pernambucana Ária Social. O musical será apresentado nesta quarta-feira, no Theatro José de Alencar


Livro, filme, música, ópera balé e agora uma "cantata cênica" com dança contemporânea e teatro. Pode-se dizer que o escritor Ronaldo Correia de Brito é "assombrado" por Lua Cambará desde a infância. Ainda criança, ele ouvia atento a história que o pai contava, repetidamente, da alma de uma mulher que vagava pelo sertão.

A narrativa ficou tão imbricada no imaginário fértil do garoto que este lhe deu vida por meio de um conto. A obra saiu do papel e se materializou de diferentes maneiras ao longo de 41 anos, chegando ao formato de uma "cantata cênica" - uma obra que mistura a linguagem da música com o teatro - como o escritor define a atual produção realizada pela companhia Ária Social, que chega a Fortaleza, nesta quarta-feira, para apresentação única no palco do Theatro José de Alencar.

O fascínio em torno da história trágica de Lua, uma mulher ressentida, malvada, que ama, não é correspondida e não encontra paz mesmo depois da morte, teve diversos desdobramentos artísticos. "Isso prova que a obra está viva. Tem 41 anos que ela saiu do sertão dos Inhamus e vaga por diversos lugares. É a literatura sendo adaptada para outros formatos e linguagens", observa o escritor.

Em 1990, a Companhia Sopro de Zéfiro transforma Lua Cambará em uma ópera balé, na qual a bailarina Cecília Brennand interpreta a heroína e o escritor cearense participa como diretor artístico. Em 2010, a produção ganha releitura, sob a direção de Cecília Brennand, com um balé formado por jovens atendidos por um programa social da Capital e Região Metropolitana de Recife.

A lenda de Lua, filha de coronel com uma escrava, já passou por palcos do Nordeste, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro desde julho do ano passado. "Queríamos levar para o Sudeste um espetáculo que tivesse a nossa cultura, por isso escolhemos Lua Cambará", explica a diretora artística. A produção foi organizada em quatro meses, possui um corpo de balé com 49 artistas e conta com músicas inéditas compostas por Antônio Madureira, parceiro do escritor Ronaldo Correia de Brito em outras adaptações do conto.

Novidade
Um dos diferenciais do espetáculo é o fato da história de Lua Cambará não ser contada, mas construída por meio dos sentimentos experimentados pela personagem. "Essa foi a produção mais completa que já realizei em meus 23 anos de carreira. Nesse espetáculo, temos sete luas, cada uma representando um sentimento. Em 1990, tínhamos a narrativa e eu interpretava Lua", observa a diretora, que interpreta os sentimentos de amor e morte da protagonista.

A fragmentação da heroína foi trabalhada em profundidade com os artistas de forma a que estes conseguissem expressar todas as emoções por meio de um complexo jogo de dança e interpretação. "Trabalhamos com as sensações mais primitivas do homem, como o amor, o ódio, a perda. Com isso, deu para perceber o amadurecimento da equipe ao longo do processo. As meninas, por exemplo, se tornaram mulheres", destaca uma das coreógrafas e diretoras artísticas do musical, Ana Emília Freire.

"Lua é uma morta cada dia mais gloriosa e bonita", brinca Ronaldo Correia de Brito ao descrever a sensação que teve ao assistir à produção. O autor assistiu à apresentação em São Paulo e destaca os efeitos de iluminação e som como duas grandes qualidades do espetáculo. "É muito impressionante, eu espero que em Fortaleza seja do mesmo jeito. É uma montagem atual, contemporânea. É muito bonito ver todo esse corpo de balé", comenta.

A versão da companhia Ária Social prima pelo aspecto musical da obra. Apesar de fiel ao roteiro dramatúrgico de Ronaldo, a obra é, em essência cantada, e a execução das músicas é ao vivo.

Conto
Lua Cambará foi escrita por Ronaldo Correia de Brito aos 20 anos. A história é uma adaptação de uma lenda oral parte do imaginário cultural do interior do Estado.

"Essas lendas têm nomes de pessoas de famílias da região e Lua Cambará é o que se conhece na literatura como mito do corpo seco. É a mulher ruim que mata, é rejeitada e, ao morrer, fica vagando e assombrando as pessoas", explica o autor. A história, aparentemente inofensiva para as gerações atuais, era mesmo de assustar, como confessa o escritor. Tamanho foi o medo da assombração que ela sempre o acompanhava no pensamento ao longo da infância e adolescência na região do Cariri, até que saiu da sua cabeça para ganhar o papel.

A experiência com os contos de assombração, o autor teve na infância, na Região do Cariri, para onde a família mudou-se quando este tinha apenas cinco anos de idade.

Apesar da origem da família do escritor ser a região dos Inhamus, foi no Cariri que o pequeno Ronaldo cresceu e lá se deparou com os mitos, lendas e narrativas repassados às diferentes gerações pela oralidade.

Cronologia
1970, Ronaldo Correia de Brito escreve o conto Lua Cambará

1975 , Ronaldo e Assis Lima escrevem um roteiro para cinema. A obra é rodada entre 1975 e 1977 em super 8, com direção de Horácio Carelli.

1977, Lua Cambará, com música de Antonio Madureira, é gravada pela orquestra Romançal

1979, a obra ganha versão em vídeo e é veiculado na televisão

1990, a Companhia Sopro de Zéfiro encena a ópera balé com coreografia de Zdenek Hampel

2001, Rosemberg Cariry filma Lua Cambará com Dira Paes e Chico Dias nos papeis principais

2003, Ronaldo Correia de Brito reescreve o conto Lua Cambará e edita no livro Faca, com a Cosac&Naify

2010, Nova encenação do espetáculo musical, com música ao vivo, por professores e alunos do Aria Social

MISSÃO
Arte engajada
O Aria Social é uma associação sem fins lucrativos, criada em agosto de 2004, para atender crianças e jovens de comunidades de baixa renda e vulnerabilidade social de Recife e Jaboatão dos Guararapes. Fruto da iniciativa da bailarina Cecilia Brennand, o projeto surgiu do desejo e da necessidade de democratizar a arte pelo que ela tem de força transformadora, de potencial educativo, de fortalecimento da autoestima e de propulsora da criatividade, tornando-se assim um acessível instrumento de formação. Atende, anualmente, em média, 420 educandos, entre 4 a 25 anos, em oficinas de formação continuada em dança, música, percussão e capoeira, oferecendo ainda atividades complementares para o ensino escolar formal, além de benefícios como transporte e alimentação.

MAIS INFORMAÇÕES:
Lua Cambará - espetáculo da Cia. Aria Social, às 20 horas, no Theatro José de Alencar. Ingressos:
R$ 15 (inteira) e R$ 7 (meia)


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Teatro-Arte nas ruas e praças

O grupo cearense Teatro de Caretas entra em temporada com dois espetáculos diferentes: "Cortejo de caretas" e "A farsa do pão e circo"

"A farsa do pão e circo", espetáculo que teve sua pesquisa contemplada com o prêmio Myrian Muniz

Com uma trajetória de mais de dez anos de atividades, o Grupo Teatro de Caretas vem trazendo alegria e reflexão para as praças e as ruas de Fortaleza, assim como para outras cidades do Nordeste brasileiro. Com forte atuação cultural e política, a companhia cearense busca inspiração para seus espetáculos teatrais nas manifestações tradicionais populares, sem deixar de dialogar com o questões e espaços urbanos.

"Nós fazíamos parte de um grupo de brincantes do Teatro Boca Rica. Foi quando tivemos a ideia de criar um grupo de teatro de rua. Ao longo desses anos, sempre fizemos espetáculos com textos autorais. Também embasamos algumas das apresentações na improvisação e no diálogo com a plateia", explica a atriz e integrante do grupo, Vanessia Gomes.

Pesquisa
A companhia cearense se encontra atualmente em temporada na cidade. Dividindo-se na concepção de dois espetáculos: "Cortejo de Caretas" e "A farsa do pão e circo". O primeiro deles é resultado de uma pesquisa desenvolvida pelo grupo, no ano passado, cujo interesse estava em analisar as máscaras teatrais e a performance do ator na rua.

"Cortejo de caretas", espetáculo que teve sua pesquisa contemplada com o prêmio Myrian Muniz

"Para a pesquisa analisamos, dentre outros, o Reisado de Ipueira da Vaca, realizado num assentamento rural em Canindé. Ele é um dos poucos que resguarda todos os procedimentos, quadros, a performance e a música presentes nas mais manifestações mais antigas. Depois, viajamos para o município de Jardim (CE), Rio Grande do Norte, Pernambuco, Maranhão, e retornamos ao Ceará, com uma visita ao Mestre Vicente Chagas com a tradição do Boi , em Guaramiranga", diz.

O grupo Teatro de Caretas tem mais de dez anos de atuação, com pesquisa na tradição performática dos caretas ALEX HERMES

O cortejo de caretas parte da estrutura tradicional dos reisados e manifestações que comportam a máscara em suas brincadeiras. O espetáculo, será realizado hoje, às 17 horas, na Praça José de Alencar, e dia 30, na praça Murilo Borges. Ele traz uma sucessão de quadros com figuras que se revezam em peripécias típicas aos encaretados.

Em "A farsa do pão e circo", o tema apresentado é outro. Trata-se de uma crônica contemporânea de nossas pequenas corrupções. Nela, cada um dos personagens busca com suas artimanhas conquistar o coração e o dinheiro da plateia.

O espetáculo integra a programação do Projeto Circo de todas as artes, durante os meses de setembro, novembro e dezembro. A próxima apresentação acontece neste domingo, às 17 horas, no Circo Escola do Conjunto Palmeiras.

MAIS INFORMAÇÕES:
Apresentações do Grupo Teatro de Caretas. Espetáculos Cortejo de Caretas, hoje, às 17 horas, na Praça José de Alencar, Centro. Dia 30, na praça Murilo Borges, Centro, no mesmo horário. "A farsa do pão e circo", no Circo Escola do Conjunto Palmeiras (Av. Castello de Castro, 2100), domingo, às 17 horas.


ANA CECÍLIA SOARES 
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Aracati recebe festival de teatro

O evento é uma reafirmação da resistência dos movimentos de teatro do interior cearense

Grupo de teatro de Aracati participa do festival nacional, que reúne diversos artistas do Brasil
FOTO: DIVULGAÇÃO

As ruas desta cidade estão tomadas de teatro, magia e poesia. Atores de rua de sete Estados participam, desde ontem, da sétima edição do Festival Nacional de Teatro de Rua. Os casarões antigos e monumentos históricos compõem o cenário do festival que traz 20 grupos, reunindo 200 atores do Ceará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba. O evento, que segue até sábado, ainda homenageia (em memória) o escritor e poeta Mário Lago e a figurinista Francisca Alves da Silva, a "Formiguinha", de Aracati.

No teatro de rua o acesso é gratuito e prático: não precisa pagar, só parar quem estiver passando. Artistas de caras pintadas ou de cara limpa mesmo. E na rua, em que o cenário cotidiano é palco para qualquer ficção, vale corpo e voz, para o som chegar a quem está do outro lado da rua. O evento, em seu sétimo ano, é uma reafirmação da resistência dos movimentos de teatro do interior cearense e de outros Estados. "Muitos grupos existem só na base da vontade própria", afirma o coordenador executivo do festival, Teobaldo Silva.

E no bom e velho "correr atrás", cerca de 200 atores já se avolumaram ontem à noite na abertura na Casa da Cultura, no Centro de Aracati. Quem abriu a série de espetáculos foi o Grupo Teatral Frente Jovem, anfitrião do evento, com a peça "Dengue em Verso e Prosa". Em seguida, se apresentaram o grupo Maracatu Nação Tremembé, de Sobral, e grupos musicais.

Homenagem
Nesta ano o Festival homenageia, com menções honrosas, o poeta, dramaturgo e escritor Mário Lago (1911-2002), e a costureira e figurinista Francisca Alves da Silva, a dona "Formiguinha", como era conhecida em Aracati. Falecida no ano passado, Formiguinha era símbolo de humor e irreverência, principalmente, pelos grupos teatrais de Aracati, que agradecem a ela a confecção de roupas e adereços de vários espetáculos realizados. No sábado, durante o encerramento, será exibido um documentário que teve a participação da costureira.

O Festival Nacional de Teatro de Rua, em Aracati, surgiu em 1999, idealizado pelo professor Tinoco Luna e tendo por iniciativa o Grupo Teatral Frente Jovem. O evento começou apenas com grupos de Aracati, depois passou a receber outros Municípios, e agora recebe sete Estados de Nordeste a Sul.


MAIS INFORMAÇÕES
Grupo Teatral Frente JovemMunicípio de Aracati
Vale do Jaguaribe
Teobaldo Silva: (88) 9964.8648

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Inscrições para XVIII Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga


A Mostra Paralela do XVIII Festival Nordestino de Teatro (FNT) de Guaramiranga está com inscrições abertas até o dia 10 de julho para grupos de teatro de atores e atores com bonecos de todos os municípios cearenses. O Festival é realizado pela Associação dos Amigos da Arte de Guaramiranga (AGUA) e promovido pelo governo do Estado do Ceará, via Secretaria da Cultura do Ceará.

O evento acontecerá de 03 a 10 de setembro em Guaramiranga e cidades vizinhas, localizadas no Maciço de Baturité, Ceará. Para participar os interessados devem preencher e enviar a ficha de inscrição disponível no site da AGUA , acompanhada do material especificado.

Segundo a organização do evento, em oito dias de atividades, o XVIII FNT contará com a Mostra Nordeste, espetáculos convidados, apresentações de cultura popular, shows, cortejos e lançamentos, além do Programa de Formação com ciclo de debates, oficinas e fórum.

Inscrições e informações: www.agua.art.br; (85) 3321.1405 / 8722.2677

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Teatro-Uma aventura mórbida

Com produção apurada e música ao vivo, a Cia Comédia Cearense estreia hoje o espetáculo "A Noiva Cadáver". A montagem fica em cartaz até agosto


Elenco de "A Noiva Cadáver": figurino e maquiagem tornam os personagens da peça semelhantes aos do filme
Sem nenhuma divulgação, apenas com uma faixa colocada na frente do Teatro Arena Aldeota, a Cia Comédia Cearense conseguiu gerar um certo burburinho quanto ao seu novo trabalho. "Não sabia que os jovens gostavam tanto dessa história, várias pessoas já perguntaram sobre a estreia", comemora Hiroldo Serra, integrante da Cia e diretor do espetáculo infantil "A Noiva Cadáver", que estreia hoje e segue até agosto.

A história origina-se de um conto popular russo, transformado em filme de animação pelo cineasta americano Tim Burton. Hiroldo baseou-se nos dois materiais para fazer a adaptação. "Construir um espetáculo teatral a partir de animação é mais difícil, é complicado contextualizar os elementos para o palco. Mas o resultado foi bom, mesmo quem não assistiu ao filme não perde elo com a história", ressalta o diretor. Finalizado o texto e definidos os personagens, foram necessários três meses de concepção cênica e ensaios.

Hoje, o público poderá conferir pela primeira vez o saldo do trabalho. Hiroldo antecipa que não somente as crianças irão aproveitar a apresentação. "Temos observado que os pais também curtem muito os espetáculos. Com ´A Noiva Cadáver´ deve acontecer o mesmo, porque tivemos muito cuidado no trabalho de cenografia, de figurino, de iluminação. O resultado é bem interessante", avalia Hiroldo.

Os atores Lúcio Leonn e Scarlett Abdon, que fazem os personagens Victor e Noiva Cadáver
De fato, o apuro estético é um dos fortes da montagem. O figurino, os adereços e a maquiagem tornam rico o visual dos personagens - todos bem semelhantes aos do filme de Burton.

"Utilizamos espuma e látex para construir aspectos físicos de alguns personagens, como o queixo enorme e o cabelo alto da mãe da noiva. A caracterização em látex foi feita por Cláudio Magalhães, a maquiagem é de Haroldo Jr e os adereços, de Carri Costa", esclarece Hiroldo.

O figurino contou ainda com a ajuda de Daniele Valente, que fez as pinturas à mão em tecido. "Para os ´caveirinhas´, por exemplo, foi preciso pintar todo um esqueleto humano nas roupas. E cada uma tem maquiagem de cor diferente", detalha o diretor, que também atua na peça.

O cenário e a iluminação - respectivamente, de Jota Amora e Nito Bates - também chama atenção. "Temos uma surpresa no final, com borboletas de acetato. É uma produção bem cuidada", garante Hiroldo.

O espetáculo é marcado ainda pelo uso da música. "Temos material gravado em estúdio e canções executadas ou cantadas ao vivo", explica o diretor. O destaque fica por conta da atuação do pequeno Gabriel Gomes, de oito anos, que toca o piano durante alguns trechos da peça.

"A mãe dele, a bailarina Adriana Gomes, coreografou o corpo de baile da ´Valsa Proibida´, montada no ano passado pela Comédia Cearense no TJA. Foi assim que conhecemos Gabriel. Ele também é um dos caveirinhas da ´Noiva cadáver´", revela Hiroldo.


Amor mórbido
A história do espetáculo gira em torno do jovem Victor (Lúcio Leonn), cujo casamento é arranjado com a moça Victoria (Natali Lima/Larissa Góis). A família do rapaz - os Van Dort - trabalha vendendo peixes e sempre quis fazer parte da alta sociedade, mas carece de classe. Já a tradicional família da noiva - os Everglot - possui requinte, mas está falida.

A união dos filhos é a saída encontrada. Desanimado pelo casamento sem amor e por conhecer sua futura esposa apenas na véspera do casamento, Victor não consegue dizer seus votos no dia do ensaio da cerimônia. O pastor, então, manda-o embora até que aprenda o que vai dizer.

Humilhado, o rapaz vaga pela floresta na tentativa de concretizar seus votos. Quando consegue, ele coloca a aliança no galho de uma árvore. Segundos depois, Victor percebe não se tratar de uma árvore e vê surgir uma mulher estranha. Assim ele descobre que, sem querer, casou com a Noiva Cadáver (Scarlett Abdon). Desde o misterioso assassinato da jovem, ela aguardava que o noivo a resgatasse.

A Noiva Cadáver leva Victor para o Mundo Subterrâneo. Desesperada, Victoria tenta justificar o desaparecimento do rapaz, mas seus pais não acreditam e lhe arrumam um novo casamento. Victor, então, precisa arrumar um jeito de voltar aos braços de seu amor vivo.

ADRIANA MARTINS
REPÓRTER

MAIS INFORMAÇÕESEspetáculo "A Noiva Cadáver". Estreia, hoje, às 17 horas, no Teatro Arena Aldeota (Rua João Carvalho, 630, Aldeota - Colégio Christus). Sessões todos os domingos, no mesmo horário, até agosto. Ingresso: R$ 20 (inteira). Contato: (85) 3261.2022

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Teatro do Seu Noel

Neste mês de maio, dois espetáculos teatrais cearenses integram memórias e canções de um dos maiores compositores de samba do País: o bom malandro da Vila Isabel, Noel Rosa


A noiva e o condutor, montagem do Coral de Artes Cênicas do IFCE: homenagem ao Poeta da Vila
Fazendo homenagem ainda ao centenário do bom sambista da Vila, Noel Rosa, ocorrido no ano passado, grupos cearenses exploram a prosa e a poesia de suas letras em dois espetáculos cênico-musicais. A partir de hoje, o Coral das Artes Cênicas do IFCE inicia uma temporada de apresentações pelos Centros Culturais do BNB, em Juazeiro, Sousa (na Paraíba) e Fortaleza com o espetáculo "A Noiva e o Condutor". Já a peça "Boteco do Seu Noel" será encenada apenas em Fortaleza, em duas praças da cidade, hoje e em todas as sextas-feiras de maio.

Adaptação
A parceria entre o diretor Aldrey Rocha e o Coral das Artes Cênicas do IFCE começou em 2007, mas a inserção de Noel Rosa na vida do grupo aconteceu no fim de 2008. A escolha pelo compositor foi estimulada pela pouca difusão do trabalho de Noel no Ceará. "Ele não é tão estudado aqui e poucas pessoas, na verdade, conhecem mesmo a obra dele. Noel é mais conhecido pela interpretação de outros artistas, mas isso causa confusão. Nem todo mundo sabe quais são as músicas de sua autoria", comenta Aldrey.

Tendo como ponto de partida a opereta "A Noiva do Condutor", o grupo adaptou a curta novela, transformando em um espetáculo que une teatro e canto. "A opereta só tem 20 minutos, o que nós fizemos foi nos basear na história para criar um texto e incluir na trama músicas do compositor, que já são todas de domínio público", explica o diretor.

"A Noiva do Condutor" foi composta entre os anos 35 e 36 e retrata com humor e simplicidade os hábitos da sociedade carioca na década de 30. A trama fala de Helena, moça apaixonada por Joaquim, que se diz grande advogado, homem das leis. O pai de Helena, vendo a filha tão enamorada, com muito custo consente o noivado. Mas os problemas começam quando Helena e o pai, certo dia, tomam um bonde no Centro e descobrem que Joaquim nada mais é do que um reles condutor.

O grupo, que é composto por 27 pessoas, leva aos palcos 18 artistas, que ofertam ao público canções como "Com que roupa", "Dona Emília", "Tudo pelo teu amor" e "Tipo zero". Percorrendo o Ceará e a Paraíba, o Coral de Artes Cênicas fará um total de oito apresentações no período de 3 a 13 de maio.

A temporada começa no CCBNB-Cariri, em Juazeiro do Norte, nos dias 3, 4 e 5, sempre às 19h. Em seguida, nos dias 6 e 7, também às 19h, no CCBNB-Sousa. A temporada se encerra em Fortaleza, nos dias 11, 12 e 13, com apresentações às 18h30.

Lembranças
Investindo em um modo original de relembrar os sucessos do sambista, o diretor e roteirista Murillo Ramos montou o espetáculo "Boteco do Seu Noel".

Na trama, quatro atores, malandros dos dias de hoje, contam a história do poeta de Vila Isabel em uma roda de botequim. O improviso e a atmosfera de festa ficam por conta da apresentação ao ar livre, que acontece em duas praças de Fortaleza: a Murilo Borges, próxima ao BNB e a José de Alencar, ambas no Centro da cidade.

A proposta da peça surgiu num dia em que Murillo e seus outros três amigos, que integram o elenco, ouviam "Fita amarela". "Quando soubemos que aquela composição era de Noel, ficamos pensando em quantas pessoas escutam suas canções sem conhecer sua história. Por isso, a iniciativa de montar um espetáculo", comenta o diretor. Há anos trabalhando com teatro de rua na Trupe Caba de Chegar, Murillo definiu que a peça deveria ser encenada no meio da praça.

Assim, longe da paisagem de época, mas sim em um boteco improvisado, ao sabor do churrasquinho de gato, da pinga quente e da cervejinha de isopor, músicas inesquecíveis do cancioneiro popular brasileiro são lembradas junto à história do sambista. "Nossa ideia era contar a vida do Noel aos moldes de hoje", afirma Murillo. Desse modo, pode-se considerar que a questão fundamental do espetáculo é: quem é o malandro dos dias atuais?

"O malandro daquela época, de paletó branco e chapéu-palheta, era o cara mal visto pela sociedade elitizada, eram os artistas da comunidade. Hoje ele é traduzido pela bermuda e chinelas de dedo, pela linguagem popular, mas a identidade dele ainda é um tanto indefinida", teoriza o diretor.

"Boteco do Seu Noel" acontece apenas em Fortaleza, nas quatro sextas-feiras de maio, sempre às 17h, na Praça Murilo Borges (dias 6 e 20); e na Praça José de Alencar (dias 13 e 17).

MAYARA DE ARAÚJOREPÓRTER

MAIS INFORMAÇÕESBoteco do Seu Noel. Hoje e 20 de maio na Praça Murilo Borges, às 17h; e dias 13 e 17 na Praça José de Alencar, às 17h. Contato: (85) 3464.3108

 Fonte: Diário do Nordeste

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Teatro na calçada

A partir de hoje, até domingo, sempre no finalzinho da tarde, o grupo Nóis de Teatro apresenta seu mais novo espetáculo - "O que mata é o costume!". O trabalho pretende suscitar discussões sobre cultura contemporânea, convenções sociais e os paradigmas cênicos do teatro de rua. Tudo isso ao ar livre, bem em frente ao TJA

O grupo cearense Nóis de Teatro, em sua nova montagem, "O que mata é o costume!": Brecht e crítica à cultura pop

Atores, vários equipamentos eletrônicos e músicas em alto volume de cantoras pop internacionais. Tudo isso no meio da rua, bem em frente ao Theatro José de Alencar. A proposta, inicialmente meio maluca, faz parte do espetáculo "O que mata é o costume!", do grupo Nóis de Teatro. A apresentação acontece amanhã, sexta e sábado, e foi montada com apoio da Secretaria da Cultura do Ceará (Secult).

Dividida em dois atos, a peça é uma livre adaptação do texto "Aquele que diz sim, Aquele que diz não", do alemão Bertold Brecht (1898 - 1956), baseado em um conto japonês e escrito em 1930. A temática, no entanto, permanece atual.

No caso de "O que mata é o costume!", a reflexão gira em torno de como o ser humano se comporta diante de determinadas situações. Os dois atos são compostos de situações extremas, com desfechos diferentes. A montagem parte de um processo colaborativo, no qual os atores experimentaram a fusão de elementos do Teatro Épico, do Teatro do Oprimido, da performance e outras linguagens.

"Abordamos pontos como homofobia, matrimônio, aborto e outras situações sociais, nas quais os atores-perfomers precisam tomar decisões, dizer sim ou não, como explica o título do texto de Brecht", explica o coordenador geral do Nóis de Teatro, Altemar di Monteiro. "Muitas vezes não são os personagens que respondem, porque são empurrados socialmente", complementa.

Tudo junto e misturado
A partir disso, a peça propõe uma reflexão ainda mais ampla, sobre a cultura contemporânea e a quebra de paradigmas no teatro de rua. "Ao nos aproximarmos do texto de Brecht, vimos que ele tinha a ver com a quebra de costumes, o que suscitou também uma abordagem de questões políticas e da quebra de paradigmas na concepção dramática e cênica do teatro de rua", analisa Monteiro.

A concepção do espetáculo passou também por uma pesquisa sobre experiências urbanas como performances, happenings e os flash mobs. "Aliamos tudo isso a elementos da cultura pop, da qual nos apropriamos para poder também criticá-la. No espetáculo, usamos músicas de cantoras pops internacionais, como Madonna e Lady Gaga. Vimos que é um barato, as pessoas passam, ouvem o som e param. É uma estratégia diferente de chamar atenção", observa Monteiro.

Já no segundo ato, uma grande novela é apresentada ao público, como uma sátira, uma crítica ao produto enlatado. São utilizadas músicas temas, cenas clássicas e outros elementos relacionados ao formato.

Outra estratégia utilizada na peça para discutir a questão do espaço cênico na rua é a utilização de ferramentas audiovisuais e de equipamentos eletrônicos diverso. "Temos televisões, liquidificador, ventilador. Levamos essa parafernália para a calçada, em uma encenação multi-midiática. Com isso pretendemos questionar o que é o teatro de rua, quais suas novas possibilidades", detalha o coordenador geral.

Todas essas reflexões, e o próprio espetáculo "O que mata é o costume!" derivam de outra peça, "Sertao.doc", também criada pelo grupo e em cartaz aos domingos deste mês no palco sob a passarela do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.

"Em ´Sertão.doc´ também utilizamos recursos multi-midiáticos, como projetores e música ao vivo. Em seguida, começamos a afinar mais essas pesquisas a partir da criação de um grupo de estudo, o Regra de Três", recorda Monteiro.

"Sertão.doc" trata de questões sociais relacionadas à terra, a exemplo da reforma agrária. "Envolve experiências que tivemos com assentamentos. Já fomos a Porto Alegre com essa peça, vamos ainda à Bahia e ao Maranhão. Ela nos deu boa visibilidade", comemora Monteiro.

Voltado ao teatro de rua, o Nóis de Teatro existe há nove anos. Entre seus espetáculos mais importantes destacam-se "O Juiz de Paz na Roça" (2007), Artimanhas (2008), "A Granja" (2009), "Sertão.doc" (2010) e "O que mata é o costume!" (2011), totalizando mais de 200 apresentações nos últimos três anos de atividades.

ADRIANA MARTINS
REPÓRTER

MAIS INFORMAÇÕES
Espetáculo - "O que mata é o costume!",
do Grupo Nóis de Teatro. Às 17h30, na calçada do Theatro José de Alencar (Rua Liberato Barroso, 525 - Centro). Grátis. Contato: (85) 3101.2583 e (85) 8720.1135

Fonte: Diário doNordeste

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Companhia teatral realiza leituras dramáticas

Em Tauá, estudantes e o público em geral têm a oportunidade de aprofundar o contato com o fazer teatral

Jovens atores sociais, com idades entre 9 e 17 anos, buscam favorecer a narratividade dos participantes
FOTO: SILVANIA CLAUDINO
Tauá Até o dia 5 de maio, a comunidade estudantil e a população têm a oportunidade de assistir a espetáculos teatrais produzidos pelos alunos do próprio Município, por meio do projeto II Ciclo de Leituras Cínicas, realizado pela Companhia Artes Cínicas de Teatro.

O projeto, em sua segunda edição, iniciou em janeiro, propiciado pelo êxito obtido em 2010. A iniciativa une literatura e teatro, trabalhando leituras dramáticas junto a crianças e jovens.

Para esta edição, foram selecionados três textos: "A Farsa de Romeu e Julieta", de José Mapurunga, "As Bondosas", de Ueliton Rocon e "As artimanhas de Simão ou O Causo dos Dotes", de Márcia Oliveira. Trabalhadas em sequência, as leituras dramáticas envolvem no elenco onze atores e três músicos.

Programação
Atualmente, o grupo está apresentando a leitura do primeiro texto, desde o dia 26 de abril. Alunos do Liceu de Tauá e do Projovem Adolescente já assistiram às apresentações.

No dia 4 de maio, será a vez dos alunos do Ceja e no dia 5, haverá apresentação para o público em geral no Largo da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário. As apresentações do projeto são gratuitas.

"O Ciclo de Leituras Cínicas é uma ação que se assume como a possibilidade de articular literatura e teatro, uma vez que em seu interior são trabalhadas leituras dramáticas de textos teatrais que têm como marca a comicidade", relata o produtor Gilmar Costa. Ele ressalta que depois das apresentações das leituras, são realizadas conversas formativas entre os atores e o público, com o intuito de favorecer a narratividade de suas impressões sobre as leituras dramáticas e o fazer teatral como um todo.

Para o produtor, as leituras dramáticas são eficazes instrumentos para formar público leitor e apreciador do fazer teatral. Daí, ao realizar o II Ciclo de Leituras Cínicas, a companhia se propõe a trabalhar com diversos textos teatrais integrantes da dramaturgia cearense e nordestina, beneficiando atores sociais de 9 a 17 anos de idade, participantes de atividades em espaços culturais e educacionais de Tauá, mantidos pela esfera pública e em espaços livres, como ruas, calçadas e praças.

A ideia para a implantação do projeto foi motivada pela participação de atores no Festival dos Inhamuns de 2006 e 2009 na cidade, promovido pela Secretaria da Cultura do Estado (Secult). Alguns de seus atores participaram da leitura dramática da crônica de Dona Maria Quitéria dos Inhamuns, dirigida por Sidney Souto, na programação do II Festival dos Inhamuns - Circo, Bonecos e Artes de Rua de 2006, e na Oficina Pesquisa e Elaboração de Textos, ministrada por Selma Santiago e Ronaldo Agostinho, que integrava o projeto de Formação nas Áreas de Circo, Bonecos e Artes de Rua - programação preparatória para o IV Festival dos Inhamuns, em 2009.

A Companhia Artes Cínicas de Teatro atua neste Município desde o ano de 2007, e é composta por um grupo de jovens envolvidos com as dimensões da arte, da cultura e da educação, constituindo-se como entidade cultural civil sem fins lucrativos. Realiza ações artísticas e, ainda, teatrais em parceria com diversos órgãos públicos e, também, privados.

MAIS INFORMAÇÕES
Cia. Artes Cínicas de Teatro Avenida Coronel Lourenço Feitosa, 61 Sala 4, Centro - Tauá-CE

Telefone: (88) 9915.8406

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Morte e ressurreição de Jesus são destaque em duas montagens

A Paixão, da diretora Milza Gama, e O Gólgota, da Comédia Cearense, se apresentam, respectivamente, no teatro do Via Sul e Praça Verde do Dragão do Mar
   Pela segunda vez na cidade, A Paixão da diretora Milza Gama aposta desta vez no formato de musical (DIVULGAÇÃO)   

Duas montagens, cada qual com sua especificidade, são os grandes destaques da Semana Santa neste ano. A primeira, desta vez em formato de musical, é A Paixão que, dirigida por Milza Gama, prossegue em cartaz hoje (21), às 17 e 20 horas; e amanhã (22), às 20 horas; no teatro do Via Sul Shopping (bairro Sapiranga).

Com o ator carioca Bill Sala no papel principal, o espetáculo traz um elenco de cerca de 70 componentes, entre atores, bailarinos, figurantes e cantores, além de contar com tecnologia que faz uso de projeção em telão e iluminação que, de acordo com a diretora, ‘desenha’ o palco. aA montagem, que já foi apresentada por um período de 10 anos no Rio de Janeiro - inclusive ao ar livre, nos Arcos da Lapa - espera receber um público estimado de 2.800 espectadores durante a temporada atual.

Partindo para o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Praia de Iracema), a veterana Comédia Cearense, sob o comando de Haroldo Serra, terá como responsabilidade contar por mais um ano a história dos últimos dias de Jesus pela terra com o conhecido espetáculo O Gólgota - A Paixão de Cristo.

Com acesso gratuito, a encenação será realizada na Praça Verde e contará, a partir das 18 horas, com a apresentação de recitais sacros e de canto coral. No elenco, 31 atores - alguns remanescentes ainda da primeira montagem realizada no centenário Theatro José de Alencar - serão auxiliados por toda uma infraestrutura de som digital, iluminação, efeitos visuais, figurino e até show pirotécnico.

SERVIÇO

MUSICAL A PAIXÃO
Quando: hoje (21), às 17 e 20h; e amanhã (22), às 20h.
Onde: teatro do Via Sul Shopping (av. Washington Soares, 4335 - 3º piso).
Quanto: R$ 20.
Outras informações: 3404 4027.

O GÓLGOTA
Quando: de hoje (21) a sábado (23), sempre às 18h. Grátis.
Onde: Praça Verde do Centro Dragão do Mar (rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema).
Outras informações: 3488 8600.

Fonte: O Povo

terça-feira, 19 de abril de 2011

Capital terá espetáculos

Muito famosa nos anos 1940 e 1970, a peça "O Gólgota - A Paixão de Cristo" volta a ser apresentada

Durante a Semana Santa, que se iniciou no último domingo, acontecerão espetáculos da Paixão de Cristo na Capital. Os fortalezenses já estão ansiosos para acompanhar as encenações sobre o calvário de Jesus. As representações acontecem na Praça Verde do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, no Anfiteatro do Parque do Cocó e também nas ruas do Bairro Aerolândia.

As ruas do bairro Aerolândia vão se transformar em verdadeiro palco para as encenações do espetáculo da Paixão de Cristo na próxima sexta-feira, 22. O Grupo de Teatro João Paulo II promete despertar alegria e emoção em cerca de 2.000 espectadores. A apresentação já é realizada há onze anos.

O início será na Capela Santo Antônio, com os episódios da última ceia e da condenação de Jesus, seguindo pelas vias Aspirante Mendes, Tenente Jaime Andrade e Capitão Olavo, até a crucificação na Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração.

Pelo segundo ano consecutivo, o espetáculo foi contemplado com o VII edital Ceará da Paixão, da Secretaria de Cultura do Governo do Estado. Além do incentivo público, a colaboração de comerciantes do bairro tornou possível a melhoria da estrutura do palco, do cenário, da iluminação e do som para a encenação deste ano.

Domingo
A ´Ressurreição de Cristo´ também será dramatizada, no domingo, 24, a partir das 5h da manhã, durante a celebração, que começa com a procissão dos fiéis saindo da Capela Santo Antônio até à Paróquia Nossa Senhora do Sagrado Coração.

Durante os dias 21, 22 e 23, sempre começando às 19h, os fortalezenses terão a oportunidade de assistir à apresentação teatral "A Paixão de Cristo", gratuitamente, na Praça Verde do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. O evento vai iniciar com recitais sacros e também de canto coral.

O espetáculo conta com cerca de 300 profissionais, entre atores, figurante e técnicos de produção, em uma montagem genuinamente cearense. A realização é do Governo do Estado do Ceará.

A organização do evento estima um público de oito mil espectadores nos três dias de apresentações. A montagem tem aproximadamente duas horas de duração e conta com um elenco de 31 atores, em sua maioria nomes consagrados das artes cênicas cearense.

Gólgota
Com o objetivo de reviver uma das principais encenações dos últimos dias de Jesus o grupo Comédia Cearense leva ao Anfiteatro do Parque do Cocó, nos dias 21, 22 e 23, às 18h, a peça "O Gólgota - A Paixão de Cristo". Esse espetáculo, entre os anos 1940 e também no fim dos anos 1970, fez bastante sucesso em Fortaleza.

Considerada uma página antológica da história do teatro cearense, "O Gólgota" teve grandes nomes das artes cênicas nos palcos, começando com o elenco da Escola Dramática de Fortaleza, composta por nomes como o radialista José Limaverde, Abel Teixeira, Afonso Jucá e José Oliveira.

Em um grande palco montado no anfiteatro do Parque do Cocó, com infraestrutura técnica com som digital, show pirotécnico, iluminação, efeitos visuais e figurino elaborado, o espetáculo conta com mais de 300 profissionais. A expectativa é de que o público supere os oito mil espectadores.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

1ª Mostra Estadual de Teatro Acadêmico do Ceará- META

Encontro reúne grupos cearenses vindos das escolas de nível superior e do ensino médio em teatro para um festival competitivo. Realização entre 03 a 07 maio de 2011, dentro da programação cultural da VIII Semana de Humanidades da UECE/UFC. Inscrições para espetáculos abertas até 21 de abril.

A Cia. Sonhar de Artes Cênicas em parceria com a Universidade Federal do Ceará (UFC) e com a Universidade Estadual do Ceará (UECE), com o apoio do SESC, da Cia. Pã de Teatro e do Teatro Universitário da UFC, realiza a 1ª Mostra Estadual de Teatro Acadêmico do Ceará - META, como evento de característica única no Estado, a congregar exclusivamente grupos cearenses oriundos das escolas de nível superior e de educação profissional técnica de nível médio em um festival competitivo, promovendo mais uma instância de estímulo a produção e a pesquisa em artes cênicas.

Essa iniciativa inovadora para o meio acadêmico do Ceará ocorrerá no período de 03 a 07 maio de 2011, dentro da programação cultural da VIII Semana de Humanidades da UECE/UFC. Possuirá duas sessões diárias de espetáculos, totalmente gratuitas e abertas para a comunidade em geral, assim como também mesas redondas, palestras e oficinas realizadas nos espaços cênicos disponibilizados pelas Universidades parceiras, de forma a inserir o teatro no cotidiano do meio acadêmico e da população local, permitindo a democratização do acesso à cultura e a formação de plateia.
 
Confira mais informações: aqui

Fonte: Oktiva.net

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Cordel itinerante

A segunda semana do Palco Giratório em Fortaleza começa com folclore e literatura de cordel: o grupo Imbua- ça, de Sergipe, faz sua passagem com as cores, os cantos e as danças nordestinas

O grupo se apresentou neste fim de semana em Feira de Santana, na Bahia, e já no domingo aportou em Fortaleza. Viajando o Brasil através do projeto Palco Giratório 2011, os sergipanos do Imbuaça trazem para o Sesc cearense toda a molecagem do teatro, da dança e da dramaturgia popular nordestina. O nome do grupo é uma homenagem ao artista popular Mané Imbuaça, um embolador sergipano.

"A gente começou a partir do Festival de Arte de São Cristovão, em Sergipe, no ano de 77. Tinha um grupo, o Teatro Livre da Bahia, que estava apresentando lá um teatro de rua com cordel, quando a gente viu quis copiar a ideia. Mas aliamos a isso a utilização das danças dramáticas", comenta o ator Lindolfo Amaral. Foi desse modo que a literatura de cordel e as danças tradicionais se tornaram a base fundamental da companhia.

Em Fortaleza, o grupo encena "O mundo tá virado" e "O teatro chamado cordel", hoje e amanhã, respectivamente. O primeiro espetáculo é fruto da união de três histórias curtas, que, com humor, exploram duas características do ser humano: a ingenuidade e o seu antônimo, a esperteza.

No espetáculo "O mundo tá virado", o figurino e os adereços são destaque. Os elementos ajudam a compor as danças e as encenações do teatro de rua tradicionalmente nordestino do grupo
Já em "O teatro chamado cordel", é feita uma seleção de textos da literatura popular: "O Matuto com o balaio de maxixi", de José Pacheco; "A Moça que bateu e virou cachorra", de Rodolfo Coelho Cavalcante e "O Malandro e Graxeira no chumbrego da orgia". A interpretação dos causos são intercaladas por danças e músicas folclóricas.

Circulação
"Nossa intenção, nesses mais de 30 anos, sempre foi alimentar nossa atuação teatral a partir da literatura popular. Se você trabalha na rua, o desafio é procurar elementos que têm mais relação com o público, porque a rua é democrática, é o espaço de todas as manifestações, todas as classes. Então como ter certeza dos temas com os quais o povo se identifica?", comenta Lindolfo. Sobre isso, a itinerância do grupo, fazendo turnês pelos estados e participando de circulações como o Palco Giratório, ajuda a compor sua estética. "É muito interessante quando viajamos para a região Sul, por exemplo, e percebemos as pessoas tentando entender de onde vêm as referências de nossas danças e cantos tradicionais. É diferente da cultura delas, mas é Brasil", reforça o ator.


O grupo já esteve no Ceará nos anos de 2002 e 2004, durante o Festival de Teatro de Guaramiranga. Segundo Lindolfo, a companhia tem uma forte ligação com o Ceará, que capta e se diverte com a valorização do popular empregada pelo grupo.

Preparação
Um dos pilares do Imbuaça é, sem dúvida, a formação. O grupo investe em montagens de oficinas em Sergipe e, por elas, já passaram mais de cem alunos. Alguns formaram novos grupos, como o "Alegria, alegria", de Natal, no Rio Grande do Norte; e "Quem tem boca é pra gritar", que hoje atua em João Pessoa, na Paraíba. Para a produção dos espetáculos, além dos estudos teóricos, são feitas aulas de canto, dança e de música.

Fique por dentro  
Os velhos folhetos
As raízes da literatura de cordel brasileira estão principalmente na Espanha, em Portugal e um pouco na França. Apesar de haver outras interpretações, a origem do termo "cordel" mais difundida é a de que veio de Portugal, onde os folhetos eram vendidos em feiras, pendurados em barbantes, chamados cordéis. No Nordeste, o cordel ganhou força. Os temas abordados podem ser universais: desde as lendas europeias até o folclore brasileiro. Do folheto educativo, que aborda saúde, até os mais sátiros e humorísticos.

MAIS INFORMAÇÕES
"O mundo tá virado" Hoje, às 18 horas, no Sesc Fortaleza

(R. Clarindo de Queiroz, 1740, Centro).

"O teatro chamado cordel", amanhã, às 18 horas, no Sesc Fortaleza. Livre. Ingressos: R$ 10 (inteira).

Contato: (85) 3452.9067

MAYARA DE ARAÚJO
 REPÓRTER

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Uma imersão literária

Projeto do Centro Cultural BNB, "Abril para a Leitura" presta homenagem à arte das letras com uma mostra babélica, onde cabem teatro e artes visuais

Cena da peça "Ensaio para um silêncio", do grupo Expressões Humanas, sob direção de Herê Aquino. O espetáculo é livremente baseado no romance "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector
Uma programação de fôlego para o mês mais literário de todos. Assim será o evento multimídia "Abril para Leitura", promovido pelo Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB) de Fortaleza. O projeto pretende marcar as datas comemorativas relacionadas ao livro e à leitura, comemoradas nas próximas semanas: o dia internacional do livro infanto-juvenil (02/04); o dia nacional do livro infantil (18/04); e o dia mundial do livro
(23/04).

Com entrada gratuita, a programação abrange peças de teatro adulto e infantil, um espetáculo cênico-musical, curso de apreciação de arte, oficina de formação artística, palestras e debates, passeios no Trenzinho da História, exibições de curtas-metragens, contação de histórias e uma Tenda Poética, entre outras atividades.

A agenda já tem início hoje, com a apresentação da peça "Ensaio para um silêncio", do grupo Expressões Humanas, com direção de Herê Aquino. Livremente inspirado no romance "A Hora da Estrela", de Clarice Lispector, o espetáculo é uma tentativa da captar a essência do silêncio que penetra o vazio do ato da criação. A peça se trabalha o jogo entre criador e criatura e dos diversos "eus" que duelam na criação de personagens.

Na sexta-feira seguinte é a vez do espetáculo "Algumas histórias de amor", dirigido e encenado por Edivaldo Batista e Paula Yemanjá. Escrito a partir de contos de Marina Colasanti e Nelson Rodrigues, a peça traz à tona sentimentos e relações discutidas à luz de uma bela refeição, por meio de personagens como uma mulher que espera o marido ausente, e outra que se empanturra de comida para deleite do esposo.

Além do teatro, também há espaço para o cinema. A programação especial exibirá quatro curtas-metragens cujo foco é a literatura, em dois sábados: "Memórias de papel", "Como comer um elefante", "Pedreiro literário" e "Nosso livro".

Quem prefere ser mais do que espectador deve apostar na Tenda Poética, onde durante dois dias acontecem performances, rodas de leitura, leituras dramáticas e a Mostra de Poesia Falada. O público poderá inscrever sua poesia e apresentá-la no palco do CCBNB - Fortaleza.

Para os pequenos
Os domingos são dedicados ao público infantil. No dia 3 será apresentado o espetáculo "Livrolândia - O Reino da Leitura", com a Cia. Camarim de Teatro e direção de Davidson Caldas. A peça conta a saga de um rei que se cansou de ler histórias e decidiu lançar um concurso em seu reino para a pessoa que tivesse a voz mais bonita e soubesse ler bem. O espetáculo será reapresentado dia 17 (domingo), nos mesmos horários e local, e no dia 30, às 17h30, no Centro Cultural Patativa do Assaré (Av. B, 701), no Conjunto Ceará, dentro do programa Arte Retirante.

No dia 10 será a vez de "Em cada canto um conto", com o grupo potiguar Carmim e direção de Rogério Ferraz. Trata-sede um espetáculo lúdico e musical que trata da narração de histórias e brincadeiras populares. As histórias ressaltam valores como lealdade, trabalho em equipe e honestidade.

Também aos domingos acontece a oficina de arte "Animais inventados de biscuit" e o passeio no Trenzinho da História. A oficina parte da leitura do livro "O coelhinho esquisito descobriu que é bonito" para estimular as crianças a criar animais imaginários com as peças de biscuit. Já o passeio é direcionado a crianças de até 12 anos e seus acompanhantes. O trenzinho vai percorrer ruas e avenidas do Centro Histórico de Fortaleza, mostrando as principais praças e monumentos históricos da região. Haverá uma parada de 20 minutos na Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel.

Dentro da programação infantil acontece ainda a contação de histórias "Marcelo, Marmelo, Martelo", baseada no livro homônimo da escritora de literatura infantil Ruth Rocha. Na história, um simpático menino muito curioso passa a questionar o nome e o sentido das coisas.

Conhecimento
Sem esquecer as ações formativas, o "Abril para Leitura" realiza no período de 5 a 7, o curso de apreciação de arte "Fortaleza das Letras: a Cidade na Literatura", ministrado pelo professor Carlos Eduardo de Oliveira Bezerra. O curso visa apresentar poemas, trechos de contos, romances e crônicas da literatura cearense, que enfocam a Capital cearense, no mês do aniversário da cidade.

Por sua vez, a oficina de formação artística "Laboratório de produção literária" acontece no período de 12 a 15, com o objetivo de vivenciar a criação literária de narrativas, através de conhecimentos teóricos e exercícios práticos de escrita artística.

Já no Literatura em Revista, um programa de apreciação e difusão literária, as escritoras Érica Zíngano, Roberta Ferraz e Renata Huber falam sobre o livro "fio, fenda, falésia", no dia 26. Na edição seguinte do programa, dia 30, o poeta Ítalo Rovere rememora em prosa e verso as viagens que fez para a Índia em 1989, 1990, 1991 e 1997, para encontrar-se com a Madre Teresa de Calcutá, com quem conviveu e trabalhou.

Já o programa Troca de Ideias traz, no dia 26, o artista visual Efrain Almeida. Cearense radicado no Rio de Janeiro, Efrain participará de uma conversa com o público sobre sua trajetória artística e história de vida. Além disso, lançará o livro "Efrain". Seus trabalhos afirmam o caráter autobiográfico de sua produção, que levanta questões relacionadas à natureza do sertão nordestino, ao corpo, à sexualidade e à religião.

Por fim, nos dias 12 e 26, acontece o Clube do Leitor, um programa onde as pessoas se encontram para participar de um grupo e compartilhar novas leituras e conhecimentos. A programação inclui ainda espetáculos e debates em outros municípios cearenses, dentro do programa Arte Retirante.

Programação
Hoje e 15/04 - Peça "Ensaio para um silêncio", às 15 horas e às 18h30

3/04 - Espetáculo "Livrolândia - o Reino da Leitura", às 11h e às 17h

De 05 a 07/04 - Curso "Fortaleza das Letras: a Cidade na Literatura", de 14h às 18h. Inscrições gratuitas na recepção do CCBN

8/04 - Espetáculo "Algumas histórias de amor", às 15h e 18h30

10/04 - Espetáculo "Em cada canto um conto", às 11h e 17h

12 a 15/04 - Oficina de formação artística "Laboratório de produção literária", de 14h30 às 18h30

19/04 - Conversa com as escritoras Érica Zíngano, Renata Huber e Roberta Ferraz, autoras do livro "fio, fenda, falésia", às 18h30

26/04 - Conversa com o artista visual Efrain Almeida, às 18h

Confira programação completa do evento no site do CCBNB - Fortaleza

http://migre.me/49BEa

MAIS INFORMAÇÕES
Abril para Leitura - De hoje até 30 de abril no CCBNB - Fortaleza (Rua Floriano Peixoto, 941, Centro). Contato:
(85) 3464.3108

ADRIANA MARTINS
 REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

domingo, 27 de março de 2011

Caminhos de artista

Neste célebre domingo, em que o mundo comemora o Dia do Teatro, o Diário do Nordeste volta seus olhares para aprendizes e mestres. Os alunos escolhem seus caminhos formativos, enquanto os mestres repensam seus espaços de debates e de encontros. O Caderno 3 traz hoje a voz de atores e diretores, dá dicas de cursos, discute sobre os festivais do País e apresenta o rico calendário de artes cênicas de que o Estado dispõe. Arrumem-se nas poltronas e desliguem os celulares. O espetáculo já vai começar!

Joca Andrade com os alunos do curso de pricípios básicos do TJA
FOTO: ALEX COSTA
Talentos artísticos são, por vezes, descobertos com uma ajudinha do acaso. Mas depois de identificados é importante pensar em aprimorá-los. No Ceará, não são poucas as pessoas que percebem, na escola, na igreja ou entre os amigos, um gérmen de talento para as artes cênicas.

Alguns deles se tornam atores, diretores e até dramaturgos amadores dentro de seus círculos sociais, mas nem todos decidem tornar a atividade em profissão. Muitos por não acreditarem no teatro como uma carreira estável, outros simplesmente não sabem por onde começar.

Para dar continuidade aos estudos de teatro, seja com o intuito de aprimorar o hobby ou até alcançar a chance de se apresentar em grandes palcos do Estado e fora dele, são necessários estudos complementares, que auxiliem a compreender as nuances das artes de interpretar, dirigir e e escrever para a cena.

Pensando nessas demandas, alguns equipamentos de Fortaleza e companhias da cidade ofertam cursos de formação, em que os princípios básicos do teatro são repassados aos jovens futuros atores, iluminadores, figurinistas ou diretores.

Espaços e alunos
Detentor do título de curso de teatro mais tradicional de Fortaleza, o Curso Princípios Básicos do Theatro José de Alencar foi idealizado entre os anos de 1987 e 1989, tendo se firmado como curso de formação há 20 anos, em 1991, no período pós-reforma do Theatro José de Alencar. Comandado pelos diretores João Andrade Joca e Paulo Ess, o CPBT já formou 642 jovens artistas, responsáveis pela montagem de 38 espetáculos de encerramento de turma.

Pelo Curso Princípios Básicos se formaram grandes atores e criadores teatraos, como Gero Camilo, ator das produções "Bicho de 7 cabeças", "Carandiru" e "Abril despedaçado"; Silvero Pereira, diretor do Grupo Parque de Teatro, reconhecido pela trilogia "Cabaré da Dama" sobre o universo das travestis; e Almeida Jr., diretor da Companhia Teatral Acontece, realizadora, há 8 anos, do festival de esquetes Fecta.

Segundo Joca Andrade, pelo menos 70% das pessoas que procuram o curso tem entre 15 e 18 anos. Metade delas vem de escolas públicas e alguns são alunos universitários das mais diversas áreas: matemática, física, letras e etc. Sobre isso, um dado curioso é a presença de pessoas que já fazem cursos de ensino superior em teatro, que procuram o CPBT para vivenciar uma maior imersão na prática, já que as faculdades, de acordo com o depoimento dos estudantes a Joca, prioriza a teoria.

A maioria dos iniciados, no entanto, não dá continuidade à carreira. "Após 20 anos de curso, de uns 100 que se formaram, conseguimos identificar 10 ou 12 que ainda estão trabalhando com teatro". Esses estão presentes no circuito não apenas como atores, mas como produtores, diretores, roteiristas, performers e professores de teatro em escolas e cursos. Joca admite que o mercado para teatro, apesar de já ter melhorado bastante, ainda não é nada fácil. Para os atores com veia cômica apurada, a melhor alternativa para certa estabilidade financeira tem sido os shows humorísticos: peças de humor ou stand-up.

"O público tem comparecido de forma muito intensa e as oportunidades estão surgindo: a popularidade de artistas da periferia, as políticas de editais, tudo isso colabora para a formação de um teatro mais comercial, eu diria. Um exemplo é a companhia Vemarte, que nos procura para indicar atores. Eles pagam ensaio, temporada, os atores tem um salário. Isso é maravilhoso", afirma Joca.

Um dos grandes orgulhos do dramaturgo foi poder indicar uma de suas alunas, a atriz Roberta Sieny, e vê-la satisfeita como nunca: a primeira assinatura de sua carteira profissional foi como atriz. "Os jovens que sonham em fazer teatro por toda a vida precisam acreditar nisso, existem caminhos", reforça João Andrade Joca.

MAYARA DE ARAÚJO
REPÓRTER

Fonte: Diário do Nordeste

Ceará respira teatro

Em comemoração ao Dia Mundial de Teatro, equipamentos e espa- ços culturais do Estado promovem festivais e temporadas de espetáculos. Theatro José de Alencar, Sesc Senac, e Livraria Cultura são destaques


Durante toda a semana que antecedeu o Dia Mundial do Teatro e o Dia Nacional do Circo, comemorados hoje, muitos segmentos ligados às artes cênicas se organizaram para realizar comemorações em forma de festivais, debates, oficinas e apresentações.

Coroando mais uma turma da tarde do Curso Princípios Básicos do Theatro José de Alencar, o grupo de 18 alunos realiza a encenação de "Olhe para os lados", uma produção de oito meses, dirigida por João Andrade Joca. O espetáculo conta a história de três mulheres, sofrendo da falta de amor, acompanhada de boas doses de individualidade e egoísmo. O espetáculo, que esteve em cartaz desde o dia 24 de março encerra sua segunda temporada hoje, na Sala de Teatro Nadir Papi Sabóia, no anexo do TJA.

Deixando a capital rumo ao sul do Estado, neste domingo, em Juazeiro do Norte, também ocorre o encerramento do Festival BNB de Artes Cênicas, cuja abertura ocorreu em 16 de março e seguiu por todo o mês com programações nos centros culturais de Fortaleza, Cariri e Sousa. Às 17h, um cortejo artístico sai da praça Padre Cícero em direção ao Largo do Memorial Padre Cícero (Juazeiro do Norte-CE). O evento contará com a participação dos reisados Discípulos do Mestre Pedro e Guerreiro Santa Madalena. No palco do CCBNB-Cariri, se apresenta "O Auto da Índia", último espetáculo do festival, do grupo Marionetas de Sergipe.

Agenda
Entre os eventos comemorativos, há ainda alguns em andamento, que terminam junto com o mês. A Semana Sesc de Artes Cênicas, promovida pelo Sesc Ceará, começou na última terça, 22 de março, e segue até o dia 31, em Fortaleza e no Interior do Estado. Na capital, as exibições estão divididas nas Unidades do Teatro SESC Emiliano Queiroz, SESC SENAC Iracema, Centro Cultural SESC Luiz Severiano Ribeiro, SESC Centro, no Educar SESC e no Mercado São Sebastião.

O público pode conferir apresentações musicais, dança, circo, mostra de vídeos, teatro de bonecos e teatro de rua. As crianças também podem aproveitar a programação, com contação de histórias, oficinas, exposições e festival de esquetes (pequenas peças de teatro). No interior, a Semana SESC de Artes Cênicas acontece em Juazeiro do Norte, Crato, Sobral e Iguatu.

Na Livraria Cultura, o calendário começa mesmo a partir de hoje e segue até o dia 31 de março. Às 17h30, acontece a abertura do I Encontro de Dramaturgia, Arte e Cinema, promovido por Washington Hemmes, integrante do projeto Cadafalso. Durante o encontro, esquetes e vídeos ilustrarão uma série de mesas-redondas, cujas discussões estarão centradas sobretudo em dramaturgos como Edward Albee e Samuel Beckett. Improviso, linguagem e música serão alguns dos outros temas incorporados.

De volta ao centenário TJA, onde a festa do teatro acontece todos os dias, os primeiros dias de abril recebem novamente o realismo e a crueza de "Barrela", um texto do polêmico drmaturgo paulista Plínio Marcos. A encenação é do pelo Grupo Imagens. Dirigido por Edson Cândido, a peça revela os bastidores de uma carceragem em que um jovem preso é estuprado por seus companheiros de cela. Plínio imagina possíveis cenas e diálogo que teriam ocorrido antes, durante e depois da violência sexual cometida. Ao longo do texto, o autor destaca as relações de poder existentes naquele espaço marginal.

Circuito
Coroando a tradição e o intercâmbio nacional no teatro, ainda em abril, chega ao Ceará o projeto Palco Giratório, o único circuito de artes cênicas de grande porte que percorre todas as regiões do País. Criado pelo Sesc em 1998, o evento deu início a sua edição 2011 em Florianópolis (SC), no dia 16 de março. Após a estreia, os grupos do projeto começaram a itinerância.

Nessa edição do Palco Giratório participarão 16 grupos de vários estados, com 37 espetáculos. Ao todo, serão percorridas 114 cidades, num total de 728 apresentações, em todas as regiões do território brasileiro. Do peças adultas e infantis, passando por teatro de bonecos e de rua, até o circo e a dança. No Ceará, o festival visita nove cidades: Fortaleza, Guaramiranga, Sobral, Iguatu, Juazeiro do Norte, Crato, Quixeramobim, São Gonçalo e Ibiapina. No dia 30 de março, a Companhia Tijolo apresenta em Fortaleza o espetáculo "Uma Toada para João e Maria", no Teatro Sesc Emiliano Queiroz. Durante o mês de abril, o Ceará recebe ainda outros 16 espetáculos. Do outro lado da cortina, cearenses também se beneficiam com o Palco Giratório. Nesta edição a companhia de dança Dita roda o País com os grupos selecionados, apresentando na temporada os espetáculos De-vir, Inc. e L´après midi d´un Fauller.

Programação
Hoje, 27/03
Theatro José de Alencar - "Olhe para os lados", do CPBT 2011. Na sala de teatro Nadi Papi Saboia (Anexo), às 15h30 e 18h. Ingresso R$ 2.

Semana Sesc de Artes Cênicas - Espetáculo "No Ato", com Ricardo Guilherme. No Teatro Sesc Emiliano Queiroz, às 20h.Grátis.

"Negrinha", com Sara Antunes (RJ). No Teatro Sesc Iracema, às 20h.

I Encontro de Dramaturgia, Teatro e Cinema - Esquete Mundo Cão (baseado em Zoo Story, de Edward Albee). Na Livraria Cultura, às 17h30. Grátis.

Bate-papo: Edward Albee: linguagem e decadência. Com Washington Hemmes (projeto cadaFalso) e Diego Landin (UFC). Mediador: Tiago Fortes (UFC), às 18h. Grátis.

Amanhã, 28/03
Semana Sesc de Artes Cênicas- Espetáculo "Raízes Nordestinas". Na Sala de Convivência, às 18h. Grátis.

Homenagem especial ao Palhaço "Trepinha" e apresentação do espetáculo "Jardim" da Bahia. Teatro Emiliano Queiroz, 20h.Grátis.

Espetáculo "A Formiguinha e a Neve", do Grupo Turma do Teatro. No Educar Sesc, às 10 e 15h. Grátis.

"Num Banheiro Irreverente, Quase Sempre Tem Gente", da Cia. Boca D´Cena, no Espaço Multicultural, às 12. Grátis.

I Encontro de Dramaturgia, Teatro e Cinema - Esquete: Improviso de Ohio (de Samuel Beckett), com Diego Landin (UFC). Na Livraria Cultura, às 19h. Grátis.

Mesa redonda "Esperando Beckett" (contribuições para a Arte Contemporânea), com Manoel Moacir (UNIFOR), Carlos Augusto Viana (UFC) e Tito de Andrea (projeto cadaFalso/UFC). Mediador: Washington Hemmes. Às 19h30. Grátis.

Terça-feira, 29/03
Semana Sesc de Artes Cênicas- Espetáculo de Bonecos "O Mamulengo Conta História", do Mamulengo Estrela do Norte. Na Sala de Convivência do Sesc, às 18h. Grátis. "Safadezas do Samba", com o Grupo de Dois de SP. No Teatro Sesc Emiliano Queiroz, às 20h.Grátis. "Rosário"(BA). No Sesc Iracema, às 20h.Grátis. "Dom Poder e a Revolta da Natureza", do Grupo Expressões Humanas. No Educar Sesc, às 10 e 15h. Grátis. "... De Como o Assum Preto Virou Flor", da Cia Boca D´Cena. No Espaço Multicultural do Sesc, às 12h. Grátis.

I Encontro de Dramaturgia, Teatro e Cinema - Filmes: Faust, (Murnau, 1926) e Faust (Svankmajer, 1994), na Livraria Cultura, às 19h. Grátis.

Palestra "A estrutura mítica do pacto fáustico", com Washington Hemmes. Mediador: André Bonfim (PUC/RS). Às 19h30. Grátis.

MAIS INFORMAÇÕES
Endereços e contatos: Theatro José de Alencar - Anexo (Rua 24 de Maio, 600). Contato: (85) 3101.2567 .

Livraria Cultura (Av. Dom Luis, 1010). Contato: (85) 4008-0800 .

Sesc Ceará - Unidade Fortaleza (Rua Clarindo de Queiroz, 1740). Unidade Centro (R. 24 de maio, 692).

Educar Sesc (Av. José Bastos, 813). Teatro Sesc Senac Iracema (R. Boris, 90). Teatro Sesc Emiliano Queiroz

(Av. Duque de Caxias, 1701).

Contato: (85) 3452.9060

MAYARA DE ARAÚJO
Repórter

Fonte: Diário do Nordeste

sexta-feira, 25 de março de 2011

Espetáculo "A Paixão". O mais Belo dos homens como você nunca viu

"A história mais contada da humanidade ganhará novos contornos e promete emocionar os fortalezenses em 2011. Após o sucesso em sua primeira edição, o espetáculo “A Paixão” volta a ser apresentado na capital cearense. Esse ano, as inovações a novidade será a união entre dança e multimídia, valorizando elementos como a projeção e os efeitos de luz. “A Paixão” poderá ser vista no Teatro Via Sul, nos dias 20, 21 e 22 de abril, às 20h, com seção extra no dia 21, às 17h. A expectativa é que 2.800 pessoas assistam às apresentações. Os ingressos custam R$ 40,00, com preço promocional de R$ 20,00 antecipadamente.

Segundo a diretora do espetáculo, Milza Gama, a intenção é tocar corações de cristãos e admiradores das artes. “Iremos mostrar a imagem do mais belo dos homens, Jesus Cristo, de uma maneira diferente. Nosso foco é valorizar a vida através do ressuscitado que passa pela cruz e inicia vida nova”, explica.

A nova roupagem de “A Paixão” enfatizará o aspecto musical e está prevista para acontecer em 1h 30m, dividida em dois atos. A intenção é deixar o espetáculo mais dinâmico e atrativo também aos admiradores da arte. A edição de 2011 contará com 60 componentes, tendo Bill Sala no papel de Jesus Cristo. Anteriormente o espetáculo foi apresentado por 10 anos no Rio de Janeiro, tendo reunido mais de 300 mil pessoas.

"A Paixão” é uma realização de Milza Gama, tendo patrocínio de Betel Tur, Pólen, Viva Música Viva, Óticas Diniz, Shalom AM 690, Cristiano Freires Hair Stylist, Lavanderia Lavar, Studio Dsan, CDL e TV Cidade. com apoio cultural do Espaço Viva Música Viva.

Conheça Milza Gama

Milza Gama é cearense, diretora, roteirista e coreógrafa, graduada em dança pela faculdade Angel Vianna, do Rio de janeiro. Atualmente faz especialização emanalise do movimento (Sistema laban), de onde foi retirada toda concepção artística do espetáculo. Durante 10 anos, Gama realizou diversos espetáculos no Rio de Janeiro, percorrendo os principais teatros do circuito carioca. Em 2010, organizou e apresentou “A Paixão” pela primeira vez em Fortaleza. O espetáculo lotou o Theatro José de Alencar nos quatro dias de apresentação e teve boa repercussão junto ao público e crítica.

Serviço: “A Paixão”
Local: Teatro Via Sul
Dias: 20, 21 e 22/04, a partir das 20h; com seção extra no dia 21/04, às 17h
Ingressos: R$ 40,00; Preço promocional: R$ 20,00
Vendas: Teatro Via Sul (no local e pelo site www.teatroviasul.com.br), Shalom da Paz (Rua Maria Tomásia, 72) e Shalom Fátima (Rua Dom Sebastião Leme, 868)
Classificação: Livre"

Fonte: jornalista Aurimar Monteiro